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TAAG nua e em praça pública: Funcionários pedem a 'cabeça' do ministro Abreu

TAAG nua e em praça pública: Funcionários pedem a 'cabeça' do ministro Abreu


Em carta dos trabalhadores seniores da companhia de bandeira angolana enviada ao NA MIRA DO CRIME, é exposta às principais deficiências da TAAG, folgas para corrupção e todo um conjunto de acções que dificultam que as asas da TAAG tenham um voo saudável.

Por: NA MIRA DO CRIME

Dirigidas particularmente ao mais alto mandatário da Nação, os homens da TAAG dizem que a forma negligenciada e danosa que está a ser conduzida a gestão da empresa, fere qualquer cidadão de boa fé, interessado no desenvolvimento da economia Nacional e preservação do património de todos angolanos.

A má gestão por fraca liderança, associada ao não comprometimento com os ideais da Organização alinhada a indústria da aviação por força da fraca preparação no requisito exigido para tal, é apontado como o primeiro caso a ser dirimido.

Segundo os funcionários da companhia de bandeira de Angola, uma das grandes preocupações por força da má gestão está relacionada com a Direcção de Manutenção e Engenharia da companhia, detentora da responsabilidade da saúde dos aviões.

É sabido que o negócio na aviação, não terá rendimentos se não for garantida a aeronavegabilidade dos aviões, que exige disciplina nos investimentos e programas para a cabal e eficiente manutenção das mesmas.

Esta realidade não opera no seio da companhia, negligenciam-se os programas, dada a má gestão instaurada, encabeçada pelo Administrador do pelouro da Direcção de Manutenção e Engenharia que ao mesmo tempo administra o pelouro de Operações de Voo, tratando-se de uma incongruência que gera um conflito de interesses crítico uma vez que o mesmo também é piloto efectivo.

Segundo os funcionários, o Certificado de Operador Aéreo da TAAG emitido pelo INAVIC/ANAC, designa o Director de Manutenção como sendo o responsável para a aeronavegabilidade cabendo responder pelo programa de manutenção aprovado bem como assegurar que as aeronaves estejam aptas para voar no entanto, o que se vive na realidade, é uma usurpação de poderes em que o administrador está a assumir este papel do director forçosamente, usando a faculdade d/e superior hierárquico, se esquecendo que as suas responsabilidades são do fórum administrativo e aconselham o titular do poder Executivo a quando da criação dos seus conselhos de administração para acautelar assimetrias que possam perigar a continuidade das instituições e o bom nome da aviação angolana.

PASSAGEM DAS AERONAVES DA SONAIR PARA A TAAG FOI MAL ESTUDADA

Custa adjectivar se foi um projecto mal concebido e isento de um estudo de viabilidade ou de boa fé todavia, dizem os reclamantes, adjudicado as mãos de um grupo que tenha agido de má fé porque, se o governo tivesse optado por alugar ou vende-las, talvez fosse mais rentável para os cofres do Estado e da economia nacional.

“O que se assiste na realidade é lastimável uma vez que as aeronaves foram entregues á TAAG em estado técnico aeronavegável e foram simplesmente transformadas em sucatas dada a escassez de peças sobressalentes em stock nos armazéns da companhia. Essas duas aeronaves juntas não recuperam uma sem que se recorra a um grande esforço financeiro na compra de unidades, peças e equipamentos, cenário que demonstra falta de visão por parte do Gestor de topo da companhia sob o olhar protecionista do S Ministro dos Transportes, uma vez tratar-se de destruição de património que terá custado milhões de dólares aos cofres do estado”.

Neste contexto, alegam que seria oportuno ser despoletada uma investigação para se poder aferir os factos.

FALTA DE PEÇAS SOBRESSALENTES: Aviões  da  TAAG “emprestam-se peças”

Por não terem sido honradas as dívidas com os fornecedores de peças e equipamentos, algumas aeronaves da TAAG encontram-se paralisadas. Os técnicos debatem-se diariamente com dificuldades na superação de avarias, sendo obrigados a fazerem esforços desmedidos para garantir a operação das aeronaves, substituindo peças de uns aviões para socorrer outros, práticas que embora façam parte de procedimentos bem controlados, não sendo os mais aconselhados pela indústria da aviação, uma vez que os componentes têm limite de vida útil e devem ser respeitadas as suas especificações orientadas pelos seus fabricantes.

SOFTWARE DAS AERONAVES BLOQUEADOS

Os softwares disponibilizados pelos fabricantes das aeronaves fornecedores de serviços e similares, segundo denúncias dos técnicos da companhia, se encontram-se bloqueados por falta de cumprimento da dotação financeira, pondo em risco as informações relevantes e mandatórias para o desenvolvimento e aplicabilidade dos programas de manutenção e registos de dados de componentes associados aos históricos das aeronaves, abrindo brechas ao cometimento de falhas de procedimentos e erros de conceito que podem perigar a operação de uma cadeia de sistemas essenciais a aeronavegabilidade dos aviões.

GESTÃO DE STOCK: Excedentes desnecessários preocupam técnicos  

Alguns actos de má gestão de stocks foram praticados e identificados já na gestão da Emirates que continuam a ser prática aos tempos de hoje, compras mal programadas resultando em excedentes desnecessários de materiais, equipamentos, unidades, rotáveis etc, não tendo em conta as validades, tempo de vida útil dos mesmos, correndo o risco de passarem ao estado obsoleto, demonstração de fraco conhecimento na matéria de Gestão de stocks por acção consciente e interesses inconfessos sob orientação do administrador do pelouro.

ESTACIONAMENTO DA AERONAVE B737-700 D2-TBJ EM ISRAEL

Esta aeronave encontra-se parqueada em Israel há quase 2 anos, por força de um acordo com uma entidade prestadora de serviços de manutenção especializada contudo, não certificada pelo INAVIC/ANAC.

Uma grave violação aos ditames que regulam a aviação nacional, que orienta as operadoras angolanas a realizarem as suas prestações de serviços de manutenção somente com entidades certificadas, porque razão a TAAG enviou a aeronave em questão sem cumprir o orientado pela autoridade? Será que o administrador do pelouro desconhecia o requisito? Para evitar constrangimentos e penalizações a TAAG, o INAVIC por questões de salvaguarda da imagem da TAAG junto a autoridade aeronáutica de Israel, teve que emitir a título excepcional uma autorização pontual, anuindo a entidade Israelita de Manutenção realizar os trabalhos ao abrigo do pacote de tarefas acordadas com a TAAG.

Depois de algum tempo, dizem, começaram a ocorrer uma cadência de constrangimentos na execução dos trabalhos, sendo o de falta de pagamento para os serviços para o qual a TAAG tivera assinado o contrato, um dos mais gritantes.

O que terá faltado no acto de programação do check desta aeronave?

Que critérios foram usados para a escolha daquela entidade para prestação do serviço?

Tudo isso associado a práticas de má gestão da companhia e falta de comprometimento com o orientado pela autoridade, criando impactos negativos de fórum financeiro, lesivo a companhia e ao país. A TAAG nunca se dignou dar uma informação ao INAVIC/ANAC do estado desta aeronave, perdida em terra Santa, que factura o estado pagará para o resgate desta aeronave?

ESTACIONAMENTO DA AERONAVE B777-200 D2-TEF

Esta aeronave está em rota de constrangimento, posicionada em Addis Abeba- Etiópia, cumpriu seu programa de manutenção contudo, ainda não foi cumprido o seu pagamento, estando em processo de negociação. Em vista a este constrangimento, a TAAG arrisca entrar numa outra empreitada junto ao seu prestador de serviços de manutenção, com a mesma aeronave, para futura conversão em avião cargueiro, iniciativa aplaudida pelos trabalhadores da companhia pois certamente vai gerar receitas com benefícios para a TAAG e para o estado todavia, pecamos sempre no projecto, não fizemos o trabalho de casa, o plano de necessidades técnico-operacionais e financeira não foram devidamente acautelados, as incongruências vêm sempre a superfície em nome da má gestão, é lamentável e vergonhoso para o país este tipo de situações que só demonstram que ainda brincamos de fazer aviação.

REFORMA COMPULSIVA

Segundo os trabalhadores, depois da última intervenção, que determinou a proposta de alteração do conselho de Administração, com a inclusão na sua maioria de quadros expatriados, sendo que no entendimento geral dos trabalhadores, alguns dos nomeados, pessoas tecnicamente de idoneidade e competência e credibilidade duvidosa, no mínimo, caberia a tutela do Ministério dos Transportes, uma justificação e uma atempada responsabilização da anterior administração, porquanto o quadro de alarme que justifique tal medida, sem garantias de resultados práticos só poderá ter consenso e um clima de tranquilidade se os responsáveis pela gestão danosa, sejam passíveis do devido processo de averiguação e amplo inquérito, tal como recomendam os mecanismos de impunidade e boa governação.

Pelo contrário, dizem ao trabalhadores, o Ministro dos Transportes, apressou-se a apresentar esta solução sem qualquer partilha com a concertação social dentro da Empresa, e, pior, não apresentou nenhum cenário de melhoria efectiva nem o cronograma e o horizonte destas medidas, assim como, em nada adiantou sobre os custos de tal missão de resgate, quando em muitos casos teríamos profissionais nacionais com estas competências. Mas, concluem, que apenas constitui referência na consideração da tutela, as pessoas na alta estima pessoal e privada.

Também na sequência desta medida de remodelação, os trabalhadores, acabaram por tomar conhecimento que a escolha recaiu sobre expatriados, que afinal antes já ofereciam serviços de consultoria ao gabinete do ministro Abreu. Ao que se sabe, a TAAG já tem longos anos no mercado e de experiência na aviação comercial, pelo que o que certamente se dispensa serão sempre e sem discussão digna de interesse, o gasto avultado para elaborados planos em POWERPOINT “diagnósticos”, na procura por informação de que já possui em seus arquivos, em larga e diversificada fonte e origem, e se proponha a pagar, como que necessitasse de um milagre.

Neste momento, a actual Administração, apesar do breve tempo em funções, numa leitura acelerada para confundir os resultados da danosa gestão anterior, que nos últimos 2 anos (dois), agravou as limitações impostas pela pandemia, no que poderia ter concebido como medidas dentro de uma gestão técnica e comercial.

O sentimento imediato é de frustração e descontentamento, pois sem prévio aviso, 50 técnicos seniores de manutenção e engenharia, para além de outras áreas de serviço na TAAG, incluindo Directores, Subdirectores, Chefes de Divisão, de Equipas e de Secção, neste quadro e sem aviso prévio, os referidos Técnicos seniores foram surpreendidos com a entrega compulsiva das cartas de passagem a reforma.

A passagem a reforma compulsiva dos colaboradores seniores é interpretada como gesto para justificar a contratação em massa de técnicos e quadros no exterior do país, prática demonstrada pela Administração da Emirates ao serviço da TAAG de 2015 a 2017.

Mais do que qualquer avaliação ou rejeição de cunho e manifestação de xenofobia, o que realmente acontece é que existe capacidade e mérito interno, na TAAG, por parte dos técnicos, a questão do insucesso já amplamente denunciado, assentava na liderança, nas escolhas sem critério da administração anterior, como aliás já se havia verificado, sem competência nem maturidade e com base no código de amizade.

Diante das circunstâncias, e mediante o período de crise actual, não se justifica a contratação de estrangeiros, que de certo modo poderá onerar cada vez mais as despesas da empresa em vista dos salários altos que serão usufruídos por esta classe de contratados.

A Contratação de estrangeiros é uma repetição e receita anterior que ocorreu com o sucedido com a Emirates e gerou o apetite dos novos administradores que passaram todos os serviços para empresas onde detinham interesses, pois manda a norma, que se revisite com propriedade a história da Emirates que não foi saudável para a TAAG nem para os cofres do estado e da imagem de Angola.

A contratação da Luísa Mota, anteriormente expulsa de Angola, representa uma péssima imagem para a os órgãos de justiça do país. Recondução do ex PCE, Rui Carreira é reflexo de nepotismo, compadrio, tráfego de influências e mau exemplo para a política de responsabilização. Assim sendo, os trabalhadores, rogam sua Excelência Sr. PRESIDENTE na qualidade de Titular do poder executivo, sendo o Estado ainda o accionista maioritário, tomar medidas para reverter o quadro na TAAG e no Ministério dos Transportes em resposta ao corrompido e viciado processo na maior empresa de aviação em Angola, revestido de mentiras maldosas.

 

TAAG TEM TUDO PARA DAR CERTO

De acordo com os funcionários da TAAG, com os recursos que possui (pessoal qualificado, infra-estruturas, aviões, etc) e com o apoio que tem beneficiado do governo, a TAAG tem tudo para dar certo, sem precisar de recurso a privatização bem como ao recrutamento de gestores estrangeiros, experiência já vivida com a gestão da Emirates que demonstrou ser digno de ser evitado. A TAAG e o país possuem recursos humanos capazes, dotados de requisitos e competências para geri-la, faltam as oportunidades, muitas vezes ofuscadas por interesses inconfessos. Precisamos apenas de uma boa orientação política, submissão de um competente caderno de encargos e sujeitos a uma política e promoção de cultura de prestação de contas e de responsabilização pessoal e colectiva.

A tentativa de destruição da TAAG e de muitas empresas do ramo, a fim de potenciar as privadas remonta de décadas, alguns gestores a quem o governo tem confiado a missão de gerir bens do Estado, fazem parte das forças ligadas aos adversários do partido no poder e no exercício das suas actividades, fazem tudo para desacreditar o governo e seu líder. Alguns deles, tarde ou cedo hão-de integrar-se às equipas de gestores de empresas privadas.

 

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