Pascoal Mavinga “Kipas: Conheça o médico acusado de negligência médica no Hospital Américo Boavida
O Na Mira do Crime desdobrou-se em investigações no interior do Hospital Américo Boavida, e conseguiu descobrir a identidade do médico acusado de não prestar assistência médica ao jovem de 25 anos de idade, que morreu nas primeiras horas desta terça-feira, 19, junto ao portão principal do referido hospital, depois de ter recebido alta sem antes ser prestado algum auxílio.
Por: Ngunza Chipenda e Lito Dias
Pascoal Mavinga, também conhecido por “Kipas”, que se encontra sob custódia do Serviço de Investigação Criminal (SIC), é o médico interno do Hospital Américo Boavida, acusado de ser o causador da morte do jovem, que deu entrada na unidade hospitalar com queixas de cefaleia.
Na noite de terça-feira, 20, a direcção do Hospital fez sair um comunicado que dava conta da suspensão de toda equipa médica, assim como a detenção do referido médico.
A par do Hospital do Cajueiros, o Américo Boavida é das unidades sanitárias em que os pacientes mais reclamam do mau atendimento dos profissionais de saúde, que na maior parte saem impunes, mesmo depois das negligências ceifarem vidas humanas.
Dístico sobre restrições no Américo Boavida pode crucificar a direcção do Hospital
Como é da praxe, bastou morrer alguém por negligência médica para a direcção do Hospital (se for estatal) mexer-se e tomar medidas deveras.
Entretanto, no caso do jovem que faleceu esta segunda-feira às portas do Hospital, um dístico colado aí mesmo naquela unidade hospitalar mostra que alguns serviços não estavam a ser prestados.
O assunto não passou despercebido à classe política que reagiu de forma mais energética contra a morte do cidadão que, segundo a família, morreu vítima de complicações resultantes de uma agressão sofrida da polícia, nas proximidades do mercado de São Paulo.
Horas depois do seu falecimento, a única informação que circulou é a de que os seguranças e os maqueiros não permitiram que ele entrasse, alegando estarem a cumprir uma ordem da direcção do hospital que restringia os serviços a determinadas áreas.
Mais tarde, veio a informação oficial, baseada nas imagens do sistema de videovigilância que indicam que o médico em serviço, além de não ter prestado qualquer assistência médico-medicamentosa, mandou os familiares levarem o paciente para fora da unidade hospitalar, tendo o infeliz chegado a óbito minutos depois, na área adjacente ao hospital.
O médico, na lógica da direcção, não terá informado, provavelmente, os restantes profissionais do turno, muito menos o supervisor em serviço, sobre a presença de um doente em estado grave.
No entanto, há alguns dias, a direcção do Hospital mandou afixar um dístico onde estavam as informações sobre as restrições impostas à luz do processo de reabilitação da infra-estrutura.
Como se pode ver na foto, "o Banco de Urgência está fechado", pelo que os doentes com febre, hipertensão, tosse e gripe "devem dirigir-se a outros hospitais mais próximos".
O mesmo dístico espelha que "o Banco de Urgência está em funcionamento para atendimento dos seguintes casos: quedas, acidentes, feridas, fracturas e dificuldade para urinar". Assim, esta informação ou iliba o médico em serviço, ou inclui no pacote deste toda a direcção do Hospital.
Em Maio de 2021, a ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, exonerou a direcção do hospital Américo Boavida, até aquela data liderado por Agostinho José matamba, e para o substituir, nomeou o cardiologista Mário Fernandes.
As movimentações surgiram dias depois da circulação de imagens e vídeos nas redes sociais que mostravam o Hospital a rebentar pelas costuras, com pessoas deitadas no chão nas urgências.








