Sonangol acusada de burlar antigos trabalhadores em mais de um bilião de Kwanzas
Seis antigos trabalhadores da Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola Sonangol E.P, (Sonangol) em representação dos restantes 340, acusam a empresa estatal de os ter “burlado” em mais de um bilião e cento e noventa milhões de Kwanzas (1.190.000.000.00), divididos em três milhões e quinhentos mil Kwanzas por cada pessoa, depois de terem acordado resolver a contenda extrajudicialmente.
Por: Kiamukula Kanuma
O caso remota em 2009, quando o conflito entre a entidade empregadora e os funcionários estava a ser dirimido no tribunal cível. Mas em 2023, a Sonangol E.P, convenceu-os a retirar o caso do tribunal, para se chegar a um acordo extrajudicial, onde se comprometeu pagar 12 milhões e quinhentos mil Kwanzas a cada trabalhador, mas constatou-se que a empresa sedeada na rua Rainha Ginga nº 29/31 só pagou nove milhões e quinhentos mil Kwanzas, faltando três milhões.
Mário Costa Kifucussa, Domingos Castro Pinto, Adolfo Lopes Tungo, Eliseu Alberto Dias, João Tchivango e Motugovo, com idades que vão entre os 56 aos 70 anos, são pertencentes ao corpo de segurança industrial da refinaria, e acorreram ao Na Mira do Crime para denunciarem o que consideram “burla bilionária” na Sonangol E.P.
De acordo com os entrevistados, em 2009, o patronato decidiu expulsá-los sem razão aparente e recorreram ao tribunal cível.
A Sonangol E.P, ao aperceber-se que perderia o caso, convocou una reunião onde propôs um acordo extrajudicial, que consistia em indemnizar os ex-trabalhadores, individualmente, com 12.500.000.00 (doze milhões e quinhentos mil Kwanzas), pondo fim ao litígio.
"Aquilo foi uma imposição, onde entre perder ou largar optamos em pegar e assinamos os acordos dos 12 milhões e quinhentos mil Kwanzas, onde não tivemos o direito a uma cópia, mas rubricado o acordos fornecemos as coordenadas bancárias, e quando fomos consultar as contas deparamo-nos com apenas nove milhões e quinhentos mil Kwanzas", revelaram questionando o destino dos restantes três milhões e quinhentos mil Kwanzas.
“Ao indagarmos a direcção Jurídica, na pessoa da Drª. Cláudia e o Drº Mauro, para nos darem alguma explicação da falta dos três milhões e quinhentos, uma vez que na cláusula terceira do acordo observa-se que o montante a indemnizar é de 12 milhões e quinhentos, eles remetem-se ao silêncio”, asseverou, acrescentando que, o que inquieta é a falta de explicação.
"É muito tempo de trabalho, viemos da Segurança do Estado em 1983, em 2009 fomos postos na rua, hoje decidem nos pagar pela metade?", Questiona-se impacientemente um ancião que disse ainda que para além de não se pagar a totalidade do valor acordado, dos 340 apenas 50 foram contemplados.
Confessam que por causa do incumprimento da Sonangol em pagar os seus ordenados, muitos desses antigos trabalhadores transformaram-se em mendigos nestes 14 anos de espera.
BAI invade contas
Adolfo Lopes Tungo foi mais longe. "O Banco BAI, sito no largo Serpa Pinto, mexeu na minha conta sem a minha autorização. Depois de ter recebido a indemnização, consultei e reparei que constavam os nove milhões e quinhentos mil Kwanzas, mas dias depois, foi-me retirado mais um milhão e quatrocentos e cinquenta mil Kwanzas, situação que me deixou assustado, o que quer dizer que a minha conta no banco BAI esta desprotegida", observou.
“A Sonangol E.P”, continuaram, “fundamenta que estes valores retirados das nossas contas no BAI servem para custear os Advogados e pessoal da comissão que aproximou as partes”.
"Isso é um absurdo, não seria a Sonangol E.P e nem o BAI a mexerem nas nossas contas sem prévia autorização do titular”.
O NA MIRA DO CRIME teve acesso a alguns bordeaux que atestam o que os entrevistados dizem.
O nosso jornal tentou o contraditório com a Sonangol, junto do seu gabinete jurídico na sexta-feira, 01. Esta, por sua vez, remeteu-nos ao gabinete de comunicação e imagem, que remeteu-se ao silêncio.








