Trabalhadores portugueses acusam patrão de diversos crimes de corrupção e de subornar a Justiça angolana
Qualter Alves Camelo, empresário de nacionalidade luso-angolana, está a ser acusado de corrupção activa, falsificar contratos, vistos de trabalho do SME, impostos do I.R.T, fuga ao fisco e pesa sobre ele o processo nº 470/16-G, supostamente arquivado por suborno.
Por: Kiamukula Kanuma
Rui Luís Perreira Ferreira e Fernando Paulo Correia, cidadãos portugueses e ex-trabalhadores da empresa Agrinsul Comércio Indústria de Máquinas e Equipamentos S.A, com sede na rua do Observatório Andala Mulemba, município de Cacuaco, representada pelo sócio-gerente luso-angolano Qualter Alves Camelo, em declarações ao Na Mira do Crime, revelaram que entraram em Angola no dia 25 Abril de 2010, subcontratados pela empresa Organizações Hidrosabios para executar obras da empresa Agrinsul”.
No término das obras da Hidrosabios, contam, a empresa Agrinsul na pessoa do senhor Qualter Alves Camelo, “firmou contrato connosco com promessa de renovar os vistos e adquirir novo contrato sem termos de regressar à Portugal por conta da Agrinsul”.
“Assinamos novos contratos de trabalho eu (Rui) e o Fernando Paulo, do outro lado estava a Dra. Isabel, assistente pessoal do senhor Qualter Camelo; passados sete meses apenas, a mim (Rui), recebi o passaporte com os vistos de trabalho, já da empresa Agrinsul directamente do senhor Qualter Camelo”.
Contratos aldrabados
Rui Luís descreve que os contratos enviados ao Serviços de Migração e Estrangeiros (SME) rezavam USD 7000 (sete mil dólares) para ele, mas só recebia USD 3000 (três mil dólares) e para Fernando Paulo rezava USD 4000 (quatro mil dólares), mas davam-lhe apenas USD 1,500 (mil e quinhentos dólares).
“Trabalhamos para ele 7 anos e pagou-nos apenas um ano, assistência médica, alimentação e o aluguer do Hotel Mulemba, nisso o seu motorista apoiava-nos. Entretanto, só a mim (Rui) me foi entregue o passaporte em 29 Setembro de 2010; ao Fernando Paulo nunca, até hoje; ficamos quatro anos sem salários, sempre na defensiva, a relação comunicativa persistiu, o patrão dava garantias que havia de pagar, depois desvinculou-nos aos dois”, explicou.
O trabalhador português afirma que a dívida que a empresa tem com ele está estimada em 488 mil dólares, sem acrescer as indemnizações; ao Fernando Paulo são 218 mil dólares.
“Digo-lhe e provo o que digo, tenho a documentação completa, entre transferências e depósitos de alguns pagamentos que efectuava e ainda disse em tribunal que não nos conhece”.
Rui Ferreira disse mais ao Na Mira do Crime: “deixa-me dizer-lhe, o Qualter Alves Camelo rouba a todos angolanos nas diversas empresas como a Agrinsul, Dimetal, Transgás, Opsany, Organizações Pro-Angola, Bloco de Representações, Plexo, é dono da residência que está construída dentro das instalações das oficinas dos Caminhos de Ferro de Luanda, onde reside o Hernâni Cabral, seu sócio, e ainda no espaço todo onde está a Esquadra policial do Bungo, instalou o seu condomínio de luxo. É dono de três mansões distribuídas entre Benguela, Sumbe e Luanda, e tem uma Fazenda no Km 52, via de Catete, de 100x100”, referiu.
Juíza estranhamente arquiva processo nº 470/16-G
De acordo com os entrevistados do Na Mira do Crime, Marlene de Castro Paiva, Juíza de Direito do Tribunal da Comarca de Belas da Sala de Trabalho da 2ª Secção, em apenas uma sessão de julgamento, depois de ouvir os advogados das partes, enquanto se aguardou um ano para a segunda sessão, para espanto dos envolvidos, arquivou o processo.
“A minha advogada veio dizer-me que a Juíza, sem ler sentença, comunicou-lhe que eu tinha perdido a causa, aquilo nunca foi e não é julgamento em parte alguma do mundo, isso é lamentável”, lamentou, acrescentando que, no recurso, “observei que o processo nº 470/16-G, estava eivado de falsificações e muitas folhas em falta, então eu com email’s, recibos de pagamentos do BFA, desde 2012 que a Agrinsul fazia-nos pagamentos de serviços prestados, mesmo assim os advogados do Qualter Camelo mentiram descaradamente em Tribunal, dizendo que não conheciam o Fernando Paulo e a mim conheciam-me vagamente, mas então a Juíza guiou-se em quê?”, interroga.
A vítima constituiu outra advogada e tentou recorrer, pediu à Juíza Marlene Paiva para rever o processo, mas a Juíza não lhe deu o processo.
“Acreditamos que ela o levou para casa, e isso é crime”, adverte. Contactado Qualter Alves Camelo, na companhia do seu advogado, Dr. Sérgio Raimundo, na segunda-feira 25 de Setembro, às 16 horas, refutaram todas as acusações considerando-as falsas declarações.
“Este processo já teve o seu término, em que o meu constituinte, Qualter Camelo, saíu vitorioso”, alegou Sérgio Raimundo, pontualizando que “todos estes contratos que diz falsificados nos Serviços de Migração e Estrangeiro (SME) e LGT constam do mesmo processo nº 470/16-G, agora o acusante deve provar o que diz”.
Quem é Qualter Camelo Qualter Alves Camelo, de 77 anos de idade? Casado e natural de Braga – luso-angolano, titular do Bilhete de Identidade 000129716OE031, sócio maioritário do Grupo Agrinsul Comércio e Indústria de Máquinas e Equipamentos S.A, com o NIF540104135, proprietário das empresas: Transgás S.A; Dimetal – Sociedade Comercial e Industrial S.A; Bloco de Representações; Opessane; Organizações Pro-Angola; Plexo; Fazenda no Km 52 (Catete), mansões em Benguela (Lobito), Cuanza-Sul (Sumbe) Patriota e Maianga, suposto testa-de-ferro de António Moço, ex-patrão da empresa Lyon - Construções e Manutenções Metalomecânicas S.A, o tal que faz o link com a Distribuidora Sonangol, na venda de tudo o que diz respeito a material, máquinas e acessórios.








