Descontrolo total na distribuição de apartamentos: Quem fiscaliza Isaías Kalunga nos ‘negócios’ das centralidades?
O Presidente do Conselho Nacional de Juventude (CNJ), Isaías Kalunga, desde que recebeu o ´brinquedo’ dos apartamentos das Centralidades espalhadas um pouco por todo país, em particular em Luanda, tem estado a ‘distribuir’ apartamentos de forma nebulosa, sem que para isso haja uma intervenção dos órgãos de justiça do país, que deixam que estes bens públicos sejam controlados por jovens que não têm em conta o princípio de igualdade entre todos, e por isso, facilitam a entrega a amigos, lambe-botas e amantes, deixando centenas de jovens que até possuem recursos, sem o mínimo de possibilidade para aderir a uma residência condigna, construída com fundos públicos.
Por: Na Mira do Crime
Recentemente, Kalunga garantiu ter recebido luz verde do Governo, através do Ministério das Obras Públicas, Urbanismo e Habitação (MINOPUH), para a aquisição de 8.000 novos apartamentos em 2023, que serão destinados à juventude das províncias de Luanda, Huíla e Benguela. Os critérios para distribuição continuam nos segredos dos deuses.
Segundo o Novo Jornal, Kalunga fez estas afirmações em Luanda, a propósito da sua participação no Fórum de Jovens da CPLP, que decorreu no Brasil.
O responsável do CNJ não precisou o mês para a conclusão das obras, mas garantiu que a entrega dos novos apartamentos à juventude será no próximo ano (2024).
Segundo o líder do CNJ, 6.000 apartamentos serão entregues em Luanda, 1000 na Huíla, e outros 1000 em Benguela.
Braço de ferro com Ministério da Juventude
Em Janeiro do ano em curso, o Ministério da Juventude e Desportos (MINJUD) na pessoa do secretário de Estado da Juventude, Francisco Boaventura Chitapa, disse que o CNJ deixaria de beneficiar, a partir do próximo ano, as verbas do Orçamento Geral do Estado (OGE) por não estar a cumprir o seu papel estatutário.
O governante acusou o CNJ de estar a usurpar competências do Instituto Angolano da juventude (IAJ).
Segundo Francisco Boaventura Chitapa, o Ministério da Juventude e Desportos advertiu o CNJ para que cumpra o seu papel estatutário, que é dinamizar o movimento associativismo angolano.
"O Instituto Angolano da Juventude deve dinamizar e realizar as políticas do Estado para a juventude", disse o secretário de Estado.
No entanto, mesmo sem fiscalização do MINFIN ou de quem de direito, verdade é que o CNJ continua a movimentar ‘milhares de kwanzas’ sob pretexto que estas actividades estão viradas para a juventude.
Em 2020, o presidente do CNJ disse, durante uma audiência com os deputados da 7ª Comissão da Assembleia Nacional, que a verba de dez milhões de kwanzas que recebem do Orçamento Geral do Estado é um "irrisória".
"Dez milhões nem chegam sequer para pagar a dívida de 29 milhões de kwanzas do mandato anterior. Este valor, sem querer menosprezar, é para realizar uma ou duas actividades. Assim, matamos indirectamente a instituição", disse Isaías Kalunga na ocasião.
Na altura, o líder do CNJ disse aos deputados que a organização que dirige precisa de mais de 400 milhões de kwanzas para o seu normal funcionamento.
No entanto, o secretário de Estado da Juventude, Francisco Boaventura Chitapa, assegura que a missão do CNJ é ser plataforma de concertação social para análise dos problemas da juventude que depois devem ser apresentados ao Ministério da Juventude e Desportos.
Desbravando Kalunga
As políticas sociais em Angola vão de mal a pior, porquanto, dirigentes responsáveis por agilizar e/ou resolver os problemas que mais afligem os cidadãos, aproveitam-se para conturbar ainda mais as situações, fazendo-se passar por “salvadores da Pátria”, obtendo para si mesmos os maiores benefícios.
Um desses “chicos espertos”, que está a deixar a sociedade por demais agastada, é Isaías Kalunga, presidente do Conselho Nacional da Juventude (CNJ).
O presidente do Conselho Nacional da Juventude (CNJ), Isaías Kalunga, tem sido descrito negativamente, tanto por cidadãos singulares, como por diversas organizações juvenis, de carácter político e da sociedade civil, pelos malabarismos com que lida com os problemas sociais, não só da juventude, mas também com os das famílias, que acabam por ser lesadas com as sujas jogadas de “chiquito” que se acha empoleirado no galho mais alto e não pode ser atingido.
Nos últimos dias, várias são as acusações contra Isaías Kalunga, que é, sobretudo, apontado como um indivíduo dúbio, mentiroso, de carácter rasteiro, que, para obter o máximo de benefícios, não se importa de criar cenários que lesem seja quem for que cruze o “seu caminho”.
Uma das situações que prejudica drasticamente grande parte das famílias angolanas, agravada pela guerra que devastou o país por mais de duas décadas, é a falta de residências.
Entretanto, para minimizar essa aflitiva situação, o Governo angolano, ao longo dos anos, principalmente depois de alcançada a Paz, em 2002, dinamizou a construção de novos bairros habitacionais e de várias centralidades em diversas capitais provinciais e outras cidades, com destaque para a província de Luanda.
É precisamente esta a questão que, de um tempo a esta parte, tem levantado muitas dúvidas e motivo de acusações entre dirigentes e instituições do Estado, pelos aproveitamentos que obtêm ao favorecer alguns indivíduos e/ou grupos, em detrimento da maioria de cidadãos necessitados, na distribuição das residências, muitas das quais já prometidas pelo Estado.
Como tem sido referido por diversas fontes da sociedade, o processo de distribuição das referidas residências naquela centralidade, está repleto de vícios, dentre os quais corrupção e favoritismo.
Kalunga, no que toca às residências destinadas à juventude e à cidadãos que muito contribuíram para o país mas que até aos dias actuais não possuem casa própria, tem optado em favorecer amigos e gente que o apoiou quando da sua eleição para presidente do Conselho Nacional da Juventude (CNJ), entre outros bajuladores, assim como alguns supostos jornalistas (mercenários), alguns dos quais são detentores de 10 apartamentos, tanto na Vida Pacífica, como em outras centralidades, tal como na do Sequele, do Kalawenda, Marconi e do KK5000.
Um ex-dirigente juvenil do MPLA, actualmente administrador municipal de um dos municípios até então tido como o mais populoso, é igualmente apontado de estar “mancomunado” com Kalunga e de ser um dos maiores aproveitadores do “esquema” de apoderamento, trespasses e vendas ilegais de apartamentos nas diversas centralidades.
Tal como o seu comparsa, é apontado de possuir mais de 20 apartamentos e moradias. Nesta onda de malabarismos, em que Isaías Kalunga, a nível do CNJ, tem-se passado por “rei” e “dono absoluto da razão”, instalou um sistema de divisionismo, incrementando o ódio entre diferentes instituições que integram o CNJ.
Este jornal tem registo de andares atribuídos a familiares e amigos do CNJ, sem que para isso houvesse o mínimo de critério de escolha.
A própria JMPLA foi “demitida” por Kalunga que a ofuscou até no seio do próprio partido de que é o “braço juvenil”.
A JURA, organização juvenil do partido UNITA, abandonou recentemente o CNJ, acusando-o de ser instrumentalizado pelo partido no poder MPLA.
A este propósito, a sociedade criticou a JURA por entregar o “ouro ao bandido”. A presença da JURA no seio do CNJ, fazendo parte dela, concordando com o que ache correcto, discordando com situações impróprias, chamando a atenção para atropelos ao seu estatuto e deveres, é que seria fundamental para impedir ou, ao menos, minimizar os “estragos” que a actual condição do CNJ de “departamento juvenil” do MPLA possa causar à democracia e à juventude angolana em si.
Na mesma esteira, Isaías Kalunga alardeia que “a JURA pode sair porque não faz falta”. Tal afirmação só pode vir de um dirigente juvenil míope, sem dimensão nacional e desconhecedor da realidade actual do país.
Kalunga, que se julga “todo-poderoso”, não sabe que a JURA é simplesmente das maiores forças juvenis do país, se não for mesmo, hoje por hoje, a maior congregação de jovens a nível nacional, em função também da preocupante situação económico-social que o país atravessa e a juventude tem sido a principal prejudicada.
Contra factos, concretos, não há argumentos. Os grandes pensadores e estrategas preferem ter os seus adversários por perto, para lhe conhecer as manhas, as pretensões e formas de actuação, para poder estar sempre a altura de contrapor em caso de necessidade.
Por outro lado, a actuação de Isaías Kalunga vai contra as orientações do Presidente da República, João Lourenço, que as ofereceu à juventude e não para favorecer a si próprio, amantes, amigos e seus “lambe-botas”, impedindo o sonho de outros jovens no acesso à casa própria.
Diversos apelos têm sido feitos pela sociedade para que se retire a responsabilidade à Isaías Kalunga na distribuição das residências, por suspeitas de incumprimentos durante o processo.
Desde que o Presidente da República, há cerca de um ano, deu 40 dias úteis ao Conselho Nacional da Juventude (CNJ) para resolver os problemas dos jovens que insistentemente se manifestavam por inúmeras preocupações, dentre elas o desemprego, que a situação continua em “banho – maria”.⠀
Recorde-se que uma semana antes das eleições gerais de 24 de Agosto do ano passado, o Instituto Nacional da Habitação (INH) entregou um edifício com 112 apartamentos ao CNJ, no âmbito do programa de fomento habitacional do Executivo, no complexo Vida Pacífica no Zango zero. Contudo, os critérios para a selecção dos jovens na aquisição de um apartamento nesta urbanização nunca foram tornados público.
O que estranha é que, mesmo diante das muitas acusações, atropelos à lei, sujando a imagem do Presidente da República, manchando a reputação do Governo e do partido no poder MPLA, nem a IGAE, nem o SIC e demais autoridades policiais e judiciais se pronunciam e os infractores continuam a desfeitear a ordem, a justiça, a tranquilidade e a passar a infame mensagem à sociedade de que tudo podem e são intocáveis.
O Conselho Nacional de Juventude é uma plataforma apartidária que goza de personalidade jurídica própria, sem fins lucrativos, constituída por 51 organizações juvenis membros efectivos, 150 parceiras, entre as quais, filantrópicas, políticas, estudantis, desportivas e culturais de âmbito nacional, assim como 18 Conselhos Provinciais.








