29 horas de terror: NA MIRA DO CRIME traz a história da mulher sequestrada em Viana, contada na primeira pessoa
Conforme noticiado por este jornal na edição desta quinta-feira, 27, já está no seio familiar, a cidadão Ana Bela Lopes, funcionária da petrolífera Sonangol, sequestrada na madrugada de quarta-feira, 26, na sua residência, por elementos fortemente armados.
Por: Matias Miguel
O NA MIRA DO CRIME manteve uma conversa aberta com a vítima, minutos depois de ser resgatada pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC). Apesar de mostrar algum desgaste, fruto das vicissitudes que teve que passar durante 29 horas em que esteve sob cativeiro de oito elementos fortemente armados, Ana Bela conseguiu proferir algumas palavras ao NMC.
De acordo com a senhora, o assalto à sua residência começou na madrugada de quarta-feira, (por volta das 2horas) quando oito bandidos, com idades compreendidas entre 24 e 30 anos de idade, encapuzados e com chapéus preto, com recurso a marretas, barrotes e pé de cabra, arrombaram as portas e janelas da sua residência, onde dormia com os filhos e o marido.
No interior da residência, os marginais fizeram questão de mostrar primeiro o armamento (AKMs e pistolas), para que às vítimas tivessem noção do que estava a acontecer.
“Eles vieram orientados, mas com alguns exageros, exigiam de princípio que os mostrássemos o cofre onde supostamente existia dois milhões de Kwanzas, na medida em que iam pedindo, agrediam o meu esposo e a mim com as próprias armas”, contou.
“Como o cofre não aparecia, e porque não existe, como medida de pressão, começaram por torturar o meu filho caçula de apenas de apenas oito anos… os miúdos já estavam muito assustados, esgotados, então disse que tinha o BAI-Direct, onde tinha 4 milhões de kwanzas, disse também que tinha outros multi-caixas, e entreguei tudo para que parassem que agredir o menino”, recordou.
Para a nossa entrevistada, o que atiçou os marginais, foi o facto de saberem que ela é funcionária da empresa Sonangol.
“O autor moral do crime colocou na cabeça deles que eu tinha um cofre com dois milhões em casa, foi isso”, deduziu.
Depois de entregar os cartões e tudo que tinha em sua posse, os marginais queriam mais.
Para começar, recolheram todos os telefones, Tvs Plasma e aparelhos electrónicos, não satisfeitos, pediram as chaves da viatura de marca Jetour, que tem a chapa de matrícula LD-73-54-HI, de cor branca.
No entanto, acharam melhor levar a senhora, uma vez que toda operação que iriam realizar em multi-caixas poderiam contar com a ajuda da vítima.
Madrugada assustadora
Ana Bela foi colocada no banco traseiro, no meio de seis bandidos.
“Lembro-me de termos passado no interior do bairro, para depois alcançar a rua dos Montes Claros… Percebi que eram dois grupos, devidamente estruturados, na rua dos Montes Claros, ficou um grupo onde descarregaram os aparelhos electrónicos, e depois rumamos para a rua Brasileira, entramos no meio do bairro e terminamos numa obra abandonada, no bairro Caop, no total fizemos três paragens”, suspirou.
Colocada em armazém escuro
“O armazém onde fui colocada era muito escuro, o chão era de areia vermelha, senão fosse encontrada com vida, só dariam conta de mim por causa do cheiro”, lagrimou.
Os marginais, conta a vítima, ao se retiram, deixaram recomendações: não tossir, não fazer gesto, caso não cumprisse, eles não se responsabilizariam do que viesse a acontecer com ela. Por outras palavras, diziam que caso ela tossisse seria morta.
Os bandidos bons e os maus
Entre os meliantes, recorda, sem saber se por ironia ou não, existiam os maus e os bons.
“Um defendia que me deixassem desamarrada, já outros exigiam que tinha que ser amarrada, assim, pegaram em braçadeiras, amarraram-me, depois fitaram os braços, pernas e a boca”.
O anjo da guarda: Mosquito manteve a senhora acordada
Ana Bela tem um mosquito como seu “Anjo da Guarda”. “O mosquito não me deixava dormir, sempre que tentava pregar o sono, lá vinha ele a zanzar, mas não me ferrava, aí percebi que o mosquito estava aí para me dar um sinal e despertar em clamores, preguei o Salmo 23, e orei até amanhecer”, disse.
29 horas trancada no armazém
Depois de passar o dia todo trancado no armazém, amarrada, sem comer ou beber água, na manhã de quinta-feira, 27, um dos senhores que trabalhava junto ao armazém abandonado onde a mesma estava amarrada, ouviu o barulho e foi saber o que se passava… viu a senhora já debilitada, e quase sem forças.
“Devo agradecer a Deus em primeiro lugar, a população da Caop que foi solidária comigo, até o um pano me ofereceram, ao SIC que me resgatou, estou tensa, traumatizada, cansada e trémula, quero muito regressar à casa, mais também, não, estou com medo de ir à casa, estou com muitas saudades das minhas filhas, mais devo admitir que tenho medo, já vi o esposo e as irmãs, mas não quero imaginar como será quando começar a escurecer”.
O NA MIRA DO CRIME sabe que, depois de a senhora ser amparada por populares, o senhor que a encontrou correu até ao Comando de Viana, onde efectivos do SIC já se desenrolavam em várias operações para desvendar o caso.
Tão logo foram accionados, uma equipa de operativos fez-se ao local e resgatou a senhora.
Neste momento o SIC-Viana tudo faz para localizar e prender os bandidos.








