Libaneses lideram tráfico de droga ‘pesada’ em Angola: Cocaína apreendida em Luanda está avaliada em 2 biliões 296 milhões de kwanzas
O Serviço de Investigação Criminal (SIC), apresentou na manhã de quinta-feira, 11, na sua sede, em Cacuaco, 164 kilogramas de Cocaína, apreendida numa operação que começou no Porto de Luanda e culminou no município de Viana, numa das empresas de importação de congelados, liderada por cidadãos libaneses e palestinianos.
Por: NA MIRA DO CRIME
O NA MIRA DO CRIME saiu às ruas de Luanda para compreender como a operação do SIC foi feita e como os traficantes têm-se movimentado nos últimos meses, para fazer entrar e sair drogas ´pesadas’ do país.
Em conversa mantida com alguns traficantes de ‘peso’ a resposta foi que, nos últimos meses há carência de cocaína nas ruas, por conta do aperto que tem sido feito na principal porta de entrada do país… O AERPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO.
A movimentação constante de operativos e inclusão de outros segmentos na revista e busca das bagagens tem condicionado o trabalho dos traficantes.
De acordo com os conhecedores da matéria, a via marítima não é para qualquer um, é das mais seguras, mas, também, dispendiosa, porém, há maior probabilidade de sucesso.
Como tanta droga chegou ao país, e como o SIC descobriu sem ajuda externa?
Entre portas e travessas, este jornal descobriu que a operação do SIC não teve ajuda de operativos do país onde saiu a droga, neste caso o Brasil. “Foi tudo descoberto a partir do Porto de Luanda, numa operação que envolveu técnicos da AGT, da Polícia e do SIC”.
No entanto, de acordo com distribuidores de drogas ouvidos pelo NA MIRA DO CRIME, esta operação do SIC só teve sucesso porque alguém ligado ao importador quis estragar o negócio.
“Não se apanha tanta droga assim só com operação policial, é tudo bem estudado, há contactos em todos os lados, é muito dinheiro investido, alguém quis estragar ou manchar o nome do principal homem do negócio, esta droga faz rolar cabeças”, atirou.
Quem são os principais suspeitos?
Um grupo de repórteres deste jornal entrou na comunidade libanesa residente em Angola, para perceber mais sobre o assunto.
Mais fechados e desconfiados, conseguimos interagir com um elemento de peso desta comunidade, que começou por dizer que a investigação criminal em Angola deteve ‘peixes miúdos’ nesta operação.
“Os peixes grandes, os verdadeiros barões de droga, não residem em Angola, estão nos Estados Unidos, Líbano, Brasil e Palestina eles gerem tudo a partir de fora”.
Boa parte destes grupos de empresários libaneses, financiam organizações consideradas terroristas pelos Estados Unidos da América, nomeadamente o Hezbollah e residiram durante duas décadas em Angola, sendo que ainda detêm não oficialmente importantes empresas comerciais, principalmente no ramo de importação de alimentos. “Eles não dão a cara, mas sabem tudo”.
O NA MIRA DO CRIME sabe que, nesta operação do SIC foram apanhadas as empresas Ges Trading Southdelta, Lda e a Sanabel, Lda.
Os donos destas empresas são libaneses, nesta segunda empresa, a Sanabel, tem como principal accionista o cidadão Abbas Nasrallah, que tem dupla nacionalidade libanesa e brasileira.
Nestas empresas estão ainda outros cidadãos estrangeiros como Mohamed Sair; Mohamed Saadala, Sujith Tkiiviidu; Abidel Hossel e Hammud Haidar.
Todos empresários de sucesso e donos de empresas em ANGOLA, principalmente nos ramos de pastelaria e venda de congelados.
São donos de padarias e empresa de venda de frescos, localizadas no Kikuxi, em Viana e no Distrito Urbano do Zango.
O PREÇO DA DROGA
Segundo alguns traficantes ouvidos pelo NA MIRA DO CRIME, o preço da cocaína tende a subir pela falta de produto do mercado.
“Muita coisa mudou, os cotas do sistema que trabalhavam connosco na questão de segurança, também estão a recuar, estão todos com medo de perder o pão, a coisa está muito arriscada, mas ainda se faz muito dinheiro”.
Só para se ter uma ideia, 1 kg de Cocaína está a custar 14 milhões de kwanzas no mercado negro. Assim sendo, em 164 kg de Coca apreendida em Viana, o SIC retirou em dinheiro 2 biliões 296 milhões de kwanzas.








