Empresário acusa Governo de recusar-se a pagar dívida avaliada em Triliões de Kwanzas
A Ministra das Finanças, Vera Daves de Sousa, é acusada por Eduardo Oston de Oliveira empresário das Organizações Escondidinhos Lda, de não querer pagar uma dívida contraída pelo Estado angolano antes do conflito armado terminar.
Por: Matias Miguel
Com sede em Menongue, e vocacionada à comercialização de géneros alimentícios e prestação de serviços de transporte público, a empresa em referência terá ajudado o Executivo em várias actividades, durante a fase de guerra, mas até hoje não há nenhuma contrapartida.
Eduado Oston de Oliveira, director geral da empresa, em entrevista ao NA MIRA DO CRIME, disse que a empresa, criada em 1984, no Cuando Cubango pela família Oliveira, prestou serviços ao Estado na reposição da administração do território de 1997 até 2000.


"A administração, na altura, não tinha recursos e nós, prestamo-nos em fornecer tudo quanto foi necessário, e as diversas actas dizem por si; a dívida foi reconfirmada pelos governantes que sucederam o Governador Manuel Dalas; todos os governadores que por aqui passaram certificaram a dívida, desde o Biwango, Pedro Mutindi e Júlio Bessa; o cadastro está no Governo Central em Luanda, onde se pode observar no ofício número 126/50/15/GMF/2019 de 16 de Janeiro", lembrou.
Precisou ainda que noutro ofício número 64/GGPCC/2019, o Governo do Cuando Cubango endereçou a Archer Mangueira, enquanto Ministro das Finanças, para a liquidação da dívida, “temos em modelo do Diário da República, visto de liquidação no Tesouro, sem os efeitos esperados”.
Vera Daves em silêncio sepulcral
De acordo o entrevistado, a Ministra das Finanças, enquanto Secretária do Estado para as Finanças e Tesouro, solicitou a confirmação da dívida ao então Governador Pedro Mutindi que está orçada em KZ 4.489.048.010.000.00 (quatro triliões quatrocentos e oitenta e nove biliões quarenta e oito milhões e dez mil Kwanzas) disse.
Contou que, agora, Vera Daves, nas vestes de Ministra das Finanças, diz que o pagamento da dívida depende da Presidência da República por ascender os seus poderes.
"Já endereçamos pedidos de apoio do pagamento da dívida à presidência de José Eduardo dos Santos e, muito recentemente, do Presidente João Loureço, sem solução".
Negociações frustradas
"Fomos propostos para uma negociação da dívida com Armando Manuel, na altura, como Ministro das Finanças; usaram uma conversão da moeda Kwanza para Dólares e concluíram que seriam USD 17.957.114.00; criaram outros argumentos de falta de obrigações fiscais e diminuíram mais USD 70.439,00. Depois de dar-lhes a observar que não tínhamos dívidas com o Estado, voltaram a votar-se ao silêncio", narra, sublinhando que já escreveram para Assembleia Nacional, PGR, Ministério da Justiça, para o Tribunal Constitucional e até para os grupos parlamentares, todos eles "empurram" o caso ao Ministério das Finanças.
Ao NA MIRA DO CRIME, Mário Oliveira foi mais longe ao afirmar que Está envolvido um grupo de dirigentes: Armando Manuel, Severino de Morais um como Ministro outro Secretário Nacional do Tesouro, vem depois o grupo da Presidência: Neto Cunha (ex-Chefe de Gabinete de JES), Archer Mangueira como Secretário do JES.
"Até as pessoas que confiei e constitui como meus advogados como Rui Ferreira, Marcolino Moco”.
O empresário pede encarecidamente ao Presidente João Manuel Gonçalves Lourenço para o ajudar.
"Os ex-governantes acabaram com a nossa empresa, parte dos seus membros são falecidos, com a esperança de que um dia seriamos reembolsados", suplicou.








