Roubo concorrido com homicídio: Empresário libanês supostamente envolvido no crime continua solto
Clementino Vimba Sambimbi, de 35 anos de idade, residente na cidade do Huambo, acusa a Direcção de Investigação de Ilícitos Penais (DIIP), um órgão afecto a Polícia Nacional, de morosidade e falta de seriedade num processo de roubo de uma viatura de marca Mistubishi, modelo Canter com a chapa de matricula LA-33-72-FU, do qual resultou no homicídio de um cidadão, cuja viatura foi encontrada em posse de um empresário Libanês em Luanda.
Por: Matias Miguel
Clementino Sambimbi, contou ao NA MIRA DO CRIME o desenrolar de um episódio que levou a morte do seu motorista ao aparecimento da viatura em Luanda, num negócio que envolve dois libaneses como comprador e revendedor e que, por incrível que pareça, continuam soltos como se nada tivesse acontecido.
De acordo com o nosso entrevistado, no dia 07 de Novembro de 2019, José Bernardo Longia, até então, motorista da referida viatura, foi visto pela última vez, por volta das 06 horas, numa missão de serviço ao município do Alto Hama.
“Até as 12 horas daquele dia ele não tinha dado qualquer sinal, daí a nossa preocupação”, começou por contar, explicando que, por não ser normal uma situação daquelas, no dia seguinte contactou a esposa do malogrado que garantiu também não ter sido contactada pelo esposo.
“Aquilo fez-me espécie e contactei o fretador. A resposta dele não me convenceu e, pior ainda, aumentou ainda mais as minhas desconfianças. Fomos ao Serviço de Investigação Criminal (SIC) participar a ocorrência”, afirmou, para depois referir que, apenas no terceiro dia, ficaram a saber que tinha sido encontrado um corpo no Alto Hama, totalmente destratado cuja identidade ainda não era conhecida.
“O SIC encontrou no local do crime o chapéu do malogrado, deram-me a observar e reconheci que era, de facto, do mu motorista”, disse.
Da carrinha, segundo disse, não encontraram vestígio algum tendo, por isso, encetado alguns contactos com os colegas de camionagem para denunciar caso alguém tenha uma pista sobre ela.
“Fomos ao local do crime e foi uma tristeza observar o corpo do José Bernardo. Ele foi morto a pauladas”, denunciou, garantindo que, naquelas condições apenas tiveram de remover o corpo dali para a morgue.
Processo corria os trâmites legais
Passados dois anos, no mês de Abril de 2021, explicou Sambimbi, veio a Luanda no óbito de um familiar. No acto do cortejo fúnebre reconheceu a sua viatura na via pública o que o obrigou a abandonar funeral e seguir a sua viatura roubada.

“Foi assim que perseguimos a viatura até estacionar numa loja de material na zona da Petrangol. Contactei a Polícia da esquadra junto ao Cemitério do 14 que tomou conta do caso”, contou, garantindo que o actual motorista, questionado sobre a proveniência da viatura referiu que o seu patrão está localizado na rua do Calemba 2.
Ao se fazer uma vistoria no interior da viatura, confirmou, foi encontrada a cópia do bilhete de identidade do malogrado e a documentação da viatura já alterada.

“Ligamos para o suposto patrão e demos conta que se tratava de um Libanês e que se tratava apenas de um dos compradores de um outro Libanês que, até agora, nunca deu a cara”.
Segundo o nosso entrevistado, o segundo Libanês esteve detido, “mas o Libanês que comprou a viatura ao assassino tem ‘costas largas’ e muita influência e continua solto”.
No seu entender, esse cidadão que anda a solta é quem deveria ser interrogado pois acredita ser a chave do processo “porque tem muito a dizer”.
“Acredito que o processo está a ser acobertado por alguém com posses na esquadra do Sequele para onde foi encaminhado o caso. O segundo Libanês compareceu na esquadra, cheguei a vê-lo ali e, soube do investigador Angelino Kapango, que o principal suspeito não veio porque teve um enfarto e foi levado ao hospital”, explicou para o seu desagrado.
Processo de Viana encalhado em Cacuaco
Para Clementino Sambimbi não se percebe como é que um processo do município de Viana vai parar ao município de Cacuaco sem que, a nível de Viana, não se esgotassem as possibilidades para ver o caso resolvido.
Segundo disse, foi com base nessas interrogações que resolveu escrever para a Procuradora Geral Adjunta da Província de Luanda, Joana Lourenço Quituto Jardim, que anuiu o seu pedido e delegou a sua colega de Viana, Tereza Luzendo, no dia 28 de Junho do ano em curso no sentido de enviar com a maior brevidade possível o processo 1400/21-VN tendo em conta a sua reclamação.
“Passado um mês nem água vem, nem água vai. Interrogo-me como é que o processo vem em nome do Comando Municipal de Viana, mas o caso está a ser tratado em Cacuaco, no distrito Urbano do Sequele. Fiz alguns contactos em Viana e, na altura, o processo não estava registado em Viana, porque a participação fiz na esquadra cemitério do 14. Mas, para o meu espanto, mandaram-me para o km 09 quando afinal a viatura encontrava-se no Sequele”, rematou.
Quero apenas reaver a minha viatura e fazer justiça
De baile em baile, a única esperança que Sambimbi ainda tem é de ver a justiça a ser feita pela morte do seu motorista e conseguir reaver a sua viatura.
Pois, desde o dia 07 de Novembro do ano de 2019, tem estado apenas a somar avultados prejuízos, na medida em que teve encargos com o óbito do seu motorista que não foram ressarcidos.
“Esta, por exemplo, é a terceira vez que venho à Luanda para reaver o meu meio, já gastei 300 mil kwanzas com despesas desse processo há sensivelmente dois anos, mas o Departamento de Investigação de Ilícitos Penais não me devolve a viatura mesmo depois de confirmar que é minha viatura, nem tão pouco transfere o processo ao Huambo”.
Polícia garante que o processo está controlado
O NA MIRA DO CRIME contactou Angelino Kapango, investigador do processo, que garantiu apenas ter a situação controlada, escudando-se no pretexto de que o processo se encontra em segredo de justiça.
“Mas como é um roubo acompanhado de homicídio, é normal o lesado sentir que o processo está moroso”, sustentou em gesto de conclusão.
Entretanto, fontes deste Portal junto da PGR, garantiram que o processo pode descer ainda esta semana ao Gabinete da Procuradora-Geral Adjunta da Província de Luanda cujo tratamento poderá ser mais célere do que em Viana e Cacuaco, onde passados quase dois anos, os cidadãos estrangeiros, suspeitos da morte do cidadão angolano José Bernardo continuam soltos a passear com as mãos nos bolsos e a assobiar de lado, ao passo que o dono da viatura não consegue reaver o seu meio, numa altura que continua a somar prejuízos avultados.
Todavia, tal como outros casos de Polícia e a seguirem os seus trâmites na justiça, o NA MIRA DO CRIME, também vai continuar a acompanhar o desenrolar deste caso rocambolesco cujo enredo ainda vai fazer correr muita tinta.








