Negociatas na ENDE em Viana; Funcionários lucram milhões às custas do Estado
Fraga e João Neto, dois responsáveis do Departamento Comercial e Técnico da Empresa de Distribuição de Energia (ENDE), no município de Viana, são acusados de celebrarem contratos milionários com libaneses, malianos e senegaleses em troca de fornecimento de energia sem qualquer benefício para o Estado, alimentando as suas empresas sedeadas nos zangos 0, 1 e 2.
Por: Na Mira do Crime
Para os dois funcionários denunciados, nada é mais adequado que o dito popular “o cabrito come onde está amarrado”. Só que, para infelicidades destes, a festança está por um fio – já que o esquema corrupto de fornecimento de energia, sem quaisquer benefícios para o Estado, que alimentava para além de negócios de expatriados, outras empresas de cidadãos nacionais, como hospedarias, fábricas de blocos, padarias, câmaras frigoríficas, armazéns, mercados paralelos e até residências, em sistema trifásicos, foi agora tornado públicos por dois ex-integrantes da entourage, postos de lado.

O negócio, segundo denunciaram os ora expulsos, tem à testa os cidadãos Fraga e João Neto, responsáveis do Departamento Comercial e Técnico da ENDE, EP., no município de Viana, envolvendo os agentes no distrito do Zango identificados por Daniel e Filipe, e alguns funcionários que agem por conta e risco próprio.
De acordo com a denúncia, Daniel e Filipe são os testas-de-ferro dos negócios dos “chefes” Fraga e João Neto, mas que também têm as suas “lavras” (entenda-se empresas por si controladas) – como são os casos de uma fábrica no Zango 0, quarteirão KL, uma oficina de reparações mecânica com alimentação trifásica no quarteirão LCC, e residências monofásica, alimentadas pelo PT-132 e outras pelo PT-133, no Zango 1.

Ainda uma padaria alimentada em instalação trifásica, no Zango 2, rua do Congo, quarteirão E, 4 armazéns, uma hospedaria, uma praça conhecida por Avô Baianga e ainda algumas residências nos arredores no Zango 3, quadra E-5, controladas por Filipe, testa-de-ferro de João Neto.
Adianta ainda a fonte que, no mês de Janeiro último, o director Fraga, através do seu testa-de-ferro, Daniel, passou a alimentar, também, ilegalmente, uma câmara frigorífica e uma fábrica de blocos no Zango 0.

Para melhor apurar os factos de que os cidadãos acima mencionados são alvos de denúncia, O Namira do Crime fez deslocar uma equipa às zonas citadas afim de constatar, in loco, tendo encontrado, no Zango 2, nas imediações da antiga Shoprite, uma câmara frigorífica e uma fábrica de blocos, alimentadas a partir de um ramal vindo de um PT da ENDE – para além de uma padaria (Dádiva), no Zango 3, propriedade de um libanês.
Fraga diz ser dedicado e sem interesses para tais actos.
No exercício do cruzamento de fontes, um princípio basilar do jornalismo e direito assistido aos visados, a nossa equipa de reportagens deslocou-se até à direcção da ENDE, na Vila de Viana, aonde foi recebida por um dos propendidos da presente denúncia, no caso o cidadão Fraga, director comercial, que começou por considerar como sendo falsas acusações que sobre si pesam – sublinhando que é um funcionário dedicado e sem interesses para tais actos.
Por seu turno, João Neto, chefe do Departamento Técnico, com quem também chegamos à fala, explicou que fala com propriedade, sendo que tais acusações são infundadas e sem provas. Aliás, ainda em sua defesa, depois de lhe ter sido exibidas imagens de alguns negócios em que, supostamente, tem participação, como são os casos da padaria Dadiva, das câmaras frigoríficas e fábricas detidas por Libaneses, jurou, de pés juntos, que nada tem a ver com tais negócios, e, em tom agressivo e irónico, disse estar agradecido por o Na Mira do Crime tê-lo solicitado para o contraditório, e que no dia seguinte fazer-se-ia deslocar nos referidos espaços a fim de assegurar que a verdade seja reposta.
Por outro lado, João Neto, o chefe do Departamento Técnico da ENDE em Viana, como quem tivesse o “rabo preso”, dizia ser confrade de jornalistas, como que se, por isso, deixássemos de publicar a matéria.
Ademais, quem foi mais longe é o seu suposto testa-de-ferro, apenas identificado por Daniel, que, sem contemplações, rogava para que a matéria não fosse publicada, dizendo-se parente de um agente do Serviço de Investigação Criminal (SIC), apenas identificado por Pinge.








