Bento “burlador” Kangamba – O general e empresário trambiqueiro uma vez mais acusado de corrupção
Na sequência do bombástico e polémico comunicado Nº 31 da Federação Angolana de Futebol (FAF), além dos aspectos desportivos, salta à vista um facto preocupante e reincidente: por mais uma vez, o dito general, político e empresário, Bento Kangamba, é acusado de envolvimento em corrupção.
Por: Na Mira do Crime
O comunicado 31 da FAF, que num “abrir e fechar de olhos” tornou-se o documento mais “badalado” de que se tem memória nos anais do desporto angolano, em geral, e do futebol, em particular, idependentemente de justo ou injusto e das razões que motivaram a sua concepção e divulgação, verdade seja dita, prestou um mau serviço ao país.
O assunto, que estremeceu o país até aos seus alicerces e está a ser motivo de análises e opiniões aos mais variados níveis, em meio a todos aspectos, principalmente negativos, que podem ser aferidos do referido comunicado, a questão que não quer calar é: Quem protege afinal Bento Kangamba, fundador e presidente do clube Kabuscorp do Palanca?
O homem é uzeiro e vezeiro em repetidas acusações de casos de corrupção, nomeadamente burla por defraudação, usurpação de terrenos e projectos para a juventude, como foi o caso do “Projovem”, entre outros.
Sendo um general, apesar de na reserva, como se tem alegado, faz parte de uma elite castrense de honra, símbolo histórico das Forças Armadas Angolanas e do país, que deve ser exemplar e pugnar pela dignidade da Pátria.
Igualmente, é membro das altas esferas do partido que governa o país, político que tem tido a missão de interagir e mobilizar as massas populares, em benefício do seu partido, MPLA.
É ainda considerado empresário de alto escalão e dirigente desposrtivo, proprietário do Kabuscorp Sport Club do Palanca, vencedor em 2013 do Campeonato Nacional, Girabola, e da Supertaça de Angola de 2014.
Uma das suas “fífias” no futebol aconteceu quando o Kabuscorp terminou o campeonato em quarto lugar, mas foi despromovido da primeira divisão porque o clube devia salários a Rivaldo, ex-craque do Barcelona e da seleção brasileira de futebol. Um caso que teve que ser resolvido a nível da FIFA.
Ostentando a sua riqueza, Bento Kangamba queria a todo custo ganhar o Campeonato Nacional de futebol e, para tal, também numa demonstração de vaidade, foi buscar figuras do desporto de projeção mundial e continental, mesmo em fim de carreira, como foi o caso do brasileiro Rivaldo e do congolês Trésor Mputu Mabi, que ganharam em Angola uma fortuna no tempo em que o país ainda “nadava” em petrodólares.
De polémica em polémica, em 2013, Kangamba foi acusado de ser o destinatário de cerca de cinco milhões de dólares transportados numa mala, que foram apreendidos pela polícia francesa. Na altura, o empresário refutou as alegações.
Também foi ainda acusado pela Justiça brasileira de tráfico de mulheres para exercer prostituição em Angola, tendo sido ilibado em Junho de 2014, por alegada falta de provas, apesar de algumas das casas onde funcionavam as expatriadas serem conhecidas, como a que funcionava na Vila de Viana.
Mais recentemente, em Fevereiro de 2020, Bento Kangamba foi detido no Cunene, junto à fronteira com a Namíbia, por suspeita de "crime de burla por defraudação", porte de arma de fogo e alegada tentativa de fuga.
Segundo uma fonte judicial, citada então pela comunicação social, o homem transportava o equivalente a cerca de dez milhões de dólares que lhe teriam sido entregues para financiar uma campanha do seu partido, MPLA.
Contudo, no seio da classe de generais, tem-se questionado se “Kangamba é general de onde?”, afirmando-se que “foi tirado da cadeia e transformado num general”.
Bento dos Santos Kangamba começou a ficar “famoso” quando ainda era um oficial de patente média ligado à logística das Forças Armadas, desviava bens alimentares e outros, da logística militar para os mercados informais, nomeadamente o então “célebre” mercado Roque Santeiro.
Nessa senda, acabou por aliciar uma série de cambistas de moeda, a quem burlou em milhares de dólares. Na sequência deste crime foi julgado e condenado a vários anos de cadeia.
Contudo, volvidos dois anos, foi solto e começou a aparecer, já como general, na ribalta das elites no poder, a pontos de ter contraído matrimónio com uma sobrinha do falecido Presidente José Eduardo dos Santos.
Daí por diante, entre acusações de crimes de burla, são muitos casos controversos em que Kangamba tem estado envolvido.
Agora é acusado pela FAF de corrupção por “comprar” resultados para que a sua equipa ascendesse à primeira divisão, falsificando a verdade desportiva.
Bento Kangamba tem sido considerado por experientes analistas como "uma figura bastante polémica, controversa e enigmática", que tem estado sucessivamente na mira da Justiça.
O que tem levantado dúvidas e muito se especula, é a verdadeira dimensão dos negócios de Kangamba, de que não se compreende se está ligado ao comércio, indústria, agrpecuária, pescas, enfim, além da equipa de futebol, ninguém conhece uma empresa do dito general.
Recorde-se que, em finais de 2011, o nome de Kangamba foi também associado ao alegado recrutamento de "caenches", indivíduos fisicamente avantajados e treinados em luta, que espancaram manifestantes que exigiam a renúncia do antigo Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos.
Naquela altura a influência de Kangamba era grande e ficou conhecido como o empresário da juventude por ter sido patrocinador de eventos culturais no país, o que levanta mais dúvidas, porquanto, não se conhece de onde provem o dinheiro e não cria empregos. “Ao que tudo indica, é um indivíduo que sempre se beneficiou de algum benefício obscuro do poder na perspectiva política e de enriquecimento".
Os analistas consideram que “todo o dinheiro quando avulta, quando é de grande importância, por norma, carece sempre de alguma explicação sobre as suas origens no quadro do princípio da transparência", acrescentando que, tanto as Forças Armadas Angolanas, o partido no poder, MPLA, quanto as demais instituições de soberania do Estado angolano, acabam por sofrer as consequências e ficam sujas por ter um indivíduo desse calibre no seu seio”.
“Um general burlão, um político de baixa visão intelectual, um empresário embusteiro, que se esconde em alegadas benfeitorias às famílias e populações carentes, para desviar a atenção da sociedade dos seus crimes não pode nem deve continuar impune”, referem.
Sobre os “feitos” de Kangmba há muitas pontas soltas que podem e devem ser com urgência atadas, para que o indivíduo seja responsabilizado. A Procuradoria Geral da República (PGR) deve tomar a peito o assunto.
Não se pode permitir que um indivíduo que faz e desfaz, alardeando ser general, empresário “da pimpa”, continue a sujar as instituições do Estado, mancha o país e ainda por cima gaba-se que nada lhe pode acontecer.
As investigações, sérias, isentas de compadrios e “ordens extras”, devem ser levadas a cabo para que se remeta “o réu à cadeia”!











