Por causa de dinheiro: Cidadã forma quadrilha mata e queima corpo da amiga
O Serviço de Investigação Criminal (SIC), apresentou na manhã desta terça-feira, 11, dois cidadãos nacionais de 29 e 42 anos de idade, sendo um do sexo masculino e a outra do sexo feminino, acusados dos crimes de agressão física, homicídio e carbonização, ocorrido no bairro Mártires do Kifangondo, Distrito Urbano da Maianga, município de Luanda, em que foi vítima a cidadã Sebastiana de Fátima Rosário dos Santos Neto, de 57 anos de idade.
Por: Kihunga Bessa
Como já foi publicado anteriormente pelo NA MIRA DO CRIME, os factos ocorreram por volta das 21 horas do dia 09 de Março do ano em curso, no interior da residência da vítima, localizada no distrito urbano da Maianga, bairro Mártires do Kifangondo, rua da igreja Mesquita.
Os factos
Tudo terá sido planeado ao pormenor pela amiga e cúmplice da vítima de nome Ana Patrícia Queiroz, de 42 anos de idade, que tinha como foco principal os bens da malograda, que estava de malas feitas para os Estados Unidos da América, e tinha em sua posse jóias e dinheiro vindo de bens que havia vendido para viver condignamente no exterior do país.
A Investigação do SIC apurou que o assassinato de Sebastiana foi devidamente planeado pela acusada, desde o recrutamento dos elementos da quadrilha, a compra de combustível, a introdução dos bandidos na residência da vítima, bem como a informação sobre os bens que a mesma possuía.
Dia da Morte
No dia da acção, conta o SIC, Ana efectuou um telefonema para vítima a combinar um encontro na sua residência (residência da malograda).
Inocente e feliz para receber a amiga, a vítima foi surpreendida no momento em que abria a porta por um grupo de 4 elementos, cinco com a mandante (Ana Patrícia Queiroz), que imobilizaram a Sebastiana, tendo um dos bandidos colocado um pano que continha gás lacrimogéneo no rosto da senhora, provocando desmaio.
Já no interior de casa, um dos marginais segurou em braçadeiras plásticas e começou por atar os membros superiores e inferiores da vítima. Com uma almofada, começou a asfixiar a infeliz, para acelerar a morte da amiga, conta o SIC, Ana Patrícia colocou lhe uma braçadeira plástica no pescoço e, na agonia, a infeliz tentando lutar pela vida mordeu-a no braço.
Este último gesto de quem luta pela própria vida, causou a fúria da mandante que segurou num machado e desferiu um golpe na cabeça da malograda que teve morte imediata.
Apagar as pistas
O Porta-voz do SIC-Luanda, Superintendente-chefe Fernando Carvalho, explicou que, de formas ao grupo se desfazer das provas do crime, a mandante retirou da sua bolsa uma garrafa de 50 centímetros que continha combustível do tipo gasolina, jogou sobre o colchão onde se achava o corpo da vítima, assim como ar condicionado, e jogaram fogo para simular que o incêndio foi o causador da morte da senhora.
Retirada triunfante?
Na retirada da residência, os marginais levaran um baú contendo diversas jóias em ouro, um cartão multi-caixa do BFA com o valor de AKZ: 7 milhões e 900 mil Kwanzas, assim como 4 telemóveis de diversas marcas.
Para o pagamento dos comparsas, avança Fernando Carvalho, a acusada usou o cartão multicaixa roubado, retirou 4 milhões de Kwanzas através de TPAs, em bombas de combustíveis e no Mercado dos Congolenses.
SIC em acção
Após os operacionais terem tomado conhecimento desta ocorrência, desdobram se em acções operativas que culminaram no dia 25 de Março do ano em curso, e permitiu a detenção de dois presumíveis autores do crime.
Detido confessa o crime
Pedro Calomeno “Pedrito”, morador do Mártires, em exclusivo ao NA MIRA DO CRIME, confessou que na terça-feira, 07, de Março saiu de casa em direcção a rua onde tem realizado jogos de Angofoot. Aí, surgiu a acusada, a bordo de uma viatura de marca Hyundai, modelo Tucson, perguntando-lhe se conhecia a vítima, cujo nome mas conhecido na zona era “Tininha”, Pedrito diz que respondeu que sim, conhecia.
Esta abordagem que seria para uma simples explicação, tornou-se então um sonho para Pedrito, que afinal não passaria de um inferno de longos anos.
O jovem conta que a acusada explicou lhe sobre a viagem da vítima e dos bens que não havia na mesma casa, e confessou querer matar a sua amiga e comadre, que é também sua irmã da igreja.
Caso aceitasse a proposta, a garantia seria de 2 milhões de Kwanzas batidos
“Não pensei duas vezes, trocamos os contactos, e ela voltou a ligar na quinta-feira, 09, dia da acção”, recordou o jovem, acrescentando que ele estava apenas mais um amigo e a mesma mandante trouxe consigo outros dois marginais que completou o quinteto.
Segundo Pedrito, a acção durou 7 horas, sendo que entraram às 19 e só saíram de lá por volta das 2 horas da madrugada.
“Depois de sairmos da residência, dirigimo-nos até a uma bomba de combustível e outros postos, onde começamos a usar os cartões multicaixa, e no dia seguinte dirigimo-nos até a Vila de Viana onde retiramos a outra parte do dinheiro”, descobriu.
Pedro diz ainda que da quantia combinada levou ainda apenas 1 milhão e 500 mil Kwanzas.
“Faltava a outra parte, mas não tive comunicação com ela, até o dia da minha detenção, isto no dia 23 de Março”.
Ana Patrícia Queiroz jura de pés juntos que é inocente
Entrevista pelo NA MIRA DO CRIME, a acusada refutou todas acusações que pesam contra si, esta atitude foi mal vista por familiares da malograda que estavam no local e acabaram por agredir a senhora, situação que foi prontamente controlada pelo SIC.
Família inconsolável clama por justiça
Familiares da malograda ouvidos por este jornal, dizem que precisam que a justiça seja feita para que continuem a confiar no poder das instituições.
“Temos conhecimento que a família da assassina é ligada a justiça, então se eles estão ligados ao magistrado, façam cumprir quem comete", obrigaram.
Uma das sobrinhas da vítima disse que a malograda estava prestes a ver a filha a se casar e ser levada ao altar, “é muito doloroso, então tudo que nós queremos é justiça”, chorou.








