Acções da "Turma do Apito" deixam moradores do Sambizanga satisfeitos
O Distrito Urbano do Sambizanga já foi considerado uma das zonas periféricas mais perigosa de Luanda, no que concerne à criminalidade. Mas, há três anos, tem se verificado mudanças consideráveis e tranquilidade digna de satisfação, fruto de um trabalho aturado de jovens que tiveram a coragem de se unir e formar a Brigada de Vigilância Comunitária (BVC), Turma do Apito, e conter o crime nas zonas afectas ao Distrito.
Por: Cambundo Caholua
A "Turma do Apito" é uma associação com três anos de existência, composta por dezenas de jovens, moradores do Distrito do Sambizanga, que durante o dia e o calar da noite fazem rondas nos bairros, no intuito de conter a criminalidade.
Estão repartidos em quatro sectores, nomeadamente, Madeira, Lixeira, Mota e Santo Rosa, e estes, por fim, constituídos por brigadas ou simplesmente Cânforas, na sua maioria jovens, mas há também anciãos voluntários.
O NA MIRA DO CRIME foi até ao "Sambila", como é conhecido o distrito, e em exclusivo ouviu um dos líderes da "Turma do Apito", para falar com mais propriedade de como foi o processo para se chegar a esta fase de aparente sucesso.
"Nós, para chegarmos até onde estamos, fizemos muita luta, porque alguns não queriam que a 'Turma do Apito' continuasse", começou por explicar Evadinho da Silva, conhecido também por 'Chaló', coordenador do sector Madeira para os serviços de vigilância comunitária".
Continuando disse que "na fase em que constituímos a "Turma do Apito", houve muitos contras; chegamos a ter várias discussões no comando distrital, na nona Esquadra, onde o comandante e o director do SIC pediam o fim da associação, assim como o actual administrador do Distrito, mas dissemos frontalmente a eles que somos nós, no caso moradores, que sofremos com a criminalidade, por isso não vamos parar".
"Apesar desses todos impasses, graças a Deus, temos um Sambizanga com uma criminalidade zero, e podemos considerar isso um sucesso, porque a polícia tem sido um parceiro", disse, salientando que antes do queixoso ir aos órgãos da polícia primeiro tem de passar numa das brigadas mais próximas.
"Os riscos são vários, porque, às vezes, não dormimos em nossas casas, há um dos elementos do grupo que havia sofrido agressão, mas já está bem", informou.
Evaldinho da Silva garantiu à nossa reportagem que o objectivo da "Turma do Apito" é apenas ajudar a polícia, referindo que várias vezes foram chamados de marginais, mas continuaram com a associação porque sabiam o que estavam a fazer.
Realçou que, de momento, tudo está correr a mil maravilhas. "Só havia um grupo de marginais, "Os Léguas" é que estavam a tentar incomodar, mas já foram desmantelados.
A nossa equipa de reportagem falou também com alguns moradores que se mostraram satisfeitos com o "novo" Sambizanga.
"Hoje, nós andamos à vontade, entramos e saímos do bairro a hora que quisermos, sem medo de ser assaltado", garantiu Sandro Santos, um dos moradores do sector Madeira.
Enquanto isso, José Pedro, de 56 anos de idade, morador do sector Lixeira apelou para que se ajude as brigadas com logística, porque elas fazem um bom trabalho para a comunidade.
"Por isso, devemos ajudar para terem motivação", disse.
Já a Elna Francisca, moradora do sector Mota, disse que estudou de noite e lembra que, no princípio, sempre que fosse à escola tinha que dormir em casa de um familiar que vivia próximo da universidade e regressar no dia seguinte, porque o período que saia da escola não aconselhava ninguém entrar no Sambizanga".








