Empresa Karam suborna jornalistas para ocultar "maus-tratos" aos funcionários
Os trabalhadores da empresa Karam indústria Lda, localizada no pólo industrial de Viana, queixam-se de maus-tratos por parte dos patrões e falta de segurança no local de trabalho, o que tem provocado acidentes. Mas a empresa desmente, e, ao mesmo tempo, tenta subornar os jornalistas para não publicarem a versão dos funcionários.
Por: Kihunga Bessa
De acordo com funcionários, que falaram em exclusivo ao Na Mira do Crime, Karam é uma indústria pertencente a cidadãos de nacionalidade Indiana, que fabrica diversos tipos de materiais, dentre eles chapas, varões, cobre, alumínio e mobílias de madeiras.
Segundo Júnior Mavinga (nome fictício) um dos trabalhadores da referida empresa, há sempre acidentes graves naquela empresa, principalmente nas áreas dos fornos de produção de varões e alumínios em que, quando se usa motores para derreter, muitas vezes, termina em explosão que deixa muita gente deficiente dentre angolanos e expatriados.
Nelson Pedro, outro trabalhador, conta que um dos acidentes mais graves que houve na empresa foi em 2017, em que o forno de varões explodiu e causou a morte de pelo menos quatro pessoas.
Até hoje, as famílias das vítimas nem sequer foram indemnizadas. Este, por exemplo, explica ainda que o caso mais recente é de seu irmão que, por causa de um varão quente, perdeu o tornozelo direito há quinze dias.
Para ser assistido, o pai, que é polícia, tinha de ameaçar a direcção da empresa. "Se te acontecer um acidente e não tiveres alguém de direito que te defende, apenas te levam a um dos hospitais e te abandonam lá e prontos", revelam os funcionários.
Outros acusam os estrangeiros de agredir funcionários, caso falhem em alguma coisa. Outra situação "triste" que relatam são os salários baixos.
"Não é o facto de aceitarmos estes salários baixos que deve fazer com que brinquem connosco", advertiu.
Junto ao portão da referida empresa, há uma esquadra policial. E questionados se não se sentem seguros, estes responderam o seguinte: "Esta esquadra foi construída para ajudar os próprios estrangeiros, porque tudo que acontece na empresa a polícia sabe, mas nada faz. Mas se for um angolano que comete um erro é imediatamente detido".
Na manhã do dia 24 de Julho, a nossa equipa de reportagem deslocou-se até àquela empresa para ouvir os membros da direcção sobre as denúncias, mas estes remeteram-se ao silêncio e alegaram estar em uma reunião.
No entanto, na manhã desta terça-feira, 01 de Agosto, as equipas de reportagem deste jornal e da TPA voltaram àquela empresa para ouvir alguém ligado à direcção sobre as denúncias.
O chefe dos Recursos Humanos identificado apenas por Terêncio, negou todas as acusações e, sem gravar a entrevista, tentou subornar as equipas de reportagem do NA MIRA DO CRIME e da TPA com cem mil kwanzas, no sentido de não passarem a matéria e, deste modo, salvaguardarem os interesses dos expatriados.








