No KILAMBA KIAXI: Administradora acusada de “usurpar” mercado por ser a galinha de ovos de ouro do município
Cecília Xavier, de 60 anos de idade, acusa a Administradora municipal do Kilamba Kiaxi, Naulila Masusa Fernandes Andreia de ter “usurpado” o mercado do Golf II, alocado num espaço de 4 hectares, desde 1980.
Por: Kiamukula Kanuma
A queixosa diz que o referido espaço é propriedade da família Fragoso Xavier ( seu pai), onde sempre exerceu actividade agrícola, reconhecida pela União Nacional dos Camponeses Angolanos (UNACA) desde 1977.
Disse ainda que, em 2017, Naulila Andreia quando foi nomeada como Administradora do município do Kilamba Kiaxi, o mercado despertou-lhe interesse e “usurpou” apenas os 180x40m que compõe o mercado deixando as lojas e a residência ambas construídas pela proprietária Cecília Xavier no mesmo espaço.
Cecília Xavier recorreu ao Na Mira do Crime para denunciar a “ambição” de Naulila Andreia Administradora do Município do Kilamba Kiaxi.
“Os meus pais assim como todos que adquiriram espaço aqui no Golfe, adquiriram através da família Fontes Pereira que talionou e vendeu, antes chamava-se Velho Chico”, disse.
“Estamos a falar de 1977, em 1987 foi quando surgiu os franceses para construírem a Vila Estoril eu já tinha 24 anos de idade acompanhei, hoje vêem sei lá de onde apossam-se do espaço? Isso é uma injustiça…”reclama.
“Vivo aqui há 32 anos, depois dos meus pais terem falecidos, dei tratamento do espaço, construí a minha residência, em 2015 a actividade agrícola aqui já não se justificava, entulhei, passei betão e transformei o espaço em feira da Vila Estoril. De feira evolui para mercado por não termos um neste perímetro, era coberta de luandos na altura, não tardou veio o Instituto Nacional de Estradas de Angola (INEA), contactou-me para colocar os pilares da pedonal. Desde então sempre contactei as administrações cessantes no sentido de legalizar o mercado mais colaboravam apenas com o auxílio da fiscalização e a exigência do pagamento de metade das cobranças das fixas dos feirantes”.
Em Janeiro do ano em curso, conta, Naulila Andreia efectuou uma visita de constatação no espaço e no dia 07 de Fevereiro, Cecília foi recebida pela Administradora para conversa.
“Julgava eu que era para legalização, e como resposta disse-nos que não era da sua competência e que poderia aguardar para receber autorização do Governo Provincial de Luanda (GPL)”. Cecília Xavier disse mais: Enquanto isso, no dia 31 de Março, a Administradora enviou o director do Comércio a convidar-me a abandonar o mercado feito por mim e no dia 01 de Abril enviou uma equipa da Administração com a Polícia e escorraçaram-me injustamente do espaço recebendo as chaves do escritório.
Mercado rende Kz 400 mil por mês
Cecília explica que o mercado está com 800 feirantes todas contribuem com Kz 500,00 diário.
“Nós depositávamos no RUPE 50 por centos das receitas arrecadadas, tenho as minhas dúvidas se esta gestão também faz os depósitos no RUPE dentro destes seis meses”, insinuou.
“No espaço ainda tenho lojas, restaurante e a minha residência, e por que não receberam também se o espaço de 180x40 está a minha residência e lojas?” pergunta-se, acrescentando que está com 60 anos de idade e tem uma família enorme.
“Sou a Mana mais velha de 8 famílias de irmãos, todos sob minha responsabilidade, de repente retiram-nos o mercado que nós criamos? A seis meses que vi-me desempregada do meu próprio estabelecimento, como empreendedora, e por ter retirado centenas de senhoras da rua, a administração deveria ter consideração e respeito por pessoas como eu, peço encarecidamente a intervenção do senhor Governador Manuel Homem”, pediu.
O Na Mira do Crime contactou por via do telefone Sérgio Camões, Administrador Interino do Distrito do Golfe. Depois de nos ouvir atentamente, remeteu-nos ao responsável da Área do Comércio, este, por sua vez disse-nos que a senhora não é legal e justificaria. Passados 20 dias não obtivemos retorno.








