Cidadão que viu sua viatura roubada em 2020, (agora) luta para reaver das mãos de um oficial do SI - Na Mira do Crime
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Cidadão que viu sua viatura roubada em 2020, (agora) luta para reaver das mãos de um oficial do SIC

Cidadão que viu sua viatura roubada em 2020, (agora) luta para reaver das mãos de um oficial do SIC


Um cidadão da Guiné-Conacri, que reside em Angola, nas imediações do Panguila, província do Bengo, identificado como Mamadhu Dialó, de 35 anos de idade, comerciante, acusa um oficial do Serviço de Investigação Criminal (SIC), Mateus da Costa xingui e o Procurador junto do SIC, Carlos Saturnino da Silva de tudo fazerem para se apoderarem da sua viatura.

Por. Matias Miguel (No Bengo)

De acordo com o cidadão que procurou o NA MIRA DO CRIME tudo começou no dia 27 de Setembro de 2020, quando oito marginais fortemente armados com pistolas e AKM, começaram por assaltar duas casas de seus vizinhos.

“Deram com uma arma na cabeça do meu vizinho, porque o objectivo principal deles era assaltar a minha residência, como eles desconheciam, começaram pelo vizinho e este acabou me denunciando”, contou.

Segundo Dialó, os marginais, no dia do assalto levaram consigo dois televisores plasma e seis telefones, dois computadores e setecentos mil kwanzas.

“Quando viram que tinha uma viatura no quintal, exigiram as chaves, colocaram todos os pertences no interior da viatura e levaram consigo, só que no mesmo carro também estava toda a documentação da viatura e os meus pessoais”. Os marginais haviam furtado a viatura de cor preta, marca Hyundai, modelo I10, com a chapa de matrícula LD-45-08-CL.

Viatura encontrada no Cazenga

Dois meses depois do assalto, eis que a viatura foi recuperada no Cazenga, em Luanda, durante uma operação, completamente desfigurada.

Dialó disse que foi contactado pelas autoridades, no dia seguinte apareceu no Comando do Cazenga, procedeu a entrega da chave que tinha em sua posse, para que a viatura fosse levada para o SIC-Bengo, onde o caso daria segmento investigativo.

O baile no SIC-Bengo

Tão logo o processo tramitou para o Bengo, com detidos, o lesado foi contactado para que fizesse a entrega da documentação da viatura, junto das autoridades.

“Fui comunicado e compareci, para meu espanto, exigiam a documentação que provasse que a viatura é minha, apesar deles terem reconhecido, até porque fui eu que abri o processo do desaparecimento da mesma”.

E como azar não vem só… “eu tinha esta viatura há três anos, adquirida de um comprador que me revendeu, por negligência minha, deixei de rubricar no modelo de compra e venda a minha assinatura, porque sabia que tarde ou cedo também ia vender”, disse, assim sendo, visto que já estava sem a documentação, tratou um verbete provisório, procurou a pessoa que havia-lhe vendido a viatura, que passou uma procuração irrevogável.

“Remeti aos serviços de Registos e Notariado, mesmo assim isso não convenceu o Procurador Carlos Saturnino da Silva, que entendeu revogar tudo, e passar a viatura para fiel depositário o Departamento do SIC”, lamentou.

 “É constrangedor e aborrecido ver a tua viatura em mãos alheias, desde Janeiro de 2021 a passar na tua porta, e para agravar mais, o chefe do SIC que anda com a minha viatura, ainda veio até a mim para saber os segredos que a viatura tinha”, deplorou, acrescentando que o oficial ainda deu-se o ‘luxo’ abrir o motor e fazer reparação.

“O que me deixa mais preocupado é que a viatura esta a morrer, esta a acabar, ela não é propriedade do Estado, amanhã quando se cansarem dela e pensarem em devolver, o que mais vou receber, ferro velho?”, questinou, instando as autoridades superiores a verem o seu caso.

“Esta viatura custou dinheiro, trabalhado com suor, às pessoas, e que tratam da justiça, não podem usar mais a ilegalidade para ficar com as coisas dos outros, se a viatura não fosse minha eu não estaria a correr atrás dela, já provei até com documentos da pessoa que me vendeu, mas infelizmente ninguém quer saber”.

Uma equipa do NA MIRA DO CRIME deslocou-se até as instalações do SIC-Bengo para ouvir a parte acusada.

O investigador do processo número 1165/21, apenas identificado como Miguel, disse que Dialó sabe do que tem que fazer para reaver a sua viatura.

“Isto passa por apresentar documentos credíveis, e não fazer o que tem vindo a fazer, como apresentar documentação forjada. Conselhos não lhe faltaram, na ânsia de obter o meio, forjou documentos falsos e veio cá apresentar, mas o Procurador detectou na primeira hora, razão que achou por fazer a entrega ao departamento do Património como fiel depositário”, disse, acrescentando que, é uma situação temporária.

“Tão logo ele consiga provar, lhe será restituída a viatura, que neste momento apoia o departamento na sua totalidade”, sentenciou.

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