Furtou multicaixa do patrão - Jovem de 20 anos morre nas celas do Comando de Talatona em circunstâncias estranhas
Um jovem que atendia pelo nome de Adão Manuel Correia, de 20 anos de idade, que havia sido detido no bairro Simione Mucune, distrito da Camama, município de Talatona, no dia 23 de Novembro, por volta das 13 horas, pelo facto de ter furtado o cartão multicaixa que continha uma quantia de Akz 249.000,00 (Duzentos e quarenta e nove mil Kwanzas) pertencentes ao seu patrão, identificado por Simeão Prazeres Mata Sobrinho, que ostenta a patente de capitão das FAA, foi encontrado morto na última sexta-feira, 01, na Morgue Central de Luanda.
Por: Cambundo Caholua
De acordo com o irmão da vítima, Zacarias Manuel Correia, tudo começou quando Adão trabalhava em casa do Senhor Simeão há cerca de um ano.
Durante esse tempo, havia uma relação saudável entre a vítima e o patrão, ao ponto de ter acesso a quase tudo deste. “Era o meu irmão quem fazia compras de casa do senhor Simeão, era também ele quem cuidava das crianças e pagava propinas das mesmas”, começou por esclarecer.
O nosso entrevistado continuou, explicando que de tanta confiança que a vítima tinha naquela residência, com o acesso aos quatro multicaixa do patrão, não resistiu e furtou um dos cartões, onde continha a quantia já mencionada, no dia 16 de Novembro.
Tão logo consumou o furto, começou a esbanjar o dinheiro, tendo comprado um televisor plasma no valor de 69 mil kwanzas e o resto gastou em convívio com amigos.
No dia 23 de Novembro, por volta das 13 horas, contou o irmão, Adão estava a descansar no quarto dele, quando foi surpreendido por agentes do SIC e o levaram para esquadra do BPC, junto a nova maternidade, no Distrito Urbano da Camama, onde permaneceu até ao dia seguinte quando foi transferido para o Comando Municipal de Talatona.
“Logo que ele foi detido, no mesmo dia, fui para à esquadra para saber o motivo da sus detenção e falei com o patrão dele que me informou que o meu irmão havia furtado um cartão multicaixa que continha valores monetários”, realçou o irmão.
“No dia seguinte, assim que foi transferido, junto com a família, fomos até ao Comando Municipal de Talatona, onde confirmaram a sua detenção, mas para se ter acesso ao processo tínhamos que primeiro negociar com o patrão, devolver o dinheiro furtado e depois pagarmos uma caução e posteriormente o Adão fosse posto em liberdade", contou.
A família negociou com o patrão a fim de ressarcir os valores e retirar a queixa.
"Tão logo conseguimos o dinheiro, no dia 26 de Novembro, ligamos para ele e fizemos a devolução”, continuou, acrescentando que “fizemos a transferência dos valores e fez-se uma declaração, onde as duas partes assinaram”.
Zacarias contou ainda que depois do processo do pagamento dos valores esperaram pela retirada da queixa, que veio a acontecer algumas horas depois, tendo o patrão pedido que a família fosse à esquadra para soltarem o rapaz.
Mas a chuva impediu que fossem naquele dia e que, só dois dias depois, é que foram à esquadra, onde lhes foram dadas muitas voltas.
De tanto pressionar, acabaram por receber a notícia de que Adão havia morrido, no domingo, 26 de Novembro, no período da noite, alegadamente por doença, dentro de uma cela, no Comando Municipal de Talatona.
Quando questionaram sobre o paradeiro do corpo, foi-lhes dito que já havia sido transferido para a Morgue Central.
“Como é possível, que foram necessários 05 dias para sabermos que o nosso irmão tinha morrido", questionam os irmãos.
Eles desconfiam que o patrão já sabia que Adão estava morto e não queria informar à família.
Por outro lado, a família suspeita que a vítima tenha encontrado a morte dentro da cela do Comando Municipal de Talatona, no momento que se encontrava detido e descartam que tenha morrido de doença, porque o corpo está cheio de sinais de agressão.
“Queremos um esclarecimento tanto por parte da polícia como do senhor Simeão, porque no momento em que este foi retirar a queixa, o meu irmão já estava morto", exigiu.
Este jornal ouviu o senhor Simeão Prazeres que disse que ele tinha o malogrado como filho: comprava roupa para ele, geria os meus quatro multicaixa. Lamentou a morte do jovem.
No entanto, esforços continuam ser feitos para sabermos mais do caso, junto do Comando Municipal de Talatona.








