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Obras paralisadas há sete anos: Quem desviou o dinheiro da construção do Hospital do distrito do Baia em Viana?

Obras paralisadas há sete anos: Quem desviou o dinheiro da construção do Hospital do distrito do Baia em Viana?


As obras da construção do Hospital do distrito urbano da Baia, município de Viana, em Luanda, estão paralisadas há sete anos. Co mais de cinquenta salas, morgues e outros serviços, o gigante de betão vai se desmoronando sem que alguma entidade seja responsabilizada

Por: Belchior Resende

A reportagem do Na Mira do Crime visitou demoradamente o local, que seria uma unidade de referência, caso as obras fossem concluídas. Na verdade, aquela que seria a maior unidade hospitalar de Viana, cinco vezes mais grande que o hospital do Kapalanga, vai criando fissuras e é, actualmente, a moradia de alguns cidadãos vindo do sul do país.

Procuramos saber junto de moradores o porque da não conclusão da obra, que certamente terá retirado dos cofres do Estado milhares de kwanzas, e a resposta foi unanime.

“O empreiteiro que estava com a obra fugiu com o dinheiro”. Os moradores contam que a obra estava a ser executada por cidadãos chineses, mas há sete anos que não se mexe em nada.

“Abandonaram isto e ninguém diz nada, simplesmente assim”, atirou Dinho Francisco, morador.

“Todas as vezes que é nomeado um novo administrador, vem ver a obra e não resolve nada…é tudo brincadeira, fazem charme para inglês ver, na verdade ninguém está interessado em resolver este problema”, lamentou.

Bem próximo as obras do hospital que vai mergulhando num lamaçal, existe um outro centro médico de três salas sem as mínimas condições de trabalho, mas o esforço dos profissionais, tem salvado muitas vidas.

Falta tudo no distrito do Baia

Alto índice de criminalidade, prostituição em alta, falta de ocupação para a juventude, elevado consumo de álcool são apenas alguns dos vários problemas que assolam a comunidade do distrito do Baia. Sem acesso para viaturas ou peões, com as ruas alagadas e desestruturadas, custa acreditar que haja alguma administração naquela zona.

Passamos algumas horas no único posto de saúde que aí existe, e sentimos o abandono a que aqueles cidadãos estão atirados. Num corre-corre de se lhe tirar o chapéu, os técnicos de saúde tudo fazem para atender as centenas de pacientes que procuram saúde. Saltou-nos à vista um facto. Muitas crianças ao colo de mães adolescentes, mostravam sinal de desnutrição.

Em conversa com um dos enfermeiros aí instalados, o profissional segredou-nos que as principais patologias aí diagnosticadas são: Anemia, malária, HIV e “sentimos um crescer de casos de tuberculose”, atirou.
Delinquência em alta

O bairro Kilamba D e Zona 2 são as que mais preocupam os munícipes, principalmente as vendeiras do mercado do 30.

No distrito do Baia, junto a única esquadra aí existente, um único grupo de bandidos tira sono ao SIC e a PNA. Os “Bebetão”.

Este grupo, segundo moradores, actua na calada da noite, assaltam residências e esfaqueiam quem resiste a assaltos.
Segundo Ana Maria, vender no mercado e largar 18h00 é a mesma coisa que sustentar os meliantes.

“Quem vive no Kilamba D sabe que tem que sair da praça às 15h00, porque senão será assaltada”, mas, acrescenta, “às vezes, mesmo a sair cedo os nossos maridos (bandidos) nos recebem o dinheiro e alimentos que levamos para sustentar os nossos filhos”, explicou.
 

 

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