Sócio de Kundi Paihama denuncia alta golpada contra si e o finado general
A Gesti-Grupro – Gestão de Empreendimentos e Participações Sociais, S.A., sociedade com a qual o finado general Kundi Paihama construiu, juntamente com o sócio António Ferreira, em 2003, um mundo empresarial, com mais de 50 empresas, avaliada em centenas de milhões de dólares, está agora à beira da falência, tudo por conta de um golpe, minuciosamente engendrado, de acordo com denúncia de Osvaldo Salupulu.
Por: Redacção
No recuado ano de 2003, o recém-falecido general e empresário angolano Kundi Paihama, à data residente na província de Luanda, na rua Gov. de Carvalho, nº 14, bairro Saneamento, Ingombotas, juntamente com o sócio António Manuel da Costa Ferreira, de nacionalidade portuguesa, com domicílio em Luanda, na rua dos Enganos, edifício Kinaxixe Residence, construíram o universo empresarial composto por 54 empresas, sendo a “Gesti-Grupro – Gestão de Empreendimentos e Participações Sociais, S.A.”, a empresa-mãe, a “Plurijogos, S.A.” e a instituição financeira bancária “BANC – Banco Angolano de Negócios e Comércio, S.A.”, são, ou eram as principais empresas do grupo ora criado.
O português António Ferreira, segundo o seu advogado, Osvaldo Salupulo, foi o condutor do processo de criação do referido universo empresarial, na qualidade de sócio maioritário e principal Administrador das empresas do grupo.
Todavia, revela o causídico e autor da denúncia, consta que, entre 2006 a 2007, os cidadãos Henrique Rogério Doroteia, Agostinho Durães Rocha, Rui Gabriel Direito Alves Machado, Luís Filipe Candeias Rijo, e José Oliveira, contratados por Kundi Paihama, como colaboradores, para ocuparem os cargos de assistentes jurídicos e assistentes administrativo e financeiro do grupo – numa altura em que António Ferreira –, o sócio maioritário se encontrava em Lisboa, para tratamento médico.
Na vigência do contracto, elucida, estes, por sua vez, decidiram minar a imagem e reputação do seu constituinte, António Ferreira, junto do seu sócio, Kundi Paihama, usando jogadas ardilosas, recorrendo a todos os meios, ilegais e antiéticos, para ganharem protagonismo, envenenarem as relações entre os sócios e pessoas do círculo de proximidade, tudo com objectivo de ocuparem o lugar de António Ferreira nas sociedades mais relevantes do grupo.
Outrossim, afirma Osvaldo Salupulo, sempre que o seu constituinte tentou regressar para Angola viu-se impedido pelas autoridades migratórias, que trabalhavam em concertação com o quinteto.
Seguindo essa estratégia, denuncia, em duas etapas já verificadas até hoje, os denunciados já lograram o afastamento indevido do sócio de Administrador das empresas mais relevantes do grupo, as ora referidas; o esvaziamento das participações sociais de António Ferreira destas empresas, recorrendo a ilícitos, incluindo em falsificações de documentos, actas e compra e venda de acções.
E mais, diz o denunciante, Henrique Rogério Doroteia, Agostinho Durães Rocha, Rui Gabriel Direito Alves Machado, Luís Filipe Candeias Rijo, e José Oliveira tornaram-se sócios e detentores de participações sociais nas empresas mais relevantes do grupo, substituindo a si.
E, como consequência, referiu Osvaldo Salupulo, estes indivíduos venderam o património da maioria das 54 empresas que ele, António Ferreira e Kundi Paihama criaram – tendo estes criado um universo de novas sociedades, como são os casos da “ACK Games, S.A”; e posteriormente a “ACK1, S.A”; “ACK2, S.A”; “ACK3, S.A”; “ACK4, S.A” e “ACK5, S.A”, com outros sócios, por sua vez tornado sócios de outra nova sociedade, a “Angomilhões, S.A.” que tem objectivo social concorrente com o principal negócio desenvolvido por Kundi Paihama e António Ferreira – desviando o património ainda existente ou unidades de negócio das sociedades “Gesti-Grupo e Plurijogos”.
Ademais, explica o advogado, diminuíram o capital social de Kundi Paihama na “Gesti-Grupo e BANC”, substituindo-se o finado general, sem contrapartidas, no capital social que o mesmo perdeu.
Henrique Rogério Doroteia, Agostinho Durães Rocha, Rui Gabriel Direito Alves Machado, Luís Filipe Candeias Rijo, e José Oliveira, afirma, montaram uma armadilha perigosa a Kundi Paihama, colocando-o na posição de grande risco de devedor de uma das empresas, ao montante de USD 20 milhões, criando as condições para que, mais tarde ou mais certo, também ele, o general, e os seus pares perdesse a totalidade do que resta da sua participação social.
De acordo com a defesa de António Ferreira, a ideia foi colocar o falecido general em situação de risco político, pondo-o em cargos e posições de gestão incompatíveis perante a Constituição e a Lei.
Aliás, sublinha, a estratégia do “quinteto criminoso” surtiu o efeito desejado, e o golpe foi concretizado em grande parte.
O processo-crime interposto por António Ferreira ao aperceber-se das irregularidades verificadas nas empresas mais relevantes do grupo, a “Gesti-Grupo”, “Plurijogos” e o já extinto “BANC”, e de que a idade, o estado de saúde e as responsabilidades políticas que ostentava não o permitiam acompanhar a evolução dos negócios e da sua gestão, Kundi Paihama resolveu tomar as providencias adequadas, recorrendo à cooperação de seu então sócio António Ferreira.
O general Kundi Paihama requereu junto do seu então sócio e seus representantes que retomassem as rédeas do outrora frondoso grupo empresarial, hoje em dia falido e depauperado, pela acção criminosa dos denunciados.

O actual estado do grupo criado por António Manuel da Costa Ferreira e Kundi Paihama é por demais grave, segundo Osvaldo Salupulo, existindo irregularidades com conteúdo criminal, conteúdo este importa aprofundar, com os meios ao dispor da República de Angola, e com o crivo superior das autoridades angolanas.
Por outro lado, diz Osvaldo Salupulo, há quatro (4) situações de grande gravidade, ou gravidade extrema, sem embargo de outras questões a apurar, e que foram reveladas durante a investigação realizada por ele e seus representantes.
Explica o denunciante que Henrique Rogério Doroteia, Agostinho Durães Rocha, Rui Gabriel Direito Alves Machado, Luís Filipe Candeias Rijo, e José Oliveira alegaram empréstimo de USD 20 milhões, pela sociedade “Gesti-Grupo, S.A”, a Kundi Paihama; um contrato-promessa de compra e venda de acções representativas de 19,46% do capital social e inerentes direitos de voto na “Gesti-Grupo – Gestão de Investimentos e Participações Sociais, S.A”, por parte de Kundi Paihama a favor dos denunciados, por preço igual ao respectivo valor nominal, desconhecendo-se se este foi pago; compra e venda de parte não determinada de acções tituladas por António Ferreira e representativas do capital social e inerentes direitos de voto na “Gesti-Grupo – Gestão de Investimentos e Participações Sociais, S.A”; tentativa de passar para a “ACK, S.A.”, a integral titularidade de todos os activos do grupo, tentativa esta que apenas conseguiram realizar parcialmente, concretamente no que diz respeito ao casino “Golden Lion”, localizado no Morro Bento, junto à unidade da Força Aérea Nacional, de Apoio à Unidade de Guarda Presidencial (UGP).
Telefone desligado
O Na Mira do Crime envidou esforços para ouvir a outra parte, para o cruzamento de fontes que se impõem, através do terminal telefónico 222 317 273, dos escritórios dos denunciados, mas não tivemos êxitos. Ainda assim, continuaremos a tentar manter contactos, para que nos próximos dias possamos ter, também, a versão destes.








