Escândalo na justiça: Tribunal de Mbanza-Kongo coloca em liberdade efectivo do SIC e comparsas envolvidos na morte de pai e filha
O juiz do Tribunal de Comarca do Município de Mbanza-Kongo, na província do Zaire, identificado apenas por Nicolau, está ser acusado de ter posto em liberdade, no dia 21 do mês em curso, Afonso Mbianvanga Nzuzi, oficial do SIC-Zaire, Conceição João Pereira, Chefe de Secretária do Comité do MPLA no Nzeto e o antigo director do Hospital Municipal do Nzeto, Kavungo Nzizi Júnior, acusados da morte de João Francisco Pereira Rolando, de 40 anos de idade e de sua filha Ema João Pereira Rolando, de 9 anos de idade, no momento em que tudo estava ser preparado para serem julgados, sob alegação de que houve excesso de prisão preventiva.
Por: Cambundo Caholua
Francisco Simão, familiar da vítima, contou ao Na Mira do Crime que tudo começou quando a PGR concluiu o processo N° 130/20/ do caso Ema, onde estão arrolados todos os envolvidos, e enviou o mesmo ao Tribunal de Comarca de Mbanza-Kongo.
“O mesmo Tribunal alegou que os advogados de defesa dos reús entraram com um requerimento de instrução de contraditório, isto fez com que o processo passasse ao juiz de garantia, no caso o juiz Nicolau, que por sua vez ficou com o dossier por muito tempo sem dar qualquer tratamento”, observou, acrescentando que, o mesmo juiz, após ter recebido o processo, entrou em gozo de férias fora da província do Zaire.
“Desconfiamos que foi uma armação por parte do juiz de garantia com os advogados de defesa dos arguidos, para que o prazo de prisão preventiva vencesse o seu limite, e logo de seguida os prevaricadores respondessem sob Termo de Identidade e Residência”, desconfiou.
“É uma estratégia que o juiz usou, porque acreditávamos que o processo já estava em julgado e, depois disso, era apenas aguardar as datas dos julgamentos”, frisou.
O nosso entrevistado, explicou ainda que o processo nas mãos do juiz obedece o prazo de 6 meses, e ainda estava no limite.
“Nem com isso o juiz queria cumprir com a lei, ficamos desiludidos ao ver os verdadeiros criminosos da morte do meu irmão e da minha sobrinha a serem soltos, com pretexto de que houve excesso de prisão preventiva, nem a nós como família fomos comunicados e nem ao nosso advogado", lamentou.
Acusou ainda um dos supostos autores das mortes de pai e filha, o oficial do SIC-Zaire Afonso Mbianvanga Nzuzi, o também amante de Conceição João Pereira, mãe de Ema e ex-mulher de Rolando, de que tem se gabado que ostenta uma boa patente na corporação.
Por outra, conta, acusa o oficial do SIC de gabar-se que tem muito dinheiro para subornar qualquer tribunal… “no Zaire ou em qualquer parte de Angola”.
De recordar que este jornal havia publicado no dia 1 de Março do ano em curso, que para além destes três envolvidos na morte de pai e filha, havia também dois seguranças da morgue do Hospital Municipal do Nzeto, nomeadamente Kilola José Filho e Augusto Janja, ambos postos em liberdade, por falta elementos suficientes que os indiciava naquela acção criminosa.
Informações chegadas a este jornal dão conta que o mesmo juiz, Nicolau, que despachou o processo e pós em liberdade os arguidos, já não se encontra a trabalhar no Mbanza-Kongo, segundo fontes próximas, foi transferido para província de Cabinda por suspeitas de práticas de corrupção.
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