Chefias da Polícia no Cuando Cubango dispensam 57 polícias de forma misteriosa    - Na Mira do Crime
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Chefias da Polícia no Cuando Cubango dispensam 57 polícias de forma misteriosa   

Chefias da Polícia no Cuando Cubango dispensam 57 polícias de forma misteriosa   


Um grupo de cidadãos procurou o NA MIRA DO CRIME para denunciar o que chamam de "incongruência" que se tem verificado no processo de selecção, treinamento e consequente incorporação na Polícia Nacional. Pior mesmo é alguns efectivos concluírem a formação e ficaram em casa, praticamente entregues à sua sorte. Ou seja, fazem tudo que puderem para sobreviver.

Por: Cambimbe Osório

Segundo os denunciantes, em Abril de 2009, mais de 500 elementos ingressaram na PN, em Menongue, província do Cuando Cubango, mais precisamente no centro São José.

Dizem que dentro da corporação já faziam trabalhos normais de polícia, com direito à farda e tudo mais, foram mandados de férias em Dezembro do mesmo ano.

Até aí está tudo bem, mas, às coisas começaram a azedar quando regressaram no dia 15 de Janeiro de 2010, e receberam a informação de que deveriam continuar em casa até segundas ordens.

Na altura, lembram-se, o comandante era o Senhor Tomé Laureano Neto.

Teodoro, um dos abrangidos, disse que sofriam várias ameaças e só não fizeram mais, na altura, porque haviam represálias extremas e temiam perder o tão sacrificado lugar na PN.

"Pensamos que era uma medida séria e que tudo voltaria à normalidade", considerou.

O tempo passou e esses jovens viam o retorno à polícia cada vez mais distante de si.

 "Começamos, então, a bater várias portas até chegar à Luanda, ao ponto do Comando Geral tomar conhecimento do caso e enviar uma comissão para verificação nas terras de 'Mwana Vunongue'.

Informaram que, constatada a situação, foi feito o recadastramento de 57 pessoas e enviados para Luanda para uma nova inspecção médica, tendo regressados ao Cuando Cubango dias depois, com a triste informação: Dos 57 terão reprovado 18.

Na busca da verdade, foram informados por um funcionário da Direcção dos Recursos Humanos, conhecido apenas por Valdir, que os reprovados tinham testado positivo ao HIV, tendo na sequência da informação havido desmaios, principalmente entre efectivos do sexo feminino.

"Muitos de nós tivemos que recorrer a outros hospitais de referência para aferir a veracidade do resultado do teste; e chegamos à conclusão de que os resultados do Comando Geral tinham sido forjados", revelou Maria Roberto.

Ela conta que depois de se aperceberem da negatividade dos testes, foram de novo aos Recursos Humanos do Comando Geral, mas Valdir e o seu chefe imediato, apenas conhecido por Santana já os tinham sido substituídos.

Comandante ameaça atirar efectivos ao rio

Os denunciantes alegam que haviam recebido uma informação positiva por parte do seu responsável, de nome Lerino, que tinha ficado em Luanda para acompanhar o caso.

Este garantiu-lhes que podiam festejar porque, na verdade, tinham reprovado apenas duas pessoas.

"O que não compreendemos é o facto de, agora, nos dizerem que perdemos vagas", estranhou, referindo que, sempre que vão reclamar são tratados como se de animais se tratassem.

"Precisamos de ajuda, passamos a vida toda a nos endividar e muitos de nós têm famílias distantes", reclamaram, deixando bem claro que eles são polícias formados e guardam toda a técnica consigo.

"O Lerino e Elias Ngumbi, que eram nossos representantes em Luanda, agora andam de mãos dadas com esses chefes dos Recursos Humanos, que terão atribuído duas vagas para o ingresso na Polícia, a cada um deles", acusaram, para mais adiante salientarem que toda essa situação é do domínio do actual comandante provincial do Cubango Cubango, José Alberto Tchiama.

"Na última vez que conversamos, ele ameaçou-nos, dizendo que era capaz de atirar para o rio quem fosse reclamar em outros sítios”.

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