‘Gozou’ com o SNRA e ‘fechou a boca’ da PGR: Processo de Kopelipa “ressuscita” José Pedro de Morais
A abertura da instrução contraditória do processo em que o general Manuel Hélder Vieira Dias (Kopelipa) é arguido, tornou-se um dos assuntos mais badalados dos últimos dias na sociedade, não só pela dimensão do caso, mas também por trazer à liça questões sobre muitos outros processos contra antigos dirigentes que acabaram por ser “engavetados” sem que se saiba como e porquê!
Por: Na Mira do Crime
O processo do antigo chefe da Casa de Segurança da Presidência da República, ao tempo do falecido Presidente José Eduardo dos Santos, volta a levantar dúvidas sobre a seriedade do combate à corrupção em Angola, despertando igualmente o sentimento de inquietação dos cidadãos pelo silêncio da Procuradoria-Geral da República (PGR), em relação a outros casos de dirigentes que, tal como Kopelipa, também participaram em múltiplos esquemas fraudulentos que lesaram o Estado em centenas de milhões de dólares.
Um desses processos, recordam analistas, tem a ver com José Pedro de Morais, antigo ministro das Finanças e também antigo governador do Banco Nacional de Angola (BNA).
Quando começaram as interpelações a antigos membros do regime, em 2018, este antigo ministro e ex-governador do BNA, José Pedro de Morais Júnior, terá sido confrontado pelo Serviço Nacional de Recuperação de Activos (SNRA), liderado pela procuradora Eduarda Rodrigues, que o teria convidado a devolver 50 milhões de dólares aos cofres do Estado.
Foi então descrito que José Pedro de Morais, não só entregou o que lhe foi solicitado como também decidiu, “por vontade própria, ‘dar’ um extra de 10 milhões”, tendo totalizado o montante de 60 milhões de dólares.
Depois de ter sido revelado que o antigo ministro das Finanças, José Pedro de Morais Júnior, foi o que “melhor” colaborou “com as autoridades angolanas devolvendo aos cofres do Estado a quantia de 60 milhões de dólares americanos”, o caso foi “enterrado”.
A verdade, porém, é que a “façanha” de Pedro de Morais não convenceu a sociedade que ficou indignada e sem entender onde começa e termina a verdade no dito combate à corrupção.
A opinião pública considera que o gesto de José Pedro de Morais foi, antes de mais, um “certificado” de incompetência ao SNRA, porque, “ao exigir a devolução de apenas 50 milhões e ser-lhe devolvido um valor superior, acrescido de 10 milhões de dólares, o antigo governante demonstrou que roubou muito mais e tal quantia não lhe fazia qualquer diferença”.
Por outro lado, acrescenta, “é uma clara admissão de culpa”, pois, pareceu querer dizer: “roubei sim e muito mais que isso”! Assim sendo, “o caso não deveria ter sido ‘engavetado’, apenas porque houve um gesto de ‘boa vontade’, antes pelo contrário”.
Se um dos principais objectivos é a recuperação dos valores e activos que foram roubados ao Estado, “as autoridades judiciais não devem contentar-se com ‘gotas no oceano’ como tem estado a acontecer nos diversos casos em que se anuncia o arresto de bens entre outros”.
José Pedro de Morais é geralmente apontado como possuidor de activos na ordem dos dois mil milhões de dólares surripiados do erário público ao tempo da governação de José Eduardo dos Santos.
Os seus interesses passam pela banca, em bancos como o BNI, Banco Keve e o ex-BANC. No exterior do país está ligado a empresas de seguros (Global Seguros), jogos de sorteios e de azar como Totoloto (Finingest) e casinos.
Possui fazendas no Cuanza-Sul, empreendimentos na rede escolar, hotéis, entre muitos outros interesses, além de envolvimento com a Coca-Cola Bottling Luanda.
Recorde-se que há ainda os “obscuros 12 acordos” para “a execução de projectos financiados com um empréstimo de dois mil milhões de dólares, outorgados em 2004 pelo Banco Chinês a Angola, em troca de petróleo”, assinados por José Pedro de Morais e o vice-presidente do Eximbank Su Zhong, em Luanda, mas cujos “projectos nunca foram materializados no país e muito menos é conhecido o verdadeiro destino dado ao referido dinheiro” que, entretanto, consta da dívida de Angola para com a China.
Na altura, Morais, ministro das Finanças, justificou tais acordos com a necessidade de o país “precisar de mais dinheiro para financiar a reconstrução” enquanto negociava com o FMI.
José Pedro de Morais é ainda acusado de ter-se apropriado de muito dinheiro com a “falsa dívida pública”, dinheiro de linhas de crédito e de ter recebido “luvas” de empresas nacionais e internacionais.
Grande parte do dinheiro desviado por José Pedro de Morais está investido fora do país em paraísos fiscais.
Com a audiência de Kopelipa o seu nome voltou à baila, pelo que a sociedade angolana não percebe a razão do silêncio da Procuradoria-Geral da República sobre este e outros casos similares de muitos embusteiros que desgraçaram o país.











