Máfia de terras em Viana: Ex-Chefe da Fiscalização revela o que sabe sobre o negócio
Paulo Vaz Contreiras Simões, ex-chefe da Fiscalização do Município de Viana, por dois anos, em reação à matéria com o título "Máfia no negócio de terrenos inclui Generais, PGR, Advogados e Oficiais da Polícia Nacional" publicada neste jornal, na semana passada, desvenda os meandros do negócio e os nomes envolvidos.
Por: Kiamukula Kanuma
Contreiras foi director de Fiscalização e Segurança Alimentar de Viana, num período de dois anos e o seu nome foi associado à uma lista de indivíduos que estariam supostamente envolvidos em actividades ilícitas, como usurpação de terrenos.
"Já fui chefe da Polícia na Lunda Norte, responsável na Cabinda Golf Oil Company em 1988; já tive cargos respeitáveis. A fiscalização veio apenas ensaiar a minha capacidade; dei o meu sangue, tentei mudar o que estava errado, mas não foi possível. Por isso, deixo um repcto: todo cidadão que se sentiu lesado enquanto desempenhei o cargo de chefe de fiscalização, que vá à PGR apresentar queixa", desafiou.
"Nunca roubei a ninguém, nunca extorqui, nunca reuni com qualquer um que seja para me dar dinheiro, porque eu sempre tive, sou empresário, tenho 15 casas em Viana, tenho viaturas top de gama comprados com o meu dinheiro; vivi em seis países", expôs, convidando "o maestro" das alegadas intrigas a identificar-se e irem a tribunal.
"Revolucionei a fiscalização"
De revelação em revelação, Vaz disse que encontrou a fiscalização de patas para o ar. Ou seja, nem sequer cadeiras tinha.
"Encontrei cadeiras plásticas todas partidas", ilustrou, salientando que ele pauta primeiro pela nação e, depois, pelo seu umbigo e da sua família.
"Nunca me apoderei nem sequer de um tostão da fiscalização", asseverou.
De momento, disse estar em Portugal a estudar para, em seu entender, servir a nação.
"Não usem o meu nome para fazerem campanhas diabólicas em troca de cargos", avisou.
Uma coisa que reconhece é que o Departamento de Fiscalização era um centro de negociatas.
"Aquilo era um antro em que as pessoas entravam com os bolsos vazios e saiam com os bolsos cheios; eu é que acabei com isso", sublinhou.
Sobre as imprecisões no departamento, fala concretamente da falta de pagamentos aos fiscais, apesar de serem estes os que mais contribuem para o Cofre do Tesouro Único (CUT) com os dinheiros das multas aplicadas.
E disse que parte considerável desse dinheiro é todo engavetado.
“Digo-te, sem medo de errar, que na administração de Viana, as pessoas que trabalham não são pagas", revelou.
O esquema está na DMIOTH e no Gabinete Jurídico
Vaz contou o que sabe sobre vários esquemas na administração de Viana.
Segundo o responsável, o esquema consiste no seguinte: dentro da DMIOTH e do Gabinete Jurídico estão jovens infiltrados com o objectivo de dificultarem os processos.
"Eles retiram os documentos das pessoas que requerem espaços fotocopiam-nos e entregam aos grupos organizados de invasores", disse.
"Falo-te na primeira pessoa; esta máfia é antiga e todos aqui sabem, só que não têm coragem de denunciar, porque também beneficiam-se dela", frisou, afirmando que o director da Fiscalização "apanha por tabela".
"Todo novo Administrador que entra, só exonera Directores da DMIOTH, Gabinete Jurídico e da Fiscalização, Porquê? Porque os verdadeiros mafiosos são os funcionários dessas duas áreas, por isso é que têm aparecido dois a três donos num só terreno", disse, revelando ainda que outro truque é manter os processos muito tempo nestes gabinetes, "para apanharem a fraqueza das pessoas requerentes.
Se quiser ver o teu processo célere, logo vai pensar em entrar nas negociatas; esta é a realidade nua e crua".
Sugere que para acabar com isso, deve haver rotatividade de funcionários nas administrações.








