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Moradores da Ilha Seca no Zango denunciam ‘esquemas’ no processo de realojamento no Maye-Maye

Moradores da Ilha Seca no Zango denunciam ‘esquemas’ no processo de realojamento no Maye-Maye


Uma delegação encabeçada por Cristino Ndeitunga, Vice-Governador para os Serviços Técnicos e Infra-estruturas, em coordenação com a Administração municipal de Viana, têm vindo a efectuar visitas de constatação às zonas afectadas pelas chuvas e, concomitantemente, buscam soluções para o realojamento das famílias da Ilha Seca, em Viana.

Por: Matias Miguel

Os populares ouvidos pela nossa reportagem mostraram-se descontentes com o critério das transferências implementadas pela equipa do Governo Provincial de Luanda, Administração de Viana e coordenadores dos blocos ou dos quarteirões A, B e C.

Simão Fernando Caxyaya, de 48 anos de idade, residente nas chapas há 13 anos, disse que quando foram desalojados da Ilha de Luanda, rua Mortala Mohamed, foi um dos primeiros beneficiados com uma tenda.

"Hoje, vieram aqui, pela quarta vez, equipas para realojar estas famílias, mas, para meu espanto, o meu nome não consta das listas", lamentou, desconfiando que exista um "cambalacho tremendo", porque alguns dizem que as listas vieram do GPL e os outros dizem que os coordenadores é que as elaboram.

O cidadão, diz não ter dúvidas que se esteja a beneficiar os amigos e famílias, porque, em seu entender, o realojamento tinha que ser feito por blocos ou quarteirões "como estamos organizados".

“Só para terem uma ideia”, acrescentou, “os casebres estão a ser retirados aleatoriamente, se optassem por blocos, os esquemas não teriam lugar”.

Para Marcelino António Pedro, de 43 anos, o processo já vem viciado, porque as listas estão desencontradas. “Os nomes que estão a chamar não são de famílias residentes. Os donos destes carrões top de gama e aquelas senhoras cheias de ouro não vivem cá, mas é que estão a ser chamados", denunciou.

Outro problema apontado é que as casas não oferecem "condições nenhumas" e são muito apertadas para quem viu a ser destruídas residências com anexos.

"Outras casas ainda não têm tecto, portas e janelas", enfatizou. Sugere, por isso, que o realojamento deveria ser por quarteirões e acompanhados pelo Ministério da Acção Social, que foi "o órgão que nos desalojou e, por isso, detentor das listas verdadeiras de todas famílias desalojadas".

"Aqui há muita jogada, que está apenas a favorecer os coordenadores", acusou, sustentando que, apercebeu-se que, porque o dinheiro está a falar mais alto, um jovem conseguiu duas moradias, mesmo não vivendo nos blocos que deviam ser contemplados.

Administração de Viana atira a bola ao GPL

Paula Contreiras Dias, administradora em exercício do município de Viana, indagada pela reportagem do NA MIRA DO CRIME sobre o realojamento dos populares que habitam a Ilha Seca, há mais de 13 anos, não quis entrar em pormenores, tendo dito que a actividade é da responsabilidade do Governo Provincial e que o município apenas acompanha.

"Estamos no meio de um processo de realojamento dos populares retirados das tendas para as casas sociais no Distrito do Sequele, propriamente nas imediações do Maye-Maye", informou, assegurando que tão logo termine o processo, a administração estará em condições de responder à imprensa.

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