Todos comem na AT: Quem ganha com os serviços que a Africell ‘suga’ a Angola Telecom?
A Angola Telecom partilha as suas infra-estruturas com a Africell Global, empresa libanesa, que há alguns meses tornou-se na quarta operadora a actuar na telefonia móvel em Angola. Neste negócio entre uma empresa privada e outra pública, ninguém esclarece quanto e quem sai a ganhar com este negócio pouco claro.
Por: Carla Nayara
Antes de celebrar o contrato, Adilson dos Santos, Presidente do Conselho de Administração da Angola Telecom, disse ao JA que a abertura da empresa que dirige, no caso Angola Telecom (AT), iria concorrer para que a nova operadora "não tenha necessidade de construir muitos ‘sites’, torres e fibras”.
Angola Telecom que nem consegue ter fibra óptica em todas as capitais de províncias do país, segundo o próprio PCA, entra assim num negócio que sabe de antemão que será apenas ‘usada’. Ou seja, quem sai a ganhar com esta toda negociata é a Africell e o lobista que facilitou o negócio. Foi assim com a Movicel e a UNITEL.
Entre cantos no edifício sede da AT, o descontentamento é geral.
Segundo os trabalhadores, desde 2008 que a empresa está atolada em sérios problemas de fluxo de caixa.
Só para se ter uma ideia, em menos de 4 anos, a empresa já teve três Conselhos de Administração e três Comissões Interinas. E daí, dizem os quadros da empresa, só saiu ‘mixas atrás de mixas’, deixando a ‘pequena’ grande AT a andar nua pelas ruas do país.
“A má-gestão está a destruir a empresa, os activos da empresa são vendidos a preço de cebola, vários espaços da empresa estão a ser cedidos a Africell, de borla, até parece que é intencional, alguém tem a intenção de falir a empresa para ser vendida a baixo preço, como aconteceu com o Banco BCI para o Grupo Carrinho”, alertaram, sublinhando que, AT é a empresa mãe das telecomunicações em Angola, sendo que todas operadoras nasceram dependendo sempre de algum serviço da mesma, sem justificação de pagamento dos serviços prestados.
Africell sai a rir…
A Angola Telecom, dizem os trabalhadores, é um grupo, mas as pessoas conhecem-na como empresa falida, porque o governo é conivente.
“Hoje a Africell também se apodera da Telecom porque, para além de usar os sites da empresa pública, também tem os seus enod-be configurados nos dados da Angola Telecom, fazendo com que a Africell sai à rua gritando ter a melhor internet e voz, quando na verdade é tudo da Angola Telecom”, descobriram.
Empresa que tudo oferece e nada recebe
Actualmente, a Angola Telecom é considerada como a empresa pública que tudo oferece e nada recebe.
“Proporcionamos a custo zero o brilho daqueles que estão vaidosamente no mercado, com a conivência de quem gere a empresa, sob olhar impávido e corrupto da comissão sindical”, lamentaram.
Esquemas
Técnicos de proa da empresa, segredaram ao NA MIRA DO CRIME que há gestão danosa na AT, com desvios de dinheiro, recorrente da facturação relacionada aos circuitos alugados e Links LTE, que não entram na facturação mensal da empresa.
“Pedimos uma auditoria urgente, de uma empresa idónea para se apurar as acusações”, exigiram.
“Existe”, também, “uma grande lista de devedores da empresa, liderada pela Administração Pública, que é seguida pelas empresas Movicel, TV Cabo, Zap, Unitel, Multitel e outras, cujos administradores cessantes e altos funcionários da actual gestão, bem como alguns ministros e ex-ministros fazem o seu banquete, sob olhar impávido das autoridades”, acusaram.
Trabalhadores cruzam os braços
Revoltados, os trabalhadores ameaçam paralisar os trabalhos nos próximos dias, caso o caderno reivindicativo já em mãos da direcção da empresa não seja atendido.
Pontos a serem revistos:
1 - Aumento salarial na ordem dos 50%
2 - Subsídio de Alimentação (valor actual 1mil kwanzas)
3 - Plano de Saúde (Cancelado)
4 - Habitação (Inexistente)
5 - Subsídio de Transporte (Inexistente)
6 - Reforma e Compensação dos Colaboradores
Questões por apurar
O Governo gastou cerca de 1.5 Bilhões de dólares nos últimos anos, para alavancar a empresa com o projecto MSN1 e MSN2.
Com isto, queria o Executivo lançar o LTE, uma tecnologia que traria consigo voz, dados e vídeos, um serviço de internet com qualidade e velocidade, e que estivesse de acordo com os bolsos dos cidadãos. No entanto, o plano não passou por isso mesmo…
Os trabalhadores, alguns há mais de 30 anos de casa, questionam para que servem as percentagens da AT em quase todas as empresas de telecomunicação em Angola.
“Temos 51% Angola Cable, 18% da Movicel, 3% do Banco BCI, 60% na Infrasat que antes era 100 por cento, por exemplo, venderam o BCI e a AT ficou a ver navios”.
A Angola Telecom foi criada pelo decreto Nº 10/92 de 06 de Março como resultado da fusão das anteriores empresas estatais Enatel e Epetel.








