Militares licenciados à transição para Polícia Nacional revelam irregularidades no processo
Centenas de militares licenciados para a transição das FAA para a PNA que acorrem dias a fio ao regimento da Polícia Militar (PM), para testes ou inspecção médica, estão frustrados com alegadas falcatruas no processo de enquadramento.
Por: Cambimbe Osório
O NA MIRA DO CRIME, através de uma denúncia, deslocou-se ao referido regimento para constatar in loco a situação e deparou-se com uma enchente de militares com os ânimos acalorados, devido ao curso do referido processo que, segundo dizem, deixa muito a desejar.
Segundo os entrevistados, existem militares que foram licenciados em 2014 e, até ao momento, não têm um enquadramento em nenhuma unidade policial.
"Existem centenas de militares na mesma situação", reforçaram.
Hermenegildo Carlos, por exemplo, foi licenciado em 2019 e, no ano seguinte, fez a inspecção médica pediram-lhe para aguardar, mas de lá para cá nada acontece.
"Cancelaram o meu salário há dois anos, e eu tenho família que, agora, não tenho como sustenta-la", queixou-se sublinhando que ele é especialista em protecção de individualidades protocolares.
"Já trabalhei para grandes entidades militares; participei em missões internacionais, mas sem receber qualquer tostão; apesar de na folha estar escrito que receberia 300 dólares", lembrou, sublinhando que nem na PM como na Direcção de Pessoal e Quadros ninguém consegue-se dar uma resposta plausível.
Na mesma situação está Jonas Salvador, que vindo da província da Huila, diz estar nessa condição desde 2014.
"Todas as quartas e sextas-feiras, estou aqui para ver se consigo fazer o enquadramento e resolver a questão da inspecção médica e passar para a unidade, mas tem sido impossível”.
Outro grupo que falou aos nossos microfones fez saber que num universo de 400 pessoas que foram à inspecção médica, a maior parte reprovou por alegadamente testarem positivo a algumas patologias, que não conseguem dizer qual.
"Estranho é que fizemos os mesmos testes noutros hospitais e deu negativo", denunciam.
Sentem-se frustrados ainda mais com essa situação, já que muitos perderam as suas esposas, por falta de condições para sustenta-las.
Os militares em causa asseveram que estão dotados de técnicas militares; têm fardas e algum material bélico, só não trilham o caminho do mal por causa da disciplina militar e patriotismo. Mas alertam: a paciência tem limites.
Civis infiltrados
"Há civis infiltrados" Segundo os nossos entrevistados, há um grande número de civis infiltrados no processo de inspecção médica e enquadramento na polícia.
"Conseguimos identificar pela idade e a falta de conhecimento militar. Essas miúdas e miúdos que até são priorizados aqui na PM nem sabem questões básicas, como formar e nem conhecem os seus NIPs", afirmaram, acreditando que alguém está a lucrar com isto.
Desesperados, pedem a intervenção do Chefe de Estado Maior neste processo, onde se faz muito negócio, prejudicando aqueles que apenas estão a cumprir a lei.
"A continuar está situação por mais tempo, não será bom para ninguém", alertaram.








