Álvaro Sobrinho interrogado por desvio de 500 milhões do BES Angola
Portugal trouxe à ribalta o caso BES Angola, desta vez, cortando o mal pela raiz. Não faltaram avisos ao Estado angolano sobre as fórmulas para se proceder à uma investigação séria e isenta, começando pela criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), entretanto, negada com todas as energias pelo Executivo.
Por: Lito Dias
Tão logo despoletou o caso BES, envolvendo figuras proeminentes do Executivo angolano, houve uma sensação de exagero pela forma como o assunto estava a ser tratado, mas debalde.
Portugal já tinha dado aviso que o caso é sério e houve uma teia que tinha que ser desfeita. Mesmo depois de Portugal ter já iniciado o julgamento dos implicados no mencionado caso, Álvaro Sobrinho, mesmo com todas responsabilidades que pesavam sobre si, no que a falência do Banco Espírito Santo diz respeito, foi levado ao colo, ao ponto de merecer um espaço de entrevista numas das televisões mais credenciadas em Angola.
É caso para dizer que entrou na entrevista como besta e saiu como bestial. Até parecia tudo ultrapassado, mas Portugal reconsiderou a sua posição e reactivou o caso.
Esta semana, Álvaro Sobrinho foi chamado ao Departamento Central da Acção Penal.
Em causa estão as suspeitas de ter desviado 500 mil Euros do Banco Espírito Santo -Angola, enquanto presidente do referido banco.
Para além disso, está também em causa o negócio de branqueamento de capitais, a partir do momento em que, em 2010, comprou seis apartamentos a pronto pagamento ao mesmo tempo, no empreendimento Estoril-Sol em Cascais, Portugal.
A Procuradoria Geral da República de Angola, embora tarde, deu conta das suspeitas de que Álvaro tinha burlado e lesado o Estado angolano em 100 milhões de Euros em alegados negócios com empresas, na construção de habitações sociais que acabou por não se concretizar.
O Estado angolano teve conhecimento de que as empresas foram usadas como testa de ferro de Sobrinho para depois esse dinheiro ficar na esfera do ex-bancário.
Também esse dinheiro terá passado por offshores nas contas da Suíça.
É um processo que decorre há 11 anos que esta quinta-feira foi presente ao Juiz Carlos Alexandre.
Previa-se um interrogatório longo, com o termo de identidade e residência a ser agravado.
No final da audiência com o juiz Carlos Alexandre, ficou-se a saber que Álvaro Sobrinho fica impedido de sair de Portugal até pagar a caução de 06 milhões de Euros.
Mas o advogado Artur Marques disse que vai recorrer das medidas de coação decretadas pelo juiz.
E o dinheiro do BES Angola?
Documentos bancários guardados na Suíça indicam que mais de 260 milhões de euros com origem em duas contas do BESA terão saído directamente para 15 sociedades registadas no Luxemburgo e em paraísos fiscais como o Panamá, as Ilhas Seicheles e as Ilhas Virgens Britânicas.
O que têm essas sociedades em comum é que o verdadeiro beneficiário destas empresas é Álvaro Sobrinho, ex-presidente do BESA.
Fala-se da criação de empresas meramente instrumentais, depósitos fictícios e transferências bancárias para offshores como as Ilhas Virgens Britânicas e as Seicheles.
Certa imprensa revela uma grande parte desse circuito financeiro, tendo por base extractos bancários, contratos de abertura de conta e registos de constituição de empresas.
Essas informações estão a ser analisadas no processo judicial em que Sobrinho é suspeito de burla, falsificação e branqueamento de capitais por alegadamente ter desviado dinheiro do BESA para o seu património e por ter “lavado” esse dinheiro na compra de barcos, apartamentos e até na aquisição da sua participação accionista na SAD do Sporting.











