PGR tenta recuperar mais de 1 bilião de dólares saídos ilegalmente do país
Os cidadãos investigados no país estão com as contas congeladas no estrangeiro. Em causa estão mais de mil milhões de dólares, informou esta segunda-feira (19), em Luanda, a Procuradoria-Geral da República.
A República de Angola e o Conselho Federal Suíço rubricaram, esta segunda-feira, em Luanda, um Memorando de Entendimento para facilitar a recuperação de activos ilegalmente saídos dos cofres do Estado angolano e depositados nesse país europeu.
O acordo foi assinado pelo procurador-geral da República, Hélder Fernando Pitta Grós, e pelo embaixador da Confederação da Suíça em Angola, Nicolas Herbert Lang.
Segundo o procurador-geral, o entendimento prevê a cooperação nos domínios da notificação de actos judiciais, recolha de depoimentos, buscas, transmissão espontânea de informações, efectiva recuperação de activos e congelamento de bens.
Declarou que a recuperação de activos tem sido uma das grandes prioridades da política criminal do Estado angolano.
Já o embaixador da Confederação Suíça manifestou o interesse do seu país em ajudar a combater a criminalidade financeira, sobretudo o peculato, o suborno e a lavagem de dinheiro, cometidos à custa do Estado e em detrimento do povo.
Explicou que o direito suíço estabelece que o dinheiro de origem ilegal, desde que provado, seja devolvido com base num procedimento de assistência jurídica.
Assegurou que, com esse protocolo, passará a ser mais difícil lucrar com a corrupção e outros actos criminosos, tanto em Angola como na Suíça.
O diplomata informou que a praça financeira suíça, com mais de 250 bancos e 200 companhias de seguro, continua a ser a principal no mundo ao gerir fortunas de cerca de 2,5 triliões de dólares de activos transfronteiriços.
Sublinhou o facto de nenhum outro país ter devolvido, até agora, mais fundos ilícitos aos países de origem que a Suíça.
De acordo com Nicolas Herbert Lang, na Suiça já não existem contas bancárias anónimas e o sigilo dos clientes bancários estrangeiros foi abolido, acrescentando que o seu país mantém intercâmbio automático de informações sobre contas financeiras com 75 Estados parceiros.
Para o ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, Francisco Queiróz, o acordo celebrado, depois de dois anos de negociação, permitirá ao Estado angolano recuperar mais activos desviados.
Por seu turno, o ministro das Relações Exteriores, Téte António, disse que a cooperação com a Suíça tem sido exemplar e que acordos com outros países poderão ser também rubricados sempre que se justificarem.
De 2019 a 2020, o Serviço Nacional de Recuperação de Activos (SNRA) da Procuradoria-Geral da República recuperou mais de cinco mil milhões de dólares americanos (USD) a favor do Estado angolano, em bens e dinheiro.
Em Dezembro de 2020, por ocasião da cerimónia de apresentação de cumprimentos de fim de ano, Hélder Pitta Gróz revelou que o SNRA solicitou às suas congéneres a apreensão ou arresto de bens e dinheiro no valor de USD 5 mil milhões 434 milhões 100 mil 000.00, citando países como Suíça, Holanda, Luxemburgo, Portugal, Reino Unido, Singapura e Bermudas.
C/Angop e JA








