Corpo de menor encontrado sem vida no interior do tanque de água do pastor Zeferino
Uma criança identificada apenas por Paula, de 5 anos de idade, foi encontrada morta no interior de um tanque de água, no bairro Augusto Ngangula, Kicolo. A notícia causou um grande choque aos moradores da zona, pelo facto do cadáver ter sido encontrado no tanque do quintal do conhecido e respeitado pastor Zeferino. Por sinal, os moradores compram e consomem a água daquele reservatório.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku
Cerca das 7 horas da manhã de quinta-feira (22), os moradores da rua da antena da Movicel, no bairro Augusto Ngangula, distrito urbano do Kicolo, foram surpreendidos com a notícia da descoberta do corpo de uma criança, sem vida, no interior de um tanque de água, que tem sido vendida aos cidadãos, situado no quintal de um habitante de referência no bairro, o pastor Zeferino.
Ao que se apurou, a menor vivia sob os cuidados da avó, numa rua próxima da casa em que se encontrou o cadáver.
A avó da vítima, dias antes, notando o desaparecimento da neta, procurou-a pelas casas dos vizinhos e não só, inclusive no quintal onde foi encontrado o corpo.
A anciã, disseram as testemunhas, apercebeu-se de que a neta estava no interior do tanque na manhã de quinta-feira, quando uma jovem que ali reside, ao abrir o tanque, deparou-se com o cadáver e gritou de susto apelando por socorro, chamando a atenção da vizinhança e dos familiares da vítima.
Ninguém naquela casa conseguia prestar os devidos esclarecimentos com relação ao incidente. Apenas alegavam que o tio da vítima, que por sinal era o vendedor da água, seria a pessoa indicada para esclarecer a situação.
Por sua vez, o responsável pela venda de água, identificado apenas por Tadeu, de 16 anos de idade, também alegou não ser capaz de fornecer nenhuma explicação, apenas disse: "Ontem fechei o tanque às 12 horas e fui à escola, ainda deixei ela a brincar aqui no quintal, com as outras crianças, não sei como foi que ela apareceu no tanque".
Surgiram no momento várias suposições, mas pelo que se notou, foi que a mão da vítima estava agarrada ao fio do balde usado para tirar a água do tanque.
Ao que se sabe, depois de o jovem ter fechado o tanque, ainda houve venda de água por elementos de casa.
Alguns vizinhos ficaram ainda mais chocados ao saber que quando o pai da malograda se apercebeu de que a filha estava no tanque, retirou o corpo eliminando todas evidências que podiam ajudar o Serviço de Investigação Criminal (SIC) a determinar a razão dos factos.
"O pai da menor não podia ter retirado o corpo da criança, existe aqui a necessidade de se investigar como foi que ela apareceu morta, num quintal onde vive e entra muita gente", alega-se.
No momento da remoção do cadáver pelo SIC, o dono da casa e o responsável pela venda de água foram levados para a esquadra do mercado do Kicolo, para junto das autoridades prestarem as devidas declarações.
Fonte ligada à família segredaram ao Na Mira do Crime, que a igreja reuniu um valor monetário saído de uma rápida contribuição dos fiéis e um valor das ofertas da igreja, que foi pago à Polícia para a soltura do pastor.
"A minha mãe deu 5 mil Kwanzas, as mamãs contribuíram, e ainda juntaram o dinheiro das ofertas", contou. Importa referir que o bairro Augusto Ngangula, é um dos bairros sem abastecimento de água potável e a população depende dos tanques para conseguir o precioso líquido.
Os proprietários dos tanques fazem um contrato com os "garimpeiros de água" (camiões cisternas que abastecem os referidos tanques).
A maior fonte do “garimpo” está localizado na locota (local onde se lavam os carros na rua), ao lado da Igreja Católica Santa Isabel, bairro da Boa Esperança.








