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Funcionários do SME denunciam nepotismo e graduações clandestinas  

Funcionários do SME denunciam nepotismo e graduações clandestinas  


O Serviço de Migração e Estrangeiros (SME) órgão afecto ao Ministério do Interior, volta a baila, mais uma vez, no Na Mira do Crime.

De acordo com alguns efectivos que procuraram este órgão de informação, dizem haver nepotismo e patenteamento em gabinetes a porta fechada no edifício da Maianga.

Segundo um Inspector e Especialista de Fronteiras que falou sob anonimato, o caso não é novo, e já data desde a alteração da denominação Direcção de Emigração e Fronteiras De Angola (DEFA) para SME.

“Antigamente às graduações eram feitas de tempo em tempo, após a mudança da denominação, com a inserção de outros actores, começou a complicação”, descobriu.

“Basta ir ao nosso Centro de Detenção de Estrangeiros Ilegais, no Km 30, e vais encontrar uma série de mais velhos com 20 ou 30 anos de carreira que são apenas subchefes, quando de cinco em cinco anos tem de se subir um grau, os nossos jovens chefes, com cinco anos de casa, e com a patente de intendente, deveriam, também, perguntar-se como é que um efectivo com 20 anos de casa continua agente de primeira?”.

“Eu que estou aqui há mais de 15 anos, também sou Especialista de Fronteiras, ensinei tanta gente que de repente passaram a Intendente ou superintendentes, e eu continuo agente porque não tenho família na cozinha” questionado se não se trata de uma questão de habilitações literárias, o nosso entrevistado disse que às habilitações literárias têm o seu peso, porém, “apenas dá-te direito a uma patente, a de Subinspector ou inspector, mais do que isso são honras militares”.

Abaixo assinados ignorados pelas chefias

“Por lei somos proibidos de fazer manifestações, mais já enviamos algumas cartas com abaixo assinados de vários colegas reclamando à direcção o esquecimento em que fomos remetidos, mas, infelizmente fazem ouvidos de mercador, e hoje, quem fala sobre esse assunto nas reuniões é conotado e sofre represália”.

Agentes sofrem calados

“Há muita gente disposta a falar sobre o que vai mal no SME e no Ministério do Interior, mas não há ninguém que nos dá voz… havia um director do Recursos Humanos, de nome Vilela, que enquanto responsável patenteou quem deveria ser por direito. Mas já foi afastado, se calhar por trabalhar na regra, já sabes o nosso país” atirou num tom irónico.

RH em conluio com as altas patentes do SME?

Os agentes que denunciaram más práticas no Serviço de Migração, acusam os Recursos Humanos de estar ao serviço das altas patentes.

“Senão, como se explica as últimas patentes de 2018, do pessoal da formação do Ambriz, no Centro Mártires de Môngua, que eram 126, e foram patenteados mais de 300 efectivos?”, questionou, lembrando ainda que, em 2019 clandestinamente, nos gabinetes do edifício da Maianga, vários colegas entravam com uma patente e saíam com o ombro mais pesado.

 “Em 2020 foi a mesma coisa, vimos agentes a voarem para subinspector ou inspector num estalar de dedos, com ou sem habilitações literárias, assim como vamos ficar felizes no trabalho, como vamos travar a corrupção se os nossos órgãos é que estão a promover”, lamentou.

Subsídios retirados

“Nós fizemos muito dinheiro, dos que estamos aqui, temos mais de 15 anos de trabalho, tinham-nos prometido que aumentariam um grau, até agora nada, essa história de faltas de verbas não colhe, nós fizemos muito dinheiro, até os subsídios que nos eram atribuídos para as multas, foram retirados, e ninguém diz nada”.

 

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