Mitrelli lidera lista em Angola: Empresários lucram mais 412 mil kwanzas por segundo com negócios da Covid-19
A pandemia de covid-19 criou, nos dois últimos anos, mais 40 multimilionários na área farmacêutica, sendo que os gigantes do sector estão a lucrar 932 euros por segundo, cerca de 412 mil 083,09 kwanzas por segundo, só na venda de vacinas, cobrando aos governos “24 vezes mais do que custaria se fossem produzidas como genérico”, revela um relatório apresentado pela organização não-governamental Oxfam, em Davos, na Suíça, onde estão reunidos políticos e empresários para o Fórum Económico Mundial.
Por: Osvaldo de Nascimento
A pandemia criou 40 novos bilionários do sector farmacêutico, com corporações como Moderna e Pfizer lucrando com a venda de vacina contra Covid-19, apesar de seu desenvolvimento ter sido apoiado por biliões de dólares em investimentos públicos.
A combinação entre a crise da COVID-19, o crescimento da desigualdade e o aumento dos preços dos alimentos pode fazer com que até 263 milhões de pessoas estejam na extrema pobreza em 2022, revertendo décadas de progresso. Tal número equivale a um milhão de pessoas a cada 33 horas.
Bilionários dos sectores alimentício e de energia viram as suas fortunas aumentarem em um bilião de dólares a cada dois dias.
Os preços dos alimentos e da energia subiram tanto, que atingiram o nível mais alto em décadas.
Além disso, diz o estudo, 62 novos bilionários do sector de alimentos surgiram nos últimos meses.
Inflação
Diante deste aumento de riqueza, 263 milhões de pessoas vão cair na pobreza extrema este ano (um milhão de pessoas a cada 33 horas), segundo previsões, comparando à inflação que está em alta em várias partes do planeta, impulsionada principalmente pelo preços da energia e dos alimentos.
"Estamos a reverter décadas de progresso em matéria de pobreza extrema, com milhões de pessoas que enfrentam custos impossíveis para simplesmente se manterem em vida", disse Gabriela Bucher.
Para fazer frente a este problema, a ONG pede a adopção de medidas fiscais, como a medida de um imposto de solidariedade único sobre a nova riqueza adquirida pelos bilionários durante a pandemia, tendo como objectivo utilizar os recursos obtidos para apoiar os mais pobres e conseguir "uma recuperação justa e sustentável" após a pandemia.
A Oxfam também propõe um imposto temporário sobre os lucros extraordinários obtidos nos últimos anos pelas multinacionais dos sectores alimentício, farmacêutico e do petróleo.
Grupo Mitrelli ficou com milhões em negócio da Covid em Angola
O Grupo Mitrelli, um conglomerado empresarial de origem israelita que se estende por diversos sectores (telecomunicações, agricultura, saúde), foi o principal fornecedor do Estado no combate à Covid-19 durante o último trimestre de 2020.
De acordo com o Expansão, a empresa facturou cerca de 19 milhões dólares, (12,4 mil milhões Kz) em dois contratos.
O grupo entregou ao Estado dois hospitais de campanha, com 200 camas cada, por 10,6 mil milhões Kwanzas.
Aos 62 anos, o israelita Haim Taib, filho de pais imigrantes da Tunísia, através da sua empresa Mitrelli Group, Ltd, tem beneficiado de vários contratos de obras e fornecimento material no consulado do Presidente da República, João Lourenço.
Taib é um empresário que detém vários investimentos em Angola e tem fortes ligações com políticos desde o tempo de José Eduardo dos Santos.
Neste período de pandemia, já forneceu vários serviços ao Ministério da Saúde, incluindo testes de COVID-19 e material de biossegurança.
De acordo com vários órgãos de imprensa nacional, Taib é o empresário com maior influência junto da Comissão Interministerial de combate ao COVID19.
Dos seus negócios destacam-se na saúde, o Luanda Medical Center, Yapama e outros no ramo das telecomunicações, fornecendo ao Estado sistemas de vigilância activa para forças militares e serviços de informações, através de uma outra empresa, a Geodata.
É responsável pelos projectos Aldeia Nova e Aquafish (de pescas) e ainda no sector das água e saneamento, opera através da empresa Owini, parceira do Ministério da Energia e Águas.
Haim Taib, é presidente do grupo Mitrelli criando no princípio da década de 2000, que teve como actividade principal, fornecer equipamentos de segurança aos serviços de inteligência de Angola. Segundo a Confidence News.
C/Francepress/JN/Expansão








