Zango 01 - Polícia alveja duas vezes cidadã inocente, amigo da vítima só não morreu por sorte
Nesta terça-feira, o Jornal NA MIRA DO CRIME trouxe aos seus leitores uma notícia relacionada com a cidadã Lídia Miranda, que terá sido supostamente confundida com marginais e foi alvejada por moradores que atenderam, desta forma, ao grito de socorro de uma vizinha.
Por: Lito Dias
Esta terça-feira, o jovem com quem Lídia estava na viatura, trouxe outros elementos que desmistificam a versão da polícia a quem atribui a autoria dos disparos que, por pouco, não tiraram a vida de ambos.
O jovem que não quis identificar-se disse que a polícia está tentar abafar o caso, porque os seus efectivos dispararam para matar. Não houve mortes, porque ele acelerou a sério quando se apercebeu dos disparos e depois de dar conta que a amiga tinha sido alvejada.
Conta que, no domingo, de noite, decidiu visitar a amiga no Zango, na companhia do seu primo conhecido por Nelo. Postos lá, deixou Nelo num bar e ele foi até à rua do Instituto “Reprovado”, onde esperaria pela amiga.
"Porque a rua estava escura, decidi parar o carro ao lado de um quintal onde havia um holofote que proporcionava uma clareza assinalável", explicou.
Poucos minutos depois, Lídia apareceu, entrou no carro, sentando-se no banco de trás. Passados sensivelmente três minutos, ouviram disparos que vinham da direcção do portão, numa distância de 100 metros.
"Liguei o carro e acelerei em direcção à estrada", disse, referindo que, de repente, viu um carro da patrulha policial que passou por ele "foi dar a volta" e vinha em sua direcção.
"Passaram, chegando em frente fizeram vários disparos, um dos quais atravessou o vidro de frente, não sei como é que não me atingiu, e atravessou o braço da Jovem que estava agarrada ao meu banco", contou, acrescentando que, nesse instante, deram conta que mais dois tiros tinham perfurado o tecto do carro, atingindo também o mesmo braço.
"Eu continuei a acelerar, porque fiquei completamente assustado com os disparos da polícia cuja intenção era matar, tendo em conta a direcção em que dispararam", assume, referindo que a perseguição continuava e, na entrada do BPC, afrouxou e ela desceu e pôs-se a correr em direcção a uma farmácia.
"Ouvi alguém a dizer que tem uma mulher no carro, tendo um agente ido agarrá-la", atestou, afirmando que foi então que ele perguntou: porquê é que estão a disparar contra nós?
Do outro lado, a polícia também procurou saber as motivações da fuga.
Embora a dupla tivesse sugerido que a jovem ferida fosse levada a uma clínica mais próxima, a polícia exigiu que fosse tratada no Hospital Geral de Luanda, onde foi constatado que as balas perfuraram os tecidos do braço.
Ainda no Hospital, a polícia terá ligado para alguém a perguntar se a matrícula do carro que apareceu no dia anterior condizia com a do i10 atingido por disparos, ao que respondeu positivamente.
"Como é que a polícia dá o número da matrícula do meu carro a alguém para compará-lo com a do outro carro, em vez de ser a polícia a pedir o número da matrícula do outro carro", questionou, considerando estranho o procedimento usado.
O jovem accionou o seu advogado que apareceu nessa noite no hospital, e com quem regressou à esquadra do Zango, onde tinha deixado o carro.
Este jornal sabe que a jovem ferida teve alta no mesmo dia, enquanto os jovens, na companhia do advogado, tiveram de ir de novo à esquadra para se dar seguimento ao caso.
A polícia diz ser necessário fazer-se uma nova perícia e que os analistas chegariam no mesmo dia, mas até hoje, quarta-feira, 11, não nenhuma evolução no caso.
O NA MIRA DO CRIME sabe que a viatura continua retida na esquadra do Zango, enquanto se aguarda pelos analistas.
O jovem clama por intervenção rápida de entidades superiores, uma vez que entende que a Polícia sabe que está errada, e ainda sem mantém a sua viatura retida.








