Litígio de terras no km 30: Cidadão maliano acusado de usurpar terreno de angolano com a conivência de Tony Mulato
António Carlos Augusto, de 59 anos de idade, acusa Sillas Youssouf, de nacionalidade maliana de ocupar um terreno de 140x150 que diz ser sua propriedade com a suposta conivência do administrador do Mercado do 30, Tony Mulato, garantindo que, valendo-se do dinheiro que tem, Youssouf corrompe tudo e todos para não sentir a mão pesada da lei.
Por: Matias Miguel
Reza a história que há 59 anos, nascia a família Carlos Augusto, no município do Baia/Luanda, onde reside actualmente no bairro Diogo Batalha, portanto, na mesma área sendo autóctones.
Camponês, profissão herdada dos pais, António Carlos Augusto disse que acompanhou a criação do mercado do km 30 tendo na ocasião se manifestado com outros camponeses aquando da usurpação de terras na altura, situação que deu lugar a necessidade de corrigir os limites de terra de cada camponês que ultrapassava os 2000x1000, na governação da primeira administradora do mercado do km 30, identificada apenas por Cidália.
“Os limites passaram a ser de 1000x500 metros de cumprimentos e largura, respectivamente, isto é, desde as Organizações Funga até as imediações do parque da Polícia”, aponta.
Localizado fora dos limites do mercado do km 30, conforme indica o croqui de localização, de acordo ao nosso entrevistado, o seu espaço é de 150x140 metros, espaço onde sempre trabalhou com os seus irmãos depois, obviamente, da morte dos seus país.
“O Sillas Youssouf, para além de ocupar o meu espaço ainda se apoderou de todo o material de construção que se encontrava no espaço, tais como, carradas de área, bugalho, blocos, enxadas, pás, carros de mão, picaretas e etc... avaliados em um milhão e 108 mil kwanzas”, denunciou.
Tony Mulato encobre usurpadores de terra?
Essa é de resto a pergunta que não se quer calar. Tudo porque, segundo a denúncia de António Carlos Augusto, o cidadão maliano conta com o apoio do administrador do mercado do km30, conhecido por ‘Tony Mulato’, cuja fama se assemelha a um governante, daí as “costas largas de quem tem a sua proteção, como este maliano que se arrola no direito de usurpar terras de angolanos como se estivesse no Mali”.
“Eles dizem que o meu espaço está dentro do limite do mercado, o que não é verdade. Uma equipa da área técnica já tinha identificado e a conclusão a que se chegou é que o croqui indica que o espaço está fora do mercado do km 30”, apontou.
Sillas Youssouf ‘atira a bola’ a Tony Mulato
Em busca do contraditório, o NA MIRA DO CRIME deslocou-se ao mercado do Km30 para tirar a história a limpo. Para o efeito, ouviu Sillas Youssouf que contrariou a versão apresentada por António Carlos Augusto.
Na ocasião, exibiu uma declaração de cedência de um espaço de 100X50 dentro do mercado passada pela então Administradora Cidália.
“Na passagem de testemunho para o actual administrador Tony Mulato, fui obrigado a abandonar o meu espaço e fui alojado noutro espaço fora do mercado. Este é que é o cerne da questão”, garantiu, sublinhando que se encontra no referido espaço desde 2009, mas, para o seu espanto, apenas agora o cidadão António Carlos vem reclamar o espaço.
“O Tony Mulato está ali e o senhor jornalista se quiser pode ir lá ter e saberá que é verdade o que digo”, apontou.
A nossa equipa de reportagem foi ao encontro do Administrador do mercado do km30, Tony Mulato que, por sua vez, disse: “O António Carlos esteve na Comissão de Moradores na altura que delimitávamos o perímetro do mercado. Nunca se manifestou sobre o assunto e agora vem reclamar um espaço de 150X140. Ele tem outros objectivos que é sujar o meu bom nome e honra”, previu.








