Com a direcção suspensa: Técnicos de saúde do Hospital Municipal de Cacuaco fazem ‘vida cara’ aos pacientes
Quase três semanas depois da ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, e a governadora de Luanda, Ana Paula de Carvalho, deslocaram-se ao município de Cacuaco, onde puderam constatar irregularidades no funcionamento do referido hospital, o NA MIRA DO CRIME regressou ao local para saber a quantas anda a ‘relação’ enfermeiros e pacientes naquela unidade sanitária.
Por : Kihunga Bessa e Carla Nayara
Dado certo é que a direcção do Hospital está suspensa, enquanto decorre um ‘inquérito’ para apurar às razões dos pacientes serem obrigados a comprar medicamentos em farmácias externas, quando o hospital dispõe de remédios e materiais gastáveis em sobra nos armazéns, muitos destes em vias de expirarem o prazo de validade ou mesmo já caducados.
Na manhã de ontem, quarta-feira, 13, e de forma aturada, ouvimos pacientes que dizem que a prática continua, principalmente na área da maternidade.
Filipe Gabriel, morador no bairro Pedreira, disse que levou a sua esposa grávida para ter o parto, na terça-feira, 12, e ficou a espera para ser atendido das 19 horas até 3 da madrugada, num período que a bolsa de água da mulher já havia rebentado.
“Mas mesmo assim nenhum dos técnicos se preocupou, porque estão mas interessados nas mulheres que chegam para fazer raspagem, porque estas mulheres são obrigadas a pagar entre 7 a 8 mil kwanzas”, denunciou.
O jovem, disse ainda que só foi atendido depois de ter gritado várias vezes para as senhoras, que mesmo vendo uma outra mulher igual com dores de parto, riam-se como se nada fosse.
De acordo com mulheres que se encontram na zona da maternidade, todas as mulheres grávidas que vão para ter o parto, são obrigadas a comprar o kit completo da assistência, que ronda os cinco mil kwanzas.
No entanto, é no acto de ‘raspagem’ onde a factura sai a dobrar, visto que todas às mulheres que abortam são obrigadas a ‘doar’ dois balões de sangue, que posteriormente são comercializados ao preço de 10 mil kwanzas por cada balão.
“A pessoa que tiver doente em estado grave e a passar mal, e sem ter família para dar sangue, é obrigada a comprar, aí começa o negócio com o pessoal que conserva o sangue”, denunciaram.








