Comerciantes acusam comandante da Esquadra dos Rastas de extorsão
Comerciantes eritreus e Guineenses que fazem o comércio ao longo da Avenida Pedro de Castro Van-Dúnem Loy, arredores da zona do Golfo “lixeira” município do Kilamba Kiaxi, estão agastado com o comandante da polícia da referida área, Intendente Isaías Salvador Bernardo a quem acusam de ter encerrado 13 armazéns por cinco dias, sem justa causa, supostamente para tirar dividendos dos proprietários.
Por: Matias Miguel
Aueta Abram, comerciante eritreu de 42 anos, procurou o NA MIRA DO CRIME visivelmente agastado, e apontou o dedo acusador ao comandante Isaías Salvador, por ter, diz, encerrado seu armazém durante cinco dias, sem nenhuma justificação.
“Estou em Angola há 7 anos, estou legal. Dedico-me a actividade de comércio, e sei quais são os mecanismos para se trabalhar legalmente em Angola”, observou.
“Estou agastado com o comportamento do Comandante Isaías Salvador, que na quinta-feira 02, do mês em curso, fechou o meu armazém, sem no entanto dar alguma explicação. Quando perguntei porque daquele atitude, disse apenas que faltou álcool gel. Mas eu tinha um balde de água com sabão na porta, ele simplesmente colocou um selo na porta e mandou-me ir pagar 400 mil kwanzas…”, lamentou, calculando que os prejuízos dos cinco dias encerrados rondam cerca de um milhão e quinhentos mil kwanzas.

“No entanto, na terça-feira 7, às 12h00, o mesmo Comandante regressou para abrir os armazéns mesmo sem termos pago um tostão, isso é brincadeira de mau gosto, tenho todos os impostos pagos, isso não pode se repetir, estamos a brincar com coisas sérias”, alertou.
Outro comerciante que não quis ser identificado por temer represálias, explicou que Isaías Salvador encerrou as lojas na quinta-feira, 02, de manhã, por alegadamente não ter álcool gel para os clientes, “mas eu tinha e mostrei-lhe, depois disse que faltava o aparelho de medição de temperatura. Então decidiu fechar as lojas, passados cinco dias, regressou com mais dois colegas seus fardados e reabriram as lojas. Pergunto: Quem vai pagar os prejuízos causados por esta vaidade do Comandante Isaías?”, questionaram.
Segundo os queixosos, o oficial da polícia, no dia do encerramento dos armazéns, deixou-os com uma notificação para irem à Polícia e um selo onde diz que devem pagar quatrocentos mil Kwanzas na Caixa Geral do Tesouro (CUT).

“Até onde sei não é da responsabilidade da Polícia vir encerrar estabelecimentos com pretexto de ilegalidade, mas sim o Ministério do Comércio”, e para ressalvar, explicou, “na mesma semana que o Comandante fechou às lojas, os mesmos estabelecimentos foram inspeccionados pela ANIESA, e não observou nenhuma anomalia”.
Comandante acusado de retirar caixas de refrigerantes e água aos armazéns sem pagar
“Tudo começou na loja do Amado, onde normalmente o comandante tem retirado caixa de refrigerante e pão sem pagar, porque o Amado lhe disse para aguardar para falar com o advogado, ficaram cão e gato e agora todo mundo paga por isso. O Comandante Isaías é useiro nestas práticas, das muitas vezes que ele veio aqui, chega e tira caixa de refrigerante, água sem pagar, esta foi uma prática de nos criar a ideia que temos que lhe agradar, desembolsar valores sempre que cá vir, eu não paguei nada, então por que ele abriu o armazém?”.
Quem tem que fechar é o comércio integrado
A reportagem do Na Mira contactou um especialista do Ministério do Comércio que não quis ser identificado, e esclareceu que, na verdade, quem tem competência para encerrar os armazéns é a área do Comércio Integrado. “A Polícia não tem competência para isso”.
Houve desrespeito das medidas de biossegurança, diz comandante
Contactado por telefone, o Na Mira ouviu o Comandante da Esquadra “dos Rasta” no Golfe 2, Isaías Salvador, que começou por dizer foram feitas visitas de fiscalização para apurar às medias de biossegurança, e notou-se que não se estava a cumprir.
“Logo aplicamos a multa de acordo ao Decreto Presidencial. Deixamos às multas para se deslocarem a AGT para efectuarem os pagamentos. Cumprimos apenas o Decreto 241, que no artigo 23, diz as autoridades podem faze-lo quando encontrarem uma infracção”, sentenciou.











