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Enfermeiros denunciam corrupção na direção do  Hospital Municipal de Catete

Enfermeiros denunciam corrupção na direção do  Hospital Municipal de Catete


 

 

 

 

Um grupo de enfermeiros que trabalha no Hospital Municipal de Catete, situado no município de Icolo e Bengo, procurou a redacçao do NA MIRA DO CRIME para denunciar aquilo que chamam “mão grande e vistas grossas do Director Geral do Hospital, Renato Nacalumbo Paulo Machimbalaya.

Por: Osvaldo de Nascimento

Segundo os entrevistados, o a estruturação do corpo de direção do hospital, foi mau criada e não está conforme manda a lei.

“Recebemos recentemente uma Diretora Clínica, Paula Camate e uma Diretora de Enfermagem, Paula Cristina. o Diretor clínico, a princípio, deveria ser um médico, e receber na categoria conforme a folha de salário, infelizmente recebemos uma médica que na folha está tipificada como auxiliar de enfermagem, e a Diretora de Enfermagem na folha de salário está como técnica média de enfermagem, nem é enfermeira sequer, seria para serviços administrativos”, denunciaram.

De acordo com os técnicos de saúda, a diretora de enfermagem diz ser licenciada, “mas até hoje não recebemos nenhum documento nos Recursos Humanos (RH) sobre a sua licenciatura, essa mesma diretora, por lei, deveria ser licenciada em enfermagem, ou pelo menos bacharel”, atestaram.

Directora clínica ‘foi embora’ em Malanje

Por outra, dizem, a diretora clínica, Paula Camate, concorreu no concurso público da Saúde o ano passado, e o nome saiu como médica na província de Malanje.

“Ela foi embora em Malanje e até agora o hospital está sem direção clínica”. Neste caso, continuam, quem deveria fazer o papel de diretor clínico até chegar um outro é o diretor geral, “mas desde a vigência do diretor, desde que chegou que ele só fica dentro do gabinete a assistir filme até ao final do dia. E só sai quando a diretora municipal, Alexandrina Gaspar Fernandes, liga a dizer que tem um caso urgente”.

Reunião tirou ‘relaxe’ do director

Os enfermeiros dizem que, para retirar o ´descanso hospitalar’ de Renato, houve uma reunião com a direção municipal da saúde há coisa de três semanas, e este começou a se movimentar mais.

Excesso de Zelo por parte do diretor

De acordo com os nossos entrevistados, o diretor manda assinar efectividade na folha de salário, quando na verdade não faz banco, não dorme no hospital, e está como efectivo da Maternidade Lucrécia Paím.

 “Ele nos exige assinar a folha de salário e recebe um subsídios  por trabalhos que não faz. Ele não faz escala, e tudo fica assim, recebe mais do que deveria”, denunciaram.

“Não há reunião matinal, não há reunião de conselho, ele chega no hospital como se fosse em casa dele, chega e faz o que bem entender”.

Despesas com dinheiros públicos por explicar

Segundo o grupo de enfermeiros, o diretor recebeu há semanas um valor, em mãos, que ronda os 500 mil kwanzas, para manutenção da ambulância do hospital, que o mesmo levou numa oficina que apenas ele (diretor) conhece, e até agora a viatura continua avariada, e os valores gastos por explicar.

Dinheiro do Banco Mundial onde pára?

O Hospital Municipal de Catete, é um dos poucos que tem o apoio do Banco Mundial (BM), mas, segundo os queixosos, falta quase tudo no hospital, porque há uma conivência entre a empresa que fornece o material hospitalar e a direção do hospital, que têm pecado nas contas da aquisição dos fármacos.

“Não sabe aonde vai o dinheiro de apoio do Banco Mundial, porque se somos dos poucos hospitais que tem apoio do Banco Mundial, trimestralmente, temos os mesmos problemas que os outros hospitais que não estão sujeitos ao apoio do BM. Até uma simples pintura ao hospital, roçamos para fazer”, atiraram.

CAR-LIFE reduziu trabalhadores do hospital sem ajustar preços no contrato

Há uma semana, contam os funcionários, o diretor do hospital reuniu com a empresa que trata da higiene do hospital, CAR-LIFE e esta anunciou que faria redução dos trabalhadores, no entanto, deixou incrédulos os mais próximos da direção do hospital, uma vez que não foi revisto o orçamento do hospital com a mesma empresa.

“Eles não mediram os constrangimentos que podem advir com a falta de pessoal na limpeza, como é que vamos dar resposta a limpeza do hospital, e ele é assim, conforme não reúne, tomas as decisões que bem entender sem consultar ninguém, talvez pensa que Catete está muito distante da cidade, e por isso às instancias superiores não tomariam conhecimento”.

 Problemas na entrega de medicamentos

A entrega de medicamentos é um grande problema que o novo diretor trouxe e não quer resolver. A farmácia, por exemplo, pede medicamentos e o diretor não pega na solicitação e manda para empresa de fornecimento, ele recebe e refaz tudo.

Por exemplo, quando entramos no Estado de Emergência, e a caixa de luvas estava a 15 mil kwanzas, a empresa que fornecia o material vendia-nos a 4 mil kwanzas, porque diziam que tinham fábrica, mas tão logo entrou o diretor os preços começaram a mudar.

  “Ele não mede o que vamos solicitar, por exemplo, neste momento estamos com um surto de malária, e ao invés de mandar fármacos que combatem a doença, ele manda outros medicamentos, o que lhe importa é que chegam volumes para ele tirar os seus 10 por cento”, acusaram, sublinhando que há vezes que chega mais algodão do luvas

Acusações tem pendor de perseguição, diz director

O NA MIRA DO CRIME contactou via telefone o responsável máximo do Hospital Municipal de Catete, que começou por responder que às acusações que pesam sobre si têm “algum pendor de perseguição, por parte de alguém inconformado com a nova dinâmica empreendida na unidade sanitária, e que produz algum desconforto àqueles que resistem a mudança”.

Renato Nacalumbo Paulo Machimbalaya, disse que está na direção do hospital aproximadamente há um ano, e portanto, como provem  do Hospital Josina Machel, o processo de transferência desta unidade hospitalar para o município ainda segue os seus trâmites, daí manter-se na categoria de médico especialista e não no quadro da administração.

“E mesmo assim, existe sempre a possibilidade de poder escolher a que classe ou categoria eu opte para poder auferir as minhas remunerações”, observou, “desta feita”, continuou, “os bancos médicos já não são pagos como tal mas sim as horas extraordinárias que mensalmente não devem sobre passar de 96horas”.

Quanto a Directora de Enfermagem, o médico disse que é um equívoco pensar que competência e habilidade estão indissoluvelmente ligadas ao grau académico, “daí dizer que o que se coloca pelos supostos queixosos seja um falso problema, cada um tem o seu valor na organização”.

“Os critérios para a selecção das empresas são os mesmos usados pelos institutos públicos e estão publicados em Diário da República, outrossim, consultar o Diário da República porque a maioria das Empresas que o fazem são as mesmas que tradicionalmente faziam nos últimos 3 anos”, disse

“É um outro equívoco e falácia perguntar onde são colocados os valores cedidos pelo banco mundial, porque esta instituição não é financiadora do sistema de saúde, mas sim, presta apoio técnico e metodológico as unidades sanitárias, sobretudo nos programas de cuidados primários de saúde, assim como com a formações em serviço ao nível local e ocasionalmente com doações alimentares para os pacientes com um estado nutricional deficiente”, explicou.

 Para concluir, o homem da bata branca disse “que esta inquisição é mais um ataque no plano pessoal e não à unidade sanitária, perpetrado por aqueles detractores das novas políticas que a minha equipe giza no intuito de melhor prestar os cuidados de saúde em benefício da nossa comunidade de Icolo e Bengo, o que em nada abona ao bom nome e honra dos trabalhadores abnegado e dedicados da instituição que estamos nesse momento a representar”, concluiu.

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