Gestantes denunciam venda de Caderno Materno - infantil no Hospital dos Mulenvos
As mulheres gestantes que fazem as consultas no Centro de Saúde Materno-Infantil dos Mulenvos, localizado no município de Viana, estão totalmente agastadas pelo facto das enfermeiras daquela instituição hospitalar estarem a vender, ilegalmente, os Cadernos de Saúde Materno-Infantil.
Por: Cambundo Caholua
De acordo com as denunciantes, o referido centro, desde Fevereiro do corrente ano, que não faz a entrega gratuita dos cadernos que servem como guia de consultas pré-natal durante o período da gravidez, tudo porque as funcionárias, ou seja, as enfermeiras, para tirarem proveito, informam que o hospital não tem os cadernos, quando na realidade desviam para os vender, clandestinamente, pelo valor equivalente a mil kwanzas.
As enfermeiras, segundo as gestantes, nos casos das que ainda não têm cadernos, orientam às futuras mães a dirigirem-se ao “Laboratório de Análises Clínica Alcafonso”, privado, que situa-se próximo do Hospital, ou então a algumas farmácias nos arredores, onde o material se encontra em grande quantidade.
“Fora do Hospital nunca há falta do material e chega a custar ainda mais caro do que o preço que é dado pelas enfermeiras, variando entre 1.500 a 2.000 kwanzas cada exemplar”, disse uma jovem sem ser identificada.
Há ainda outro método que é usado, as enfermeiras obrigam as gestantes que não têm condições de comprar os cadernos a reproduzirem-nos, copiando dos originais.
“Demorei quase 6 meses para ter o caderno, aqui no Centro nunca têm, esperei por muito tempo. Usava uma cópia que as enfermeiras orientaram para fazer nas cónicas (lojas de cópias), mas depois tive mesmo que comprar um exemplar ao preço de 1.500 kwanzas para ter um melhor acompanhamento nas consultas pré-natal”, disse uma jovem grávida de 6 meses.
“Não tenho dinheiro para comprar um caderno, por isso estou a usar esta cópia”, revelou uma outra mulher gestada que, por não ter os 1.500 kwanzas, foi obrigada a fazer cópias para ter o controlo durante a fase de gravidez.
Este Jornal, foi ao referido laboratório e constatou a realidade da venda ilegal do Caderno de Saúde Materno-Infantil.
“O Caderno custa 1.500 kwanzas”, foi o preço que uma das funcionárias deu a equipa de reportagem quando lhe foi perguntado.
A surpresa foi mesmo ver um jovem, logo na entrada do Centro Materno-Infantil, isto é, no portão principal, a vender os cadernos também no valor de 1.500 kwanzas.
“Vendo a 1.500 kwanzas, isto não tem nada a ver com o hospital é o meu preço”, disse o jovem.
Questionado sobre quem lhe fornece os cadernos para venda, respondeu apenas o seguinte: “Não posso dizer”.
Direcção do Hospital “desconhece tais práticas”
O Na Mira do Crime ouviu a direcção do Centro Materno-Infantil dos Mulenvos, na pessoa do director clínico, Interino identificado apenas por Dr. Gildo.
O responsável disse que a direcção desconhece essas vendas ilegais de Cadernos de Saúde Materno-Infantil por parte de algumas enfermeiras, mas também não descartou a possibilidade de haver uma ou outra funcionária que incorre nessas práticas.
Por outro lado, garantiu a este jornal que tudo vai ser feito para localizar a aqueles que reincidem nessas práticas ilegais.
Quanto à venda dos cadernos fora da instituição, aquele responsável disse a este Jornal que não é da responsabilidade da direcção do Hospital fiscalizar tudo que acontece no exterior do centro, cabe aos órgãos competentes.
Recorde-se que, na capa do Manual de Saúde Materno-Infantil há uma observação com dizeres: “É proibida a venda deste caderno”.











