Angolanos trabalhando ‘sob cativeiro’ de chineses lançam grito de socorro às autoridades
"Pedimos ajuda ao SIC-Geral, a PGR e ao Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço…ajudem-nos, também somos angolanos, merecemos ser tratados com dignidade", este foi o primeiro contacto telefónico que o NA MIRA DO CRIME teve com os jovens funcionários de uma empresa chinesa vocacionada a reparação de nome China Hyway Group Limited, vocacionada a reparação de carris da linha férrea, construção civil e a produção de sumo.
Por: Matias Miguel
Situada no município de Cacuaco, entrada da centralidade do Sequele, cerca de cinquenta jovens angolanos, principalmente provenientes do centro e sul do país, trabalham naquele local há mais de dois anos, e alguns só conseguiram sair daquele espaço durante este tempo, apenas dois finais de semana.
Ao entrarmos na principal via da centralidade do Sequele, observamos um edifício cinza de 7 andares.
O local parece um complexo residencial de alta segurança, já que é protegido primeiro por militares, que fazem o primeiro cordão e a segunda barreira é estabelecida por seguranças de uma empresa privada, entre nacionais e chineses.
No entanto, segundo jovens trabalhadores angolanos, no interior deste quintalão acontece tudo e mais alguma coisa.
Desde a escravidão moderna, onde são maltratados 48 rapazes e 2 raparigas angolanas.
“É muita humilhação, falta de respeito, até chegam a nos esbofetear pelos patrões chineses, que são praticamente os donos da terra, nós aqui somos estrangeiros”, denunciaram.
Rafael João (nome fictício) explicou a nossa equipa de reportagem que trabalha na empresa há dois anos, e foi apenas dispensados duas vezes para visitar a família.
“Tenho mulher e filhos, gostaria de ter uma vida normal como os outros trabalhadores. Aqui ninguém vela pelos nossos direitos, ninguém faz nada, não somos nada”, lamentou.
Um outro entrevistado, contou que a alimentação aí é péssima, não passa de arroz branco com peixe frito ou feijão, “digamos, comemos comida para cães, dormimos num contentor muito quente, onde passa por nós um tubo a jorrar água de esgoto… é uma lástima”, deplorou.
O salário mínimo é 32 mil kwanzas para os angolanos, e pode atingir o máximo de 40 mil Kwanzas.
As idades vão dos 26 a 37 anos de idade, quando alguém contrai uma doença, contam, é mandado para casa para recuperar no máximo uma semana, caso exceda, é despedido.
Sebastião Cláudio, outro entrevistado, também trabalha e vive há dois anos nas instalações da empresa chinesa, fez saber que quase todos aí foram apenas dispensados duas vezes para visitar os familiares.
“De princípio acordou-se que ficaríamos aqui apenas cinco dias úteis da semana e dois em casa, mas de repente mudaram, sem alguma explicação impuseram esta forma de trabalho. Honestamente falando, estamos aqui por obrigação, tenho necessidade de trabalhar e porque tenho família, as nossas mulheres são proibidas de chegar até aqui no portão, quando temos necessidades de fazer entrega dos salários, fazemo-lo pelas grades”.

Um outro funcionário por sinal dos mais antigos, disse que está naquela empresa há mais de cinco anos.
“Estamos aqui aquartelados, tive quatro dispensas, temos um salário não digno, por aquilo que fizemos, só peço ao Governo que nos ajudem, dormimos por cima de água parada, cheios de mosquitos, por reivindicar um dia sofri uma bofetada do meu chefe chamado Lo-Om”, queixou-se.
Mulher aguarda pelo marido desde 2019
Durante a nossa estadia naquele local, flagramos Inês Guilherme, de 27 anos de idade, jovem que foi para aí em busca do salário do marido.

Questionada sobre a ausência do marido, avançou que não o vê em casa desde 2019 “eu é que tenho que vir aqui, mas também não consigo só lhe dar um beijo ou ele fazer carinho na bebe”.
Empresa nega acusações e proíbe trabalhadores de falarem ao NA MIRA
A nossa equipa contactou a direcção da empresa, e fomos recebidos por uma cidadã chinesa, que disse ser directora comercial.
Esta por sua vez, começou por desmentir as denúncias, e pediu que entrássemos no referido espaço, e apresentou algumas pessoas que poderiam falar.
No entanto, os trabalhadores, vendo a nossa presença, não sentiram-se intimidados e reclamavam aos quatro cantos os maus tratos aí sofridos








