Maka na DIIP: Efectivos da Direcção de Investigação de Ilícitos Penais acusam Comisário Piedade de nepotismo
O chefe da Direcção de Investigação de Ilícitos Penais (DIIP) da Polícia Nacional, Comissário José Carlos Cunha da Piedade, está a ser acusado de ter transformado o órgão que dirige em “sua propriedade”
Por: NA MIRA DO CRIME
A Direcção de Investigação de Ilícitos Penais, segundo fontes internas, tornou-se um órgão onde impera o tráfico de influência, impunidade, nepotismo e corrupção.
O Comissário José Carlos Cunha da Piedade, director da DIIP, é acusado por efectivos descontentes de, a todos títulos, priorizar e dar vantagens apenas a elementos ligados a si, entre familiares, amigos e de círculos em que possa obter benefícios pessoais, registando-se inúmeras irregularidades na forma como diversos elementos, que chegam à DIIP por “portas e travessas”, geralmente inaptos e sem qualificação adequada, são rapidamente promovidos a graus superiores e nomeados para cargos de responsabilidade, em detrimento de quadros antigos e competentes da Polícia que, a cada ano, vão ficando para trás, preteridos a favor de elementos dos círculos chegados do comandante.
As fontes apontam o caso de um suposto sobrinho do director, subinspector Manilson, que, acusam, mesmo sem qualificação foi promovido de agente a oficial e nomeado para a área de Pessoal e Quadros; na mesma esteira está a subinspector(a) Fernanda, afecta ao departamento de Operações que, no ano passado, era agente e foi promovida ao grau de subinspector, mesmo não possuindo formação superior.
Daí por diante, contam, os casos são imensos, destacando-se o subinspector Eulávio, afecto ao departamento de Crimes Comuns e Diversos, por sinal “homem de campo” do chefe do Departamento de Inspecção que também transitou de agente a oficial; a inspector(a)-chefe Ludmila, afecta ao mesmo departamento, que é sobrinha da secretária do director; a intendente Fernanda, que veio com ela do CGPN e “desalojaram” do cargo de chefe de secção o inspector-chefe Ribas (irmão do Comandante provincial do Huambo); a subinspector(a) Suzana Cassoma, afecta ao departamento de Polícia Técnica Científica, que dizem ser afilhada do director, anteriormente 3ª subchefe que, no ano passado, abandonou o braçal de serviço e foi supostamente agredir um oficial das Forças Armadas na esquadra do Km9 do Grafanil, mas por intermédio do director, foi ilibada e promovida ao grau de oficial.
Os efectivos da DIIP referem que não conseguem trabalhar com dignidade e com o sentido do dever porque o poder está concentrado numa só pessoa que não ouve os seus membros.
Apenas pactua com os chefes de três departamentos que são ‘manipulados’ por ele, uma vez que os demais, quadros competentes, não fazem parte da sua “entourage”.
Para as fontes referidas, o lema “Transparência, Proximidade e Legalidade” não passa de fachada no seio da DIIP.
O despacho do Comandante-geral da Polícia Nacional que recomenda a elevação de postos em correspondência com a função desempenhada, contam os descontentes, não tem sido respeitada pelo director, o Comissário José Carlos Cunha da Piedade, e seus apaniguados, que continuam a priorizar o nepotismo, o amiguismo e tráfico de influência, enquadrando sistematicamente no órgão os seus familiares e amigos sob pretexto de serem bons funcionários, facto que mancha não só a imagem da DIIP, mas a de toda corporação.
Ainda em relação à falta de transparência quanto aos patenteamentos, acrescentam as fontes, no ano de 2020 ocorreu o patenteamento de efectivos descritos como licenciados, mas que, na realidade, os que foram contemplados nunca possuiram tal grau, incluindo alguns com apenas 3 e 4 anos de serviço, seus parentes.
Por exemplo, apontam o chefe do departamento de Crimes contra o Património, seu pupilo, que em 2020, quando do primeiro patenteamento, galgou dois graus, isto é, de subinspector a inspector-chefe.
Enquanto isso, muitos quadros competentes, com os requisitos e tempo de serviço adequados, não foram simplesmente comtemplados, alegadamente por não fazerem parte do círculo próximo do director.
O chefe de departamento de Inspecção, superintendente-chefe António Raimundo Traça, que cumulativamente é o que faz as propostas do efectivo, fez dos elementos da sua área, incluindo algum pessoal civil, oficias.
São os casos das subinspectore(a)s Marcela Catende e Verônica, esta última, que é supostamente namorada de um dos segundos Comandante-geral da Polícia Naciona, bem como do Sacafeno, que era do quadro 2 e, ainda assim, foi ao mesmo grau.
O referido chefe de departamento de Inspecção é apontado pelas fontes como um indivíduo “sem escrúpulos”, pois, acusam, foi antigo chefe de Pessoal e Quadros dos Recursos Humanos do Comando Geral da Polícia Nacional, entretanto afastado por corrupção.
Actualmente, colocado na DIIP, continua com as suas “engenharias”, tendo, com anuência do director Piedade, atribuido a patente de subinspector a uma efectiva.
A mesma, contam, a oficial Luzito, colocada no departamento de Administração e Finanças, não possui qualquer requisito nem tempo de serviço para chegar ao posto a que ascendeu.
Igualmente, dois irmãos seus, neste caso, “cunhados” do superintendente-chefe António Raimundo Traça, mesmo não tendo requisitos para o efeito ascenderam aos postos de oficial e subchefe.
Contam os queixosos que, o director da DIIP, Comissário José Carlos Cunha da Piedade, é “assessorado” nestas irregularidades e em muitas outras, pelo chefe do departamento de Inspecção, superintendente -chefe António Raimundo Traça, o chefe do departamento de Crimes contra o Patrimônio, inspector-chefe Ilidio Josias Rodrigues (o protegido), assim como pelo chefe do departamento de Informações Policiais, superintendente-Chefe Ildo Germano António.
Estes oficiais, em conjunto com o director, “deixam cair” todos quantos tentem contrariar o seu “modus operandis” e “arquitectam” formas de destruir a credibilidade dos mesmos, como foi o caso da directora adjunta Luísa Hermes Débora e os demais chefes de outros departamentos.
Os efectivos da DIIP que procuraram o NA MIRA DO CRIME, dizem estar verdadeiramente agastados com a gestão do Comissário José Carlos Cunha da Piedade, que dizem apenas elevar os seus familiares, parentes e filhos dos seus compadres e amigos.
A citada directora adjunta, neste momento, encontrava-se numa formação na Escola Superior da Guarda.
Ao que se alega, já não voltará à DIIP em virtude do clima impróprio instalado pelo director que durante este tempo todo a tem ofuscado, limitando-a a assinar guias de férias e mais nada.
De acordo com as fontes, “a directora é simplesmente uma figura de estilo, cuja incumbência é assinar guias de férias”.
Ao inspector-chefe Daniel, outrora subinspector, chefe de gabinete do director, foi-lhe dada a competência de fiscalizar o pessoal e os gabinetes na ausência do chefe.
Ao superintendente-chefe Raimundo Traça, foi-lhe dada a competência para o substituir e despachar quando o director se encontra de férias ou fora do país em serviço.
Uma vez que este não sabe nada de investigação criminal, já que a sua área não é de investigação e muito menos de apoio à investigação criminal, esta situação já criou um conflito com o chefe do departamento de Crimes contra as Pessoas, superintendente-chefe Augusto Martins, proveniente do Serviço de Investigação Criminal (SIC).
Por todas estas referências, muito mais há por revelar, aludem as fontes, remetendo documentos de promoção a este jornal.
A finalizar, alertam que está previsto um programa de patenteamento e, a este propósito, está a veificar-se a entrada de muitos familiares do director e seu grupo, com vista a retirar os verdadeiros quadros de suas funções e usurpar-lhes as patentes correspondentes.
Por exemplo, na passada quarta-feira, verificou-se um desânimo total da maioria dos efectivos que subiram apenas um grau, de agente a agente de 2ª classe, apesar de muitos possuirem o grau de licenciatura.
Segundo orientação superior, face à especialidade e a função que ocupam, deveriam ostentar os graus correspondentes.
Comissário nega acusações e ameaça Jornal com processos crimes e investigações
Para saber mais do caso, o NA MIRA DO CRIME procurou a direcção de informação da DIIP, que remeteu-nos ao responsável máximo da instituição, Comissário José Carlos Cunha da Piedade.
Numa primeira abordagem, explicamos os motivos da nossa presença na DIIP, e o oficial saudou a inciativa
Depois de ouvir às razões da nossa estadia naquele edifício, o Comissário começou por admitir a existência na instituição três de seus familiares, negando que seja ele quem os conduziu até à DIIP.
De seguida, negou que haja um mal-estar com a sua adjunta, reforçando que, foi ele mesmo, que propôs a sua nomeação para aquele lugar.
Quanto ao patenteamento, Piedade disse tratar-se de um não problema, uma vez que, a instituição foi cridada há dois anos e neste tempo, vários polícias que não haviam sido patenteados e/ou promovidos durante longos anos, foram graduados na sua vigência.
No decorrer da conversa, que não foi gravada, o oficial ameaçou o NA MIRA DO CRIME com processos-crime, uma vez que estavamos a ‘tocar’ num órgão de Investigação da Polícia.
Nesta linha de pensamento, este jornal, pautando sempre pelo rigor e isenção, promete mais dados sobre a instituição envolvendo altas figuras nos próximos dias.








