Simples abordagem termina com disfarce do falso Superintendente-chefe que cobrava Akz 2 milhões para enquadramento na Polícia
Alberto Ferreira Tchendo Beny, é filho de Tchitendo Beny Beny e de Cestina Cassinda Nassia. Tem 35 anos de idade e nasceu na província do Huambo onde terá começado as burlas, mas decidiu ‘singrar’ para Luanda… um mercado mais apetecível.
Por: Osvaldo de Nascimento
Até 2020 Beny ostentava a patente de Intendente, e era o Chefe de Operações do Comando Geral da Polícia Nacional. Pelo menos é isso que diz passe de serviço do suposto oficial, datado de 13 de Março de 2020.
Para ascender a categoria de Superintendente-chefe, foram precisos apenas cinco meses, já que no mês de Agosto de 2020, de acordo com o segundo passe apresentado pelo ‘polícia’, já ostentava três estrelas e duas barras nas patentes que brilhavam nos seus ombros.
Porém, no seu passe havia uma falha de ‘comunicação’, já que ele não era o Superintendente-chefe e sim Superintendente e Chefe, e desta vez estava colocado como Comandante da 52ª Esquadra da Capital do País.
Dinheiro vivo e transferências choruda
De acordo com o Porta-voz do SIC-Luanda, Superintendente-chefe de Investigação Fernando Carvalho, na mesa do SIC já pesavam várias queixas contra o acusado. Sendo a mais relevante de um jovem e o seu irmão que perderam mais de 3 milhões numa só sentada.
NESTE caso, Os factos desenrolaram-se no pretérito mês de Maio de 2020, depois que o lesado conheceu o falso oficial por intermédio de um amigo.
Durante a conversa, o suposto polícia alegou ter possibilidades de o enquadrar nas fileiras do Ministério do Interior, especificamente na Polícia Nacional de Angola, facto que suscitou a sua atenção, e levou que ambos trocassem os números de telefones no sentido de facilitar a comunicação entre ambos.
No mesmo ano, mês de Julho, o implicado compareceu na residência do lesado, devidamente uniformizado, ostentando a patente de Superintendente-chefe, de modo trapaceiro, reafirmou a possibilidade de enquadra-lo naquele órgão castrense e orientou que este fizesse a transferência de 1 milhão 213 mil kwanzas para sua conta, e em mãos entregasse o valor de 690 mil kwanzas.
Sem hesitar, a vítima acabou por fazer os movimentos bancários e entregar o dinheiro em mãos, e na sequência, o seu irmão acabou por se interessar pela proposta, e foi orientado pelo falso polícia a fazer a transferência de 615 mil kwanzas, perfazendo um total de 3 milhões e 688 mil kwanzas.
Mediante facto, a informação se propalou entre familiares e amigos, onde o número de interessados aproximou-se na ordem de 70 pessoas.
No desenvolver desta burla, já com valores em mãos e de formas a garantir a confiança dos mesmos, o implicado marcou um encontro com os candidatos em um espaço baldio, arredores do município de Viana, como se fosse uma concentração policial, e distribui NIPs, extractos de promoção de patentes, deixando-os esperançosos sobre as unidades em que seriam colocados a posterior, como agentes da Polícia Nacional.
Emocionados, e não contendo a felicidade, alguns dos burlados disseminaram a informação até que chegaram a conclusão que todos foram alvos de burla, e de lá para cá o implicado vinha mantendo os seus telemóveis incontactáveis.
Apurados os factos, operacionais do departamento do SIC, em colaboração com a Policia Nacional, encetaram trabalhos de inteligência criminal, a fim de prender o acusado.
Intervenção de 2º Subchefe ‘estraga’ molho do quase general
Na quarta-feira, 21 do mês de Junho, aquilo que seria uma simples intervenção do falso polícia, acabou por estragar o disfarce que vinha mantendo durantes estes todos anos.
Uma abordagem de um polícia de trânsito afecto ao Comando Municipal do Kilamba Kiaxi, a uma viatura que fazia serviço de táxi, na Avenida Pedro de Castro Van-Dúnem Loy, onde estava Beny, ditou a detenção do suposto Superintendente-chefe.
Eram por volta das 14 horas e 30 minutos, quando o agente de trânsito, 2° Subchefe Manuel Jaime Luta, abordou a viatura de marca Toyota, modelo Hiace (Quadradinho), por má paragem, junto ao Supermercado Nosso Super, na Avenida Pedro de Castro Van-Dúnem Loy.
Na altura que o agente em causa procurava aferir a documentação do condutor, foi interrompido por Alberto Ferreira Tchendo Beny, alegando que era oficial da Polícia, e que por isso o agente a devia deixar a viatura em causa seguir o seu curso.
Acto seguinte, o agente pediu que este se identificasse. Com o passe do suposto oficial em mãos, o 2º Subchefe notou que algo estava errado, e em seguida pediu auxílio aos colegas da Ordem Pública.
Apercebendo do risco, irritado, o então Superintendente-chefe agarrou nas vestes (farda) do trânsito, questionando por que chamou os demais colegas, e em seguida colocou-se em fuga, tendo sido perseguido até a uma residência onde o mesmo evadiu e se escondeu debaixo de uma cama, onde foi alcançado.
Daí para o SIC foi apenas um passo, tendo sido descoberto toda jogada do falso polícia.








