É a segunda proposta: Caixa de dinheiro enviada a Manuel Homem continha 200 milhões de kwanzas
O Na Mira do Crime aproveitou a manhã desta quinta-feira, 22, para passear pelos corredores do Governo Provincial de Luanda, e ouvir membros próximo do Gabinete do governador Manuel Homem sobre o caso “caixa de somas avultadas de dinheiro” dirigidas ao homem forte de Luanda.
Por: Carla Nayara
Conhecedores do dossier, explicaram que esta é a segunda vez que Manuel Homem recebe propostas ‘aliciantes’ de empresários para colaborar no reordenamento do comércio.
A zona do São Paulo é estratégica para o comércio, é demais conhecida e facilita a mobilidade dos empresários.
De acordo com a nossa fonte, há pouco menos de dois meses, ao governador de Luanda foi feita uma proposta de recepção de 2 milhões de dólares e uma casa mobilada num dos condomínios de Talatona, se “fechasse os olhos” a algumas empresas que praticam o comércio grossista na zona do São Paulo.
Por outras palavras, Homem tinha que deixar a ideia de mandar quase todas as empresas grossitas para o Km 30, em Viana.
De acordo com a nossa fonte, desta vez, uma pessoa bem identificada e do círculo de Manuel Homem, facilitou a proposta, fazendo chegar até ao gabinete do edil de Luanda, uma caixa com 200 milhões de kwanzas.
São empresários angolanos e eritreus e usam empresários bem identificados que têm alguma ligação com o governador Manuel Homem
“O Governo é ente de bem, recebe qualquer tipo de investimento porque os investimentos fazem bem a província, e quando vejam os seus interesses comprometidos criam canais de contacto, neste caso, o canal não foi o mais eficiente possível para convencer o governador, e este, por medo, mandou recuar”, detalhou, sublinhando que, uma outra razão que fez com que o governante recuasse, “é que ele sabe que está a ser projectado para outros patamares no partido”.
“Ele sabe de onde vem o dinheiro e quem está a mandar, dentro do GPL há elementos do SINSE, se ele quisesse de facto ser um homem transparente apresentava quem está por detrás disso, mas ele sabe que se entregar às pessoas, alguns do seu círculo também vão cair, então não é viável, e ele sabe que cometeu um erro ao se pronunciar publicamente”.
Simão Paulo não resistiu à pressão
Em 2002, altura que Simão Paulo era governador de Luanda, estava em curso o processo de transferência dos armazéns do São Paulo para o Mercado do 30, aliás, todos os armazéns que lá estão foram construídos pelo GPL para este fim. No entanto, o processo não ficou concluído, depois de um braço-de-ferro entre o governo e os comerciantes.








