Trabalhadores acusam Eritreus da empresa Betna Alimentos de maus-tratos e assédio sexual
Entre assédio sexual, ofensas verbais, bofetadas, até uma cadeira de ferro foi arremessada contra uma funcionária que ficou lesionada, tem sido o ambiente na empresa Betna Alimentos, de Eritreus, que estão a ‘escravizar’ cidadãos angolanos
Por: Kiamukula Kanuma
Funcionárias da fábrica Betna Alimentos, indústria transformadora, Importação & Exportação, acusam a direcção da empresa liderada pelo Eritreu conhecido apenas por Zerite e comparsas como Daniel, Efraim e Cheto, de as assediar sexualmente, tocando inclusive nas partes íntimas, de as ofender verbalmente, por tudo e nada, tendo chegado ao ponto de pôr em risco a integridade física de uma funcionária, quando lhe foi arremessada uma cadeira de ferro, por reagir a um toque no seio.
A referida empresa, Betna Alimentos, está situada no Km 30, zona de desenvolvimento A, município de Viana, e é vocacionada no fabrico de Snacks e bolachas.
Com o NIF 5417586340, é acusada pelos trabalhadores de serem tratados pela direcção como animais irracionais.
Os expatriados, de nacionalidade eritreia, atropelam a Lei Geral do Trabalho, gabam-se de terem protecção de figuras ligadas ao Governo, entre outros desmandos.
“Pedimos encarecidamente que nos ajudem, estamos a ser maltratados, ofendidos, excluídos da empresa sem que os contratos de trabalho expirem, somos assediadas sexualmente pelos chefes eritreus, quando reclamamos passamos directamente para a lista negra”, denunciou um grupo de trabalhadores ao Na Mira do Crime, pedido ajuda das autoridades.
Os denunciantes afirmam que são também violentados fisicamente, “batem, dão bofetadas, temos o caso da colega Biavanga António que ficou defeituosa por lhe terem arremessado uma cadeira de ferro nas nádegas pelo chefe Daniel, supervisor, por ter reagido quando lhe tocaram no seio, ainda por cima, com crueldade, despediram a colega”, descrevem.
O mais “ngombidi” é o Cheto
De acordo com uma trabalhadora, “o Cheto é o mais perigoso, o abusivo e que mais bate no traseiro das mulheres; basta levantares a cabeça e está logo a convidar com gestos obscenos; até já lhe demos o nome de tarado sexual, segue-se o Efraim e o Zerite”, detalha.
Neste momento esta em vigor uma onda de despedimento colectivos, com argumentos de que a empresa esta com pouca produção, emitindo cartas de suspensão temporária que vão de três a seis meses, sem remuneração.
Os abusos vão ao ponto de uma funcionária da área de produção, com contrato para este fim, é colocada a fazer serviços de desentupir fossas, varrer a rua ou na lixeira.
Os salários não passam de 45 a 47 mil kwanzas, para todos funcionários, desde a limpeza à fábrica.
Marlene Baltazar disse que trabalha a um ano e três meses na fábrica mas, “o meu nome também constou da lista de suspensão de 15 dias; os argumentos são os mesmos: a empresa está com baixa produção.
Após o meu regresso retiraram-me da fábrica e colocaram-me na limpeza de esgotos; 15 dias depois fomos chamados e anunciaram nova suspensão”, acusa a cidadã, acrescentando que, “para meu espanto, no dia 02 de Agosto, ao observar a minha conta bancária, tinha apenas metade do salário, 26 mil dos 47 mil Kz que ganho, descontaram logo 21 mil Kwanzas, o meu caso é igual aos demais, paralisamos e pedimos para conversar”.
PIR foi chamada para reprimir?
De acordo com as entrevistadas, a direcção da Betna Alimentos, colocou uma viatura da Polícia de Intervenção Rápida (PIR), com homens armados, para intimidar os trabalhadores, quando reclamavam apenas os seus direitos.
“Questionamos os polícias a razão de terem sido chamados, e logo logo a PIR, quando há uma Esquadra aqui no Km 30 e nós não estávamos a fazer arruaça, apenas discordávamos dos avultados cortes que sofremos no salário sem explicação”, realçou.
Entretanto, o Na Mira do Crime deslocou-se à fábrica Betna Alimentos na segunda-feira (07), às 12 horas para aferir a veracidade dos factos.
Depois de nos identificarmos na portaria, minutos depois fomos informados que não seríamos atendidos porque os responsáveis da fábrica encontravam-se ocupados.








