Ossadas do motoqueiro encontradas no tanque de água desaparecem da Morgue Central de Luanda
Os familiares do moto-taxista que, em vida, se chamou Elias Kalume, cujas ossadas foram retiradas do interior de um tanque de água, no passado dia 04, denunciaram ao NA MIRA DO CRIME o desaparecimento dos restos mortais depositados pelo Serviço de Investigação Criminal de Cacuaco, na Morgue Central de Luanda.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku
Segundo o irmão do malogrado, a remoção dos restos mortais do seu ente-querido foi graças à intervenção da coordenadora do bairro, Isabel Wandi, que ajudou no pagamento da máquina para se retirar o tampo do tanque que impedia encontrar as ossadas.
"Os bombeiros, dias antes de removerem a parte dos membros inferiores prometeram voltar para se encontrar a parte dos membros superiores, mas já não voltaram alegando que estavam sem material e quem havia de se responsabilizar seria a coordenadora do bairro", contou, acrescentando que após ter sido removido o tampo do tanque e retirada a água, com ajuda de uma moto-bomba alugada, os efectivos dos bombeiros quando chamados, não aceitaram descer ao tanque para a recolha das ossadas.
Dai que, a coordenadora interveio e eles fizeram o trabalho.
O Serviço de Investigação Criminal convidou os familiares a chegar ao Comando Municipal de Cacuaco, para prestar alguns esclarecimentos ligados ao incidente.
No local, presenciaram uma viatura do SIC a levar as ossadas para Morgue Central de Luanda, sem que um dos familiares fosse permitido a acompanhar.
"Só saímos do comando às 22 horas; o agente que levou os restos mortais informou que o depósito foi feito na Câmara 3, e ficamos à espera dos próximos pronunciamentos da parte das autoridades", disse.
Passado três dias, à espera de algum comunicado do SIC, a família dirigiu-se ao piquete para informar que pretendiam realizar o funeral, e que, até naquele momento, não tinham recebido qualquer comunicado do SIC sobre o caso.
"O investigador que estava a seguir o referido caso ficou surpreso ao saber que ainda não tinha sido realizado o funeral, e assumiu que o seu colega tinha cometido um erro de não levar um dos familiares para acompanhar o depósito, e dar o devido tratamento dos documentos", revelou.
Preocupados, os familiares se dirigiram até à morgue, mas os ossos não estavam na gaveta 3, conforme a informação passada pelo SIC/Cacuaco.
Mais tarde, ficaram a saber de que as ossadas haviam sido retiradas da gaveta devido ao tempo, sem o pagamento de uma taxa.
"Ficamos chocados e muito agitados porque queríamos dar um enterro digno ao nosso irmão.
Por isso, não voltamos mais ao piquete do SIC, decidimos apenas desfazer o óbito e, quanto aos ossos removidos na primeira fase decidimos não mais falar do caso; somos pessoas sem influência, por isso fomos desprezados; se fossemos uma família de dinheiro não teriam feito isso connosco", lamentou.
Quanto aos vestígios de matéria do Crime, o NA MIRA DO CRIME sabe que as probabilidades apontam para um enforcamento, uma vez que foi encontrado uma corda de plástico em forma de nó no interior do tanque.








