Lavra da mãe joana: Agente da Polícia acusado de obrigar dono de cantina a pagar propina
Um agente da Polícia Nacional, apenas identificado como chefe Maurício, supostamente da Direcção de Investigação de Ilicitos Penais (DIIP), colocado na Esquadra do Zango 2, e mais dois outros colegas seus não identificados, são acusados de estarem a extorquir o cidadão Edson Laton, de 42 anos de idade, proprietário de uma cantina colocada nos arredores da referida esquadra.
O jovem, agastado, contou ao NA MIRA DO CRIME que no mês de Outubro do corrente ano, estava a comercializar os seus bens na referida cantina, quando surgiu o chefe Maurício.
“Ele interpelou-me e convidou a acompanha-lo até a Esquadra do Zango dois. Posto lá, disse que eu estava a ser acusado de ser o líder de um grupo de assaltantes. Quando exigi que colocassem a frente o indivíduo que me acusava, alegaram que ele não queria ser identificado, detiveram-me uma tarde completa sem que fossem mais objectivos”, lembrou.
“Depois de tanta volta”, conta, “convenceram-me a dar-lhes 40 mil kwanzas para ser solto e não ser mais incomodado”, disse.
Questionado o por que do desembolso do dinheiro uma vez que era inocente, respondeu que estava aflito na condição de detido.
“Mesmo não tendo culpa alguma, tive que entregar todo o dinheiro que tinha que eram apenas 20 mil kwanzas”.
“Entreguei directamente ao chefe Maurício que recebeu e ordenou-me a liberdade. O que não consigo engolir é o facto de ter de gastar vinte mil kwanzas sem fazer nada. Eu sei que foi uma armadilha para me extorquir”.
Useiros
No entanto, conta, pela segunda vez, no fim de Outubro, um dos agentes voltou para o seu local de trabalho, de motorizada e exigiu dois mil kwanzas.
“Dei, passado uma semana, veio outro, disse-me que eu devo-lhes 20 mil kwanzas, porque quando me detiveram injustamente, exigiram quarenta mil e dei apenas vinte. Disse-lhes que já não daria nada”, zangado, lembra, o polícia abriu o frigorífico da cantina e retirou duas bebidas. Como se não bastasse, exigiu que lhe pagasse a viagem de regresso da motorizada.
“Temo pela minha vida fazendo esta entrevista, mais prefiro arriscar porque vivo amedrontado, porque eles podem voltar a qualquer momento para me extorquir, porque agora tornou-me a lavra deles”, deplorou.
“Sempre que estiverem sem dinheiro, vão-me incriminar de algo mais pesado. Vim ao NA MIRA DO CRIME para assegurar que tornei a denúncia pública, e para que os órgãos de justiça no país funcionem, porque não posso continuar a sustentar agentes corruptos, tenho mulher e filhos, estes é que devo sustentar”, sentenciou.
Contraditório
O NA MIRA contactou via telefone “o chefe Maurício” que disse desconhecer o caso, e pediu que fosse contactado pessoalmente, “caso contrário façam o que convier”, atirou, antes de desligar o telefone. O acusado disse ainda ser da Ordem Pública e não do DIIP.











