Lesado tem 71 anos- Juízes do Lobito acusados de reter mais de 51 milhões de kwanzas de oficial das FAA na reforma
Um oficial das Forças Armadas Angolanas (FAA) na reforma e cadeirante de 71 anos de idade, Francisco Guedes, atravessa inúmeras dificuldades de saúde por causa dos supostos juízes dos tribunais do Lobito que acusa de pretenderem apropriar-se do seu dinheiro.
Por: Kihunga Bessa
De acordo com o lesado, que falou à nossa reportagem com lágrimas nos olhos, trata-se dos Juízes Ramos Barros e Sónia, do tribunal de Lobito, e Inglês Pinto, advogado, acusados de fazerem vida cara ao oficial das FAA, mesmo depois de ter ganho a causa contra outra parte.
Conta o nosso entrevistado que, por causa de algumas irregularidades que aconteceram nas negociações feitas com uma empresa Italiana, Intertransportes MATEBA, contratada por ele e que prestava serviços de desalfandegamento de 35 contentores de feijão, do porto de Luanda para a região sul do país com a finalidade de distribuir aos deslocados e refugiados, nos anos de 1995, em que a sua empresa foi lesada, o senhor Francisco terá instaurado um processo no tribunal do Lobito, onde, depois de tudo e com toda documentação legal, ganhou a causa.
Ao longo destes anos, o lesado sentiu-se injustiçado ao ver que, mesmo diante da situação bem clara, os juízes acima indicados continuavam a dar rodeios no atendimento do acórdão do Tribunal Supremo que obriga a outra parte a pagar a dívida, na altura, de Akz 51.578.028.00.
Em Dezembro de 2009, a empresa transferiu apenas Akz 5.520.000.00 para a conta do Tribunal, dinheiro que, mesmo assim, não terá chegado às mãos do lesado.
Em 2013, Francisco e o seu advogado voltaram a solicitar ao Tribunal Supremo as razões do não cumprimento do acórdão.
Francisco Guedes informou que no dia 30 de Junho do ano em curso, a empresa Italiana Intertransportes MATEBA, liquidou a dívida para a conta do tribunal do Lobito, num valor de 51.578 028 no câmbio anterior, mas, mesmo assim "até à data presente", nada foi transferido para a conta do lesado, que tanto precisa para resolver o problema de saúde.
E dentro destas barreiras, as suspeitas do cadeirante são de que há envolvimento político de pessoas erradas neste caso.
Ele sabe, por exemplo, que a senhora Maria Augusto Rodrigues é membro da CNE a PCA da lntertranportes/MATEƁA. Por lei, disse, ela não devia exercer a advocacia.
Devia deixar a advocacia apenas ao Inglês Pinto, ex Bastonário da ordem. "Assim, conforme as coisas se apresentam, se compreende o provimento que o juíz concede a todas as suas petições e o exercício que é feito para retardar a execução”.
Francisco Guedes clama por um órgão de tutela que vele pela solução desta situação, a fim de ver o seu problema de saúde resolvido.
Este jornal tentou contactar o advogado Inglês Pinto, via telefone, durante todo dia desta quarta-feira, 23, mas sem sucesso.








