Autoridades negoceiam às escondidas- Feiticeiro em Kamakupa quer provar que matou 05 pessoas a feitiço
No dia 06 de Janeiro, este jornal publicou uma matéria que dava conta que um "pai e quatro filhos furtaram peixe na lagoa de um feiticeiro e morrem de forma misteriosa".
Por: Lito Dias
Acontece que o assunto, agora, tem novos contornos: A família que morreu não furtou o peixe, mas sim comprou das mãos de um gatuno que, contrariamente a informação anterior, terá furtado na praça uma boa quantidade do peixe sardinha (lambula) e não numa lagoa.
Segundo uma fonte local, a família devastada comprou o peixe na praça sem saber que se tratava de um peixe furtado.
O autor do furto, por não ter comido, não foi afectado, mas a família compradora é que "está a pagar todas as favas".
O dono do peixe que, conforme se diz, é o causador da morte dos 05 membros da mesma família, continua irredutível e pretende "matar a feitiço os três membros restantes, sendo uma senhora e dois menores de idade", tão logo saírem do hospital.
Fontes dizem que só não o fez até agora, porque a administradora municipal dissuadiu-lhe a praticar homicídio com recursos a forças ocultas.
Quando lhe foi furtado o peixe, contam as testemunhas, deu uma moratória para que lhe fosse devolvido o seu produto, mas isso não aconteceu porque o gatuno já tinha vendido a outra família.
O "feiticeiro" desautorizou o regedor local, agora pretende ouvir apenas a administração e o comando da polícia que já terão implorado para que o cidadão em causa não provocasse mais tragédias.
Entretanto, o indivíduo em causa vai, nas próximas horas, dar a conhecer o que pretende para anular as perdas com o furto do seu peixe.
O assunto está a ser tratado com prudência e com algum sigilo à mistura, já que apesar do feiticeiro assumir a autoria das mortes, as instituições do Estado procuram, a todo custo, manter em surdina tais pronunciamentos.
"No relatório, não podemos dizer que as pessoas morreram de feitiço, mas sim de um problema qualquer", disse um agente do SIC.
Várias mortes com recurso às forças ocultas ocorrem um pouco em todo país.
Kamakupa não é excepção. Recentemente, naquele município, dois jovens morreram depois de furtarem milho fresco (massaroca) de uma lavra.
O assunto foi tratado com leviandade, cimentando a ideia de que "o feitiço não existe".
As autoridades tradicionais, na pessoa do regedor municipal, peremptoriamente, disseram à administradora que o feitiço existe mesmo e que a solução desse problema tinha de passar necessariamente pelas autoridades tradicionais.
"Os sobreviventes dessa saga podem também acabar por morrer se o feiticeiro assumido não for abordado devidamente”. Aliás, este já disse que matar os sobreviventes será uma de, mais uma vez, mostrar que o feitiço existe.








