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Lucas Ngonda acusado de ‘vender’ a FNLA ao MPLA

Lucas Ngonda acusado de ‘vender’ a FNLA ao MPLA


O Presidente da FNLA, Lucas Ngonda está a ser acusado de ter feito várias negociatas com o MPLA com o fito de obter dividendos pessoais e conseguir manter este partido histórico refém das vontades do partido no Poder.

Por: Marlita Domingos

A denúncia feita por vários militantes baseia-se em documentos colocados nas redes sociais e, que sustentam esta tese com o único fito de Lucas Ngonda manter-se na liderança da FNLA mesmo sem a vontade dos seus militantes.

Segundo os documentos em posse do Na Mira do Crime, as negociatas entre Lucas Ngonda e o MPLA remontam desde o ano de 2011, altura em que Julião Paulo “Dino Matrosse” era o antigo secretário-geral do partido no poder, com quem reuniu em diversas ocasiões e, entre os assuntos abordados o realce recai para a possibilidade da FNLA fazer uma coligação com o MPLA para se poder manter na arena política nacional, numa altura que aquele partido histórico fundado por Holden Roberto, estava bastante fragilizado com a saída em cena de Ngola Kabango, diga-se em abono da verdade, tinha mais pujança política que o ‘velho’ Ngonda que relegou a FNLA ao pior lugar que este partido, a par do MPLA e da UNITA, merecia estar em Angola.

Na denúncia enviada a este portal, consta ainda o facto de Lucas Ngonda ter solicitado uma determinada quantia monetária – apenas identificada como financiamento – para que as pretensões do partido no poder pudessem vingar, sendo que desta solicitação, a resposta veio directamente do Presidente da Assembleia Nacional foi:  “Incube-me sua Excelência o Senhor Presidente da Assembleia Nacional, para comunicar-lhe que acusamos a recepção da v/carta datada de 02 de Agosto de 2003 e (…) informar ao Sr. Dr. Lucas Ngonda que nós na Assembleia Nacional bem como o Presidente da República nos revemos na ala liderada por Ele e, quanto ao financiamento solicitado virá directamente da Casa Civil da Presidencia da República”, escreveu na altura Roberto de Almeida, então presidente da ‘Casa das leis’ angolana, numa altura em que João Lourenço, actual Presidente da República era um dos vice-presidentes.

Em resposta, Lucas Ngonda escreveu a agradecer os dois encontros mantidos com o Secretário-geral do MPLA para traçar relações estratégicas entre o MPLA e a FNLA.

Por outro lado, Lucas Ngonda fez questão de sublinhar que faltava apenas, da parte do SG do MPLA cumprir com a outra parte do acordo entre ambos.

Lucas Ngonda acusado de desvio de milhões de kwanzas

As acusações de desvio de verbas na FNLA não são de hoje, sendo que, na maior parte das vezes, o nome de Lucas Ngonda é sempre apontado como um dos autores dos saques aos cofres do próprio partido para benefício pessoal, como se de uma instituição particular se tratasse.

Infelizmente, Lucas Benghy Ngonda, que quer fazer uma alternância política de Angola, também está envolvido em vários escândalos de desvio de fundos.

Como prova disso, o presidente contestado da FNLA também é acusado de se apropriar de mais de 47 viaturas que custaram aos cofres do Partido mais de 119 milhões de kwanzas, conforme atentam documentos enviados ao Na Mira do Crime, dos quais o Banco de Poupança e Crédito (BPC), registou uma transferência da conta da FNLA de AKZ 119.900.000,00 para a conta da empresa HUAFENG AUTO, Conta BFA, número 157948290/30/001, para a compra de viaturas que supostamente seriam para a campanha eleitoral daquele partido.

Num outro documento datado no dia 26 de Abril de 2018, assinado pela Dra. Mirian Estrela Mendes Custódio Ferreira, Directora Nacional do Tesouro, em representação do Ministério das Finanças, testemunhado pelos senhores Lucas Ngonda e Pedro Dala, o Minfin disponibilizou AKZ 160.990.250,00, ao invés de AKZ 15.914.500,00 fruto da dotação orçamental com base no valor de AKZ 1000,00 por voto.

Acusação sustentada por Pedro Dala, na altura a exercer o cargo de Secretário-geral do partido dos ‘Irmãos’, que teria acusado Lucas Ngonda de o ter obrigado a assinar documentos fantasmas.

“A privatização de viaturas do partido na pessoa do senhor Lucas Ngonda, acabou por condicionar o funcionamento do partido, porque, a meu ver, cada secretário provincial merecia ter uma viatura para facilitar a locomoção.

Infelizmente o presidente fez do património do partido sua propriedade pessoal e o partido não cresceu”, denunciou o destituído secretário-geral que, nos dias que correm, trava uma batalha judicial com Lucas Ngonda no Tribunal Constitucional.

Lucas Ngonda anuncia recandidatura

As acusações de negociatas de Lucas Ngonda não são de hoje e adensam-se com o andar do tempo, numa altura que, nem mesmo a avançada idade faz com que o actual presidente da FNLA, mesmo em volto a inúmeras contestações e maus resultados eleitorais, cujo resultado foi o de ter deixado a FNLA com apenas um deputado na Assembleia Nacional, por sinal, ele próprio, leva o velho Ngonda a pensar em colocar o seu lugar à disposição dos mais jovens com outra visão do País para dirigir o partido.

Outro militantes de peso que acusou, durante anos Lucas Ngonda, foi Fernando Pedro Gomes, presidente eleito no congresso ‘ad hoc’ realizado em Luanda em 2018.

Pedro Gomes chegou mesmo a acusar Lucas Ngonda de lançar manobras dilatórias para ludibriar a opinião pública para “semear mais confusão no partido”.

A maior parte dos militantes da FNLA esperam apenas que o Tribunal Constitucional (TC) “seja célere na resolução do diferendo que opõem a liderança de Lucas Ngonda aos demais militantes do partido em função dos Congressos realizados de forma anárquica e, que acabaram por ser invalidados pelo TC.

Na semana finda Lucas Ngonda apresentou, em conferência de imprensa, as razões da sua recandidatura, para voltar a concorrer a um mandato de transição, até 2022.

De acordo com o político, o período de transição deve durar até 2022, altura em que se prevê a realização de um congresso extraordinário, para a eleição do cabeça de lista e dos candidatos a deputados, no quadro das eleições gerais.

Lucas Ngonda tem patente que a FNLA foi transformada em ‘manta de retalho’ desde 2007, depois da morte do líder fundador, Holden Roberto, apesar dos esforços empreendidos, em Junho de 2020, para a reconciliação com os militantes que se sentiam afastados da organização.

“O grande problema que o partido enfrenta está relacionado com questões sociais, derivadas da pouca assistência que os seus militantes recebem das autoridades de direito.

A esta questão se junta a não priorização da unidade do partido, em detrimento dos interesses pessoais”, lamentou.

Em relação a isso, Maurico Adriano, um militante da FNLA acusa Lucas Ngonda de ser o único culpado, pelo facto de pensar que é o único que pode dirigir a FNLA.

“Ele próprio tem culpa no cartório porque pensa que os outros não podem dirigir a FNLA e se esquece dos outros quanto as benesses caem no partido”, denunciou.

Questionado sobre as medidas que pretende adoptar para a unidade do partido, caso seja reeleito, Lucas Ngonda defendeu a necessidade de se mudar os métodos de actuação.

“Ao longo de todas as discussões efectuadas nestes últimos anos, o problema da unidade da FNLA não foi tratado como problema fundamental, mas isso foi relegado para um plano secundário”, referiu.

O V congresso ordinário da FNLA vai decorrer de 16 a 19 de Junho próximo e concorrem ao cargo de presidente, para além de Lucas Ngonda, Joveth de Sousa, Fernando Pedro Gomes, Tristão Ernesto e Laiz Eduardo.

Fundado em 1954, a par do MPLA e da UNITA, o partido FNLA é uma das forças políticas que lutou para o fim do colonialismo português em Angola.

Nas primeiras eleições gerais, em 1992, elegeu cinco deputados, em 2008, três, em 2012, dois e, nas de 2017, apenas um, dos 220 assentos que compõem a Assembleia Nacional.

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