Direcção da Unidade Técnica de Gestão e Saneamento de Luanda acusada de desviar bens do Estado
A direcçã da Unidade Técnica de Gestão e Saneamento de Luanda (UTGSL), que trata do saneamento da cidade de Luanda, está a ser acusada de ter despedido ilegalmente cerca de 87 trabalhadores por estes terem denunciado várias irregularidades no seio da direcção, sobretudo, o desvio de máquinas da empresa para empresas privadas.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku
Os trabalhadores afirmam terem sido despedidos pela senhora Zenilda do Amaral Mendinza, Directora Geral da referida empresa pública, alegando não haver meios de trabalho para o normal funcionamento, situação esta que os ex-funcionários alegam ser desculpas incabíveis e sem sustentação.
Segundo Silvestre Bartolomeu Miguel, os trabalhadores foram despedidos paulatinamente, pois, a directora justificava a falta de meios de trabalho para continuar com os funcionários, pelo que os trabalhadores discordam.
"A Empresa vive sob o Orçamento Geral do Estado, por ser uma empresa pública, e, só o Ministério das Finanças deve decidir o afastamento dos trabalhadores", avançou.
Os trabalhadores acusam a direcção de estar envolvida no desvio de automóveis.
“Os trabalhadores eram orientados a levar os automóveis em parte incerta, e no local faziam a entrega dos meios a pessoas desconhecidas”, denunciou Raimundo Sebastião, acrescentando que, não foram poucas vezes que teve que levar camiões e posteriormente fazer a entrega em elementos desconhecidos.
"A directora alega falta de meios de trabalho, mas ela própria é que nos ordenava a levar os meios até um certo ponto e, posto no local, ligávamos para o chefe que orientava a entregar a chave no indivíduo que encontrávamos no local e nunca mais voltávamos a ver o camião", acusou.
Os trabalhadores despedidos reconhecem que a empresa está sem meios, mas também sabem que isso se deve porque a direcção desviou os meios para empresas privadas que e se encontram em funcionamento.
De acordo com o colectivo de trabalhadores despedidos, entre as empresas que ficaram com meios do Estado estão a BRIMAQ Construções Civil (que presta serviços de aluguer em quase todo o território do país), e esta está localizada no km 44, em Viana.
"Temos um camião no aterro do areal a transportar areia, um outro se encontra na britadeira do Bengo, e mais alguns locais", indicaram.
Diante da situação, os ex-trabalhadores dizem já ter recorrido a vários órgãos do Estado, ao Governo Provincial de Luanda, Ministério da Justiça e a IGAE, infelizmente nada se resolveu.
"Mostramos provas dos desvios dos meios, o senhor "Compridão" inspector da IGAE, não resolveu o caso porque foi subornado", denunciaram.
O colectivo dos trabalhadores despedidos denunciam ainda que a empresa tem estado a empregar outros funcionários, contrariando as alegações da directora, segundo as quais não há meios para o normal funcionamento.
"A direcção desviou camiões basculantes, tractores juper, camiões de sucção, bob kat de braços compridos, bull dozers, pás carregadoras, giratória; estes meios encontram-se escondidos a serviço de empresas privadas e temos como dizer quais são", garantiram.
Direcção UTGSL rebate acusações
O Na Mira do Crime ouviu a direcção da Unidade Técnica de Gestão e Saneamento de Luanda, na pessoa do director Administrativo e Financeiro, Adolfo António Bingue, que contestou todas as acusações.
De acordo com o responsável, a empresa foi criada para a construção da macro drenagem pluvial, residual e tratamento dos afluentes de valas, sendo que, ao longo do tempo, outras tarefas foram acrescidas e a empresa.
“Em 2014 tivemos que comprar alguns meios para auxiliar os trabalhos acrescidos porque, para além da construção das valas passamos também a fazer limpezas e drenagem ao longo das valas de Luanda”.
De acordo com o director, durante a aquisição dos meios, houve a necessidade de contratação de mais pessoas, tendo sido assinado um contrato de promessa de trabalho.
“Quando se observasse avarias por parte dos meios, eram solicitadas empresas para a manutenção, infelizmente, por insuficiência financeira, os meios ficaram sem recuperação, resultando numa frota reduzida em cerca de 20 de força”, avançou.
“A empresa recorreu ao Governo Provincial de Luanda, na pessoa do então Governador Mendes de Carvalho, que orientou que os meios fossem para as oficinas da Elisal, no sentido de serem recuperadas”, recordou, acrescendo que, com esta iniciativa, parte dos meios avariados foram recuperados, “mas por falta de verbas, outras ficaram paradas nas oficinas da Elisal”.
Adolfo Bingue disse a empresa que representa tem um orçamento mensal de três milhões de kwanzas, valor que diz ser insuficiente para suportar as necessidades da Unidade Técnica.
Quanto a denúncia sobre desvios de meios por parte da Direcção da empresa, o director explicou que, recentemente, uma equipa de inspecção da IGAE esteve na UTSGL para auditoria.
“Ficaram cerca de um mês, e não encontraram nenhuma anomalia”, explicou, sublinhando que,
devido a questão das autarquias locais, que se pretende implementar no país, foram orientados a fazer a entrega de alguns meios às administrações municipais.
“Por causa do timbre’ da Unidade Técnica nos carros e máquinas, as pessoas confundem com meios desviados, quando na verdade estão a serviço das administrações municipais’’, garantiu.
Director diz haver correntes negativas no seio dos membros da direcção
O responsável explicou que a denúncia de meios desviados por parte da direcção da empresa, tem sido falácias criadas por elementos ligados à direcção. “Eles têm que apresentar provas, como por exemplo nomes dos envolvidos; a deterioração dos meios da empresa são os reais motivos dos despedimentos dos referidos funcionários’’.
Quanto as acusações relativamente sobre alguns camiões estarem sob tutela da empresa BRIMARQ, o nosso entrevistado diz desconhecer tal informação.
“Não conheço esta empresa, pelo que, os denunciantes devem apresentar provas”, sentenciou.








