Efectivos da UGP estão a comercializar residências da 'reserva do Estado'
Como se estivessem a aproveitar-se da máxima, segundo a qual, o cabrito come onde estiver amarrado, efectivos da Unidade Presidencial, colocados para proteger algumas residências no Zango- 4 estão a ser acusados de vender indiscriminadamente residências num complexo habitacional destinado aos mais necessitados.
Por: Matias Miguel
O corpo de guarnição da Presidência da República afecto ao Departamento Técnico, estacionado há mais de 10 anos no Zango IV, controlando um quarteirão, com cerca de 100 residências do tipo T3, passou a fazer da venda dessas moradias um negócio rentável.
Denúncias chegadas ao NA MIRA DO CRIME dão conta que os militares destacados naquele posto com o objectivo de controlar as residências que estavam a ser vandalizadas, com o passar do tempo, inverteram os papéis, passando de guardas para vendedores.
Com os devidos descontos, cada residência é comercializada ao preço de quatro milhões e quinhentos mil Kwanzas.
Pode-se pagar quatro milhões, caso os documentos sejam forjados, num negócio onde também aparecem altas patentes daquela unidade.
Fazem parte da guarnição cerca de 15 efectivos distribuídos por turnos, um dos quais funciona na Vida Pacífica.
De acordo com os populares, a comercialização das residências remonta no segundo ano depois de terem sido colocados no terreno.
Nelson Marques, militar do anterior grupo é quem liderava as vendas, e chegou a vender cerca de 4 casas.
Com o dinheiro ostentava alguma luxúria pagando bebida aos jovens do bairro, tendo sido repreendido pelos seus superiores.
Segundo testemunhas, as vendas não terminaram por aí. Das cerca de 100 casas, restam apenas 23 casas, uma delas foi abocanhada há duas semanas.
De quem são estas casas?
O NA MIRA DO CRIME apurou que as referidas moradias pertencem ao Gabinete de Gestão da Requalificação e Desenvolvimento Urbano do Perímetro Costeiro da Cidade de Luanda, do Futungo de Belas e Mussulo.
O projecto era uma reserva do Estado para alojar populares que eventualmente estivessem em áreas do interesse do Estado.
Pelos vistos o projecto encalhou e os oportunistas fazem dele 'a casa da mãe Joana'.
Quem vendia as casas é o grupo cessante
Contactado por telefone, o apenas identificado como 'Chefe da tropa' começou por desmentir as informações que apontam a participação da tropa na venda das residências, mas reconhece estarem envolvidos dois militares "corruptos", já presos por apostarem em tal negócio.
Assume ter em seu controlo apenas 23 residências, tendo afirmado que entregou, nas últimas semanas, uma residência à uma senhora, mais que falta averiguar a veracidade da sua documentação.
Disse ainda, muitas das residências são comercializadas pelos eventuais donos.
"Somos incumbidos apenas de guarnecer, tão logo recebemos orientações superiores para fazer entrega mediante documentos comprovativos fizemo-lo", finalizou.








