Oficial às ordens do General Walla acusado de desalojar ‘militarmente’ mais de mil pessoas para explorar inertes
O Major Pedro Hossi colocado no Quartel-General do Exército, oficial às ordens do General Carlitos Walla, através da empresa P.H & Rafaela - Comércio e Serviços Lda, constituída no dia 10 de Fevereiro de 2017, sociedade por quotas (pluripessoal), representada pelo sócio-gerente Pedro Hossi, está ser acusada de desalojar dois bairros no distrito do Sequele, município de Cacuaco.
Por: Kiamukula Kanuma
Domingas dos Santos Nguenji, moradora, explicou ao Na Mira do Crime que, no ano de 2020, o Major Pedro Hissi, obrigou-os a sair do bairro Tande 2 com forças militares, “partiu as nossas casas, um bairro com mais de mil pessoas, tudo isso só para explorar inertes”.
“Nós precisamos de ajuda, neste país os que têm dinheiro falam e os que não têm dinheiro não falam, então que nos respeitem só, também somos angolanos, a terra pertence a Deus. Desde 2020, o Major Pedro Hossi veio aqui nos impor para sairmos do bairro Tande 2, mas fomos renitentes, não saímos, mas na implementação do Decreto Presidencial que autorizava a demolição do Maye Maye, Pedro Hossi, tentou tirar proveito, mais nós observamos o mapa das demolições e constatamos que o nosso bairro não abrangia”, explanou Domingas.
Mesmo assim, continuou, “fomos afectados pelo arrastão, a então governadora João Lina, redimiu-se e convocou o administrador orientando que permanecêssemos nas nossas habitações, ainda assim o Pedro regressou com militares e prendeu o nosso coordenador, conhecido por ti Mingo, no dia 06 de Maio de 2023”.
Não satisfeito, em conluio com o administrador Auxílio Jacob, contam, aproveitando-se da ausência do coordenador (detido), “veio outra vez fazer promessas de realojamento, recolheu algumas cópias de Bilhetes de Identidade, mas em vez de levar as cópias dos moradores legais, os que têm comprovativo de cedência dos terrenos, levou também de invasores e de gente estranha, o que pressupõe que a intenção era beneficiar outras pessoas à nossa custa e de facto assim foi, pois esses é que foram alojados, uma parte no Mayé Mayé e outra próximo do Kero”, acusa a cidadã.
Domingas conta que ao se dirigirem ao Kupilica, administrador do Sequele, este disse que “nós não temos dinheiro, então não podemos desafiar com pessoas que têm. A nossa pergunta é: o que está a fazer o Auxílio Jacob aqui? Está a administrar mesmo o povo ou buraco?”, questionou.
Pedro Hossi deixou claro, em viva voz e bom som que “vocês podem ir se queixar-se onde quiserem, não vão fazer nada; ora pelo que sei tropa tem que ficar no quartel e preocupar-se com questões de defesa do país e não para aterrorizar e afugentar as populações nas cidades, em vez de defendê-las, isto agora é o negócio deles, correm a população sofrida para vender as terras aos chineses que exploram os inertes sem regras, estão a causar ravinas e a dar cabo do meio ambiente. Como é que um militar, oficial, também é empresário e em vez de fazer negócios lícitos passam a vida a expropriar terrenos, demolir casas de pacatos cidadãos indefesos?”.
A nossa entrevistada revelou ainda que “o próprio chinês que comprou as terras disse ao coordenador Yeyé que deu 198 milhões de Kwanzas para a população abandonar o local e procurar outro, mas o Pedro e a camarilha que o protege abocanharam o dinheiro todo.
Ana João “Cajindaka”, descreve que quando Pedro Hossi chegou, “começou por partir o Cap do MPLA, estava rodeado dos seus guardas, todos militares, depois de uma conversa cuidadosa, prometeu dar casas a cada um de nós, no dia seguinte, 28 de Maio, começou a partir as casas começando pela casa do coordenador, no total partiu 27 casas”.
Rafael Morais representante dos Direitos Habitacionais SOS Habitar condena o regresso do “Kamartelo demolidor” no País e apela à sensibilidade das autoridades.
“É importante que a sociedade respeite os cidadãos, que não sabem o que está na base destas demolições, estas famílias estão ao relento, logo houve uma violação dos direitos das famílias, há crianças, idosos e grávidas que estão a sofrer nesta situação”, disse.
Populares pretendiam apossar-se das concessões dos mineiros para erguer cubatas e vender as concessões, diz Major Pedro Hossi
O Na Mira do Crime procurou o Major Pedro Hossi, também jurista, empresário e presidente da Associação dos Mineiros de Cacuaco, e este alega que “no bairro Tande 2 alguns populares pretendiam apossar-se das concessões dos mineiros para erguer cubatas e vender as concessões que nos foi cedida pelo Estado para exploração”.
“Estes terrenos foram tidos como reserva fundiária do Estado, através do Decreto Presidencial nº 263/7 de 8 de Agosto de 2007, e passaram para a utilidade pública, sendo assim o Estado entendeu que os terrenos passassem a ser explorados pelas empresas que tenham competências para o fazer, respeitando as regras ambientais e as que se impõe no âmbito do exercício desta actividade”, justifica.
Em seu entender, “aqueles que se acharem que têm algum direito por estas terras, antes de serem consideradas terras para utilidade pública, devem reclamar esse direito às autoridades competentes, fazendo prova de que tenham alguma titularidade”.
“Admito que existiram demolições desde 2007 até à presente data. Os aproveitadores juntaram-se ao povo e criaram bairros inexistentes, houve vários despachos de demolição, como o número 6 de 2016, vindos do gabinete do administrador do Sequele, vale deixar claro que os actos de demolição não são protagonizados pelo Pedro Hossi, porque não disponho de competência para tal”, ironizou.
Em jeito de conclusão referiu que “a H.P & Rafaela, reassentou populares que foram retirados dentro do perímetro das concessões da área de exploração mineira da empresa, tudo devido às construções desordenadas que crescem a cada dia que passa, dada a perigosidade de algum desabamento, face a isso, tomamos providências com a ajuda da administração local”, sublinhando que, entretanto, “estes bairros são ilegais, impróprios para residir pessoas, porque são terras arenosas; logo, a empresa como é titular de alguns terrenos, um dos quais sito na Vila Vera de Cativa, de 4 hectares, 1 héctar no Mayé Mayé, entendemos que deveríamos cadastrar 129 famílias, e reassentamos no sentido da boa-fé”.








